De novo, infelizmente…

SÃO PAULO (triste²) – Aconteceu de novo. Mais um piloto acabou morrendo em Interlagos. Mas antes que se comece a demonizar a pista, tudo leva a crer que foi uma fatalidade o que aconteceu com Paulo Kunze, piloto da categoria Light da Stock Paulista, que usa os antigos Chevrolet Omega da Stock Car fabricados entre 1993 e 1998, com quase toda a carenagem feita em fibra de vidro e com gaiola reforçada de tubos de aço.

Kunze, piloto e empresário e um dos dinossauros da categoria, tinha 67 anos acabou por falecer ontem (quarta) pela manhã em decorrência dos ferimentos após o acidente, ocorrido na entrada da reta oposta em Interlagos, no último domingo.

Fica difícil saber as reais causas da morte sem um vídeo da batida, apenas com as notícias e relatos de testemunhas que afirmam que o Omega de Kunze bateu em outros dois carros antes de capotar e saltar por sobre a barreira de proteção, indo cair fora da área de segurança da pista. É tolice querer analisar isso e saber as causas do acidente, seria só especulação que não leva a nada. E nem tenho de analisar nada, isso cabe às autoridades competentes.

Outra coisa, a morte dele não tem nada a ver com a idade. Para desmistificar isso, temos na Fórmula Truck o interminável Pedro Muffato, com seus 70 anos, que ainda dá muito trabalho para os mais jovens na categoria dos caminhões. Só vi Paulo Kunze uma vez, de relance, numa das etapas de 2008 ou 2009 da Stock Paulista, não lembro direito. Me chamou a atenção o fato daquele homem já de cabelos meio brancos ainda pilotar.

Mas esse acidente é mais um alerta para que a CBA trate de fazer as coisas direito na parte de segurança do automobilismo nacional. São várias categorias filiadas à entidade, que é responsável por zelar pela segurança delas, dos autódromos e dos astros do espetáculo – os pilotos. Esse ano já foram três mortes em Interlagos (um fotógrafo num track day de moto, Sondermann e Kunze), mais um mecânico numa prova de rua de kart em Jarinu. Ano passado foi uma morte em Fortaleza numa prova de monopostos, outra em Curitiba na arrancada, mais uma em Cascavel numa corrida de kart.

A bruxa está solta. Mas falta força de vontade para tirar o traseiro das cadeiras e começar a fazer algo que realmente seja eficaz para acabar com essas fatalidades, que nem são tão fatalidades assim vide o descaso com o esporte no Brasil todo. O alerta já está aceso faz tempo. Que os responsáveis pelo automobilismo nacional comecem a agora, pois, a rever e aumentar ainda mais os padrões de segurança, seja dos circuitos, seja dos carros e dos equipamentos de segurança, como bancos, capacetes, chassis, estruturas, macacões, equipes de resgate, e tudo mais que envolva o automobilismo.

Tome como exemplo a Nascar, nos EUA, que há dez anos não tem um acidente fatal. Lá a segurança é item primordial, com análises minuciosas e extremamente criteriosas antes do começo de cada temporada. Se não se tem condição de correr, não corre. Já que por aqui gostam tanto de copiar o que vem de fora, que copiem isso, pelo menos.

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Arquivado em automobilismo, generalidades, Política

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