E começou a temporada 2011 da F1 (2)

SÃO PAULO (horas depois) – Voltando ao tema Formula 1 aqui, vamos a mais umas opiniões sobre a prova da Austrália.

KERS

Acho louvável a ideia de um equipamento ecologicamente correto, que usa energia calorífica dos freios para gerar mais potência para o motor e tals, mas esse negócio é pesado e desequilibra o acerto dos carros, além de exigir um botão a mais no volante. A Red Bull, por exemplo, não usa, não faz falta nenhuma, mas esses carros parecem que são de outro planeta. Minha crítica é com relação a ideia de facilitar as ultrapassagens. Não vai adiantar muito. Quando dois carros têm o sistema, um usa para passar e outro usa para se defender, se anulando mutuamente. Tomara que desistam de vez de tornar isso obrigatório nos carros. A FIA dá umas viajadas nessa ânsia de ultrapassagens na F1. Ultrapassagem não pode ser que nem na F-Indy, que tem 7 líderes por volta. Tem de ser algo natural. Mas ok.

PNEUS

Como mostra a imagem, não fica claro identificar os tipos de pneus que a Pirelli desenvolveu para essa temporada. Após 11 anos de domínio da japonesa Bridgestone, a borracha italiana volta à F1 e, a pedido de Bernie Ecclestone, os pneus deveriam durar bem menos que os do ano passado. Algo que aconteceu muito pouco na Austrália, devido ao asfalto pouco abrasivo e à baixa temperatura na corrida. Sergio Pérez, por exemplo, só parou uma única vez. Não houve tantas trocas como o previsto e os pneus duraram razoavelmente bem. Mas a questão mesmo é o sistema de identificação por cores, com os logotipos pintados na lateral do pneu. São seis tipos de borracha disponíveis: LARANJA (Chuva), VERMELHO (Supermacio), PRATA (Duro), AMARELO (Macio), AZUL (Intermediário) e BRANCO (Médio).

O grande problema é que, como eu disse no twitter durante os treinos de sexta, a diferença entre banco e prata é mínima e vai derrubar narrador. E com as rodas em movimento, fica quase impossível distinguir qual é qual. Só nas curvas mais lentas dava para perceber, dependendo da luz incidente. Algo que será complicadíssimo nas corridas noturnas, como Cingapura e AbuDhabi. Nem nas paradas de boxes dava pra perceber direito. A Pirelli vai ter de achar outra solução, como essa que um blogueiro enviou para o Flavio Gomes, um dos melhores jornalistas de automobilismo do Brasil e que mantém um blog excelente.

Achei estranho ainda ver os “adverts” da Pirelli espalhados pelo autódromo. Deu a impressão de um retorno no tempo e ainda pareceu uma categoria menos badalada, como Formula 3, DTM e afins. Nostálgico. Gostei. Mas vamos ver na Malásia, a corrida mais quente do calendário, como que a borracha se sai.

ASA MÓVEL

A asa traseira móvel que Bernie inventou para facilitar as tais ultrapassagens se mostrou um fiasco nessa corrida. A reta do Albert Park, em Melbourne, não é tão longa, o que não deixou que os 12 km/h a mais proporcionados pelo artefato fizessem efeito. Além de ser quase uma covardia com o piloto que está à frente, que não pode se valer do mesmo recurso. Nada melhor para isso que o bom e velho vácuo, mais fácil de se conseguir e mais intuitivo na hora de colocar o carro de lado e frear mais tarde para se ganhar a curva e a posição.

Essa asa só vai servir para narrador e comentarista falarem “olha lá, abriu, vamos ver se agora vai” várias vezes durante a prova, mas vai chegar a hora que isso irá encher a paciência do telespectador. Num carro moderno, que tem tanta influência da aerodinâmica, o vácuo está difícil de pegar porque assim que sai de trás do carro logo à frente, a turbulência e a diferença de pressão estão minando as boas disputas. Prefiro ver carros mais limpos, sem apêndices e aletas. Já baniram o tal difusor duplo, agora é tentar depender menos da aerodinâmica. Mas isso deve ficar para depois de 2013, é muito ruim mudar as regras de uma hora pra outra.

HISPANIA

O mico. Não tinha nem de ter viajado. É capaz de uma equipe da GP2 alinhar e fazer um tempo melhor do que escuderia pastelão. Vitantonio Liuzzi, coitado, entrou num barco sem fundo de tão furado. Não creio que na Malásia os espanhóis vão conseguir achar um tempo 7% menor que as Red Bull, que devem fazer a pole novamente. Melhor juntar os trapos, ir embora e dar a 13ª vaga para Villeneuve, que tem mais experiência e intenções melhores que a obscura Hispania. Sorte do Bruno Senna que escapou a tempo. Melhor andar nas sextas-feiras que saber que não consegue andar de nada.

Na tocada das ultrapassagens, fico com esse vídeo, que fala por si só. Sou um cara meio “old school”, como dizem uns amigos meus. Esse vídeo é uma prova.

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