Arquivo do mês: maio 2011

Nas ruas de Mônaco

Race winner Sebastian Vettel (GER) Red Bull Racing on the podium. Formula One World Championship, Rd 6, Monaco Grand Prix, Race, Monte-Carlo, Monaco, Sunday, 29 May 2011

SÃO PAULO (um domingo para entrar na história) – Todo mundo tenta, mas no final dá Vettel. Tá ficando chato até só falar do alemão (mais um), que está dominando o ano até agora. Com essa, ganhou 5 de 6  corridas, igualou-se a Hamilton (que venceu a prova que não teve Sebastian no primeiro lugar) com 15 vitórias na carreira e entre os pilotos em atividade, está atrás apenas de Schumacher (91 vitórias) e Alonso (26). Um monstro!

Mas vamos do começo. No sábado, Sebastian fez a pole-position, sua quinta em seis corridas, 20ª na carreira, agora empatado com Alonso e Damon Hill (entre os pilotos em atividade, agora está atrás apenas de Schumacher, com 68, recordista absoluto). Hamilton podia até ter conseguido, mas pegou tráfego quando fazia sua volta rápida e depois da feia batida de Pérez na barreira depois da saída do túnel, não havia tempo para mais nada. A Red Bull fica mais alcançável em circuitos onde a aerodinâmica não influi tanto, como em Mônaco. Para andar devagar em ruas estreitas, qualquer carro serve.

O mexicano já está bem, ainda se recupera da pancada. No Q3, quando estava fazendo sua volta rápida, Sergio pegou sujeira no túnel e freou bem no “degrau” que tem na saída. Aí o carro escapou, deu no guard-rail e foi de lado na barreira de plástico. Pérez ficou atordoado, mas saiu consciente. A TV mostrou o mexicano tirando as mãos do volante antes do impacto final, assustador. O resto do grid ficou com Button, Webber, Alonso, Schumacher, Massa é o sexto, Hamilton, Rosberg e Maldonado. Pérez ficou fora.

Schumi fez uma de suas piores largadas e caiu para 10º. Alonso, mestre em reação ao apagar das luzes vermelhas, saiu bem e na Saint Dévote já era o 3º. Mas o velho campeão fez uma das manobras mais belas que já vi nas ruas monegascas: enfiou o carro por dentro na Loews, a curva mais lenta da F1, bem em cima de Hamilton, que só ficou perplexo vendo Schumi passar com maestria. Só lembro vagamente de uma manobra parecida nessa curva, acho que foi o Mansell em 91 ou 92, com aquela Williams com patrocínio da Camel, mas ele já vinha de lado com o ultrapassado desde o Cassino lá em cima. Desse jeito do Schumi, foi a primeira.

Mas depois o alemão, com pneus desgastados, não resistiu à investida do inglês. Barrichello, que vinha atrás, também aproveitou e passou Schumacher com autoridade na Mirabeau, num duelo dos tiozinhos, mas bonito de se ver. Logo depois, mais um belo duelo, Rosberg x Massa. Na 15ª volta, o brasileiro fez a ultrapassagem na Piscina (ou Tabac). Maldonado, de carona, também superou o outro alemão da Mercedes.

The podium (L to R): Fernando Alonso (ESP) Ferrari, Sebastian Vettel (GER) Red Bull Racing and Jenson Button (GBR) McLaren. Formula One World Championship, Rd 6, Monaco Grand Prix, Race, Monte-Carlo, Monaco, Sunday, 29 May 2011

Para quem acha que Mônaco só tem corrida chata por ter pouca ultrapassagem, essa prova é digna de entrar para a história, uma das melhores dos últimos anos, se não a melhor. Gente com talento acha um meio de passar. Mas não como Hamilton fez com Massa e com Maldonado. Esse é um caso para um post à parte. Lewis só não bateu no Príncipe Albert. Parecia que estava correndo na Fiak, a categoria de kart dos jornalistas. Sobrou pra todo mundo.

Mas a corrida na Côte D’Azur teve seus destaques. Alonso fez uma corrida fenomenal. Button também. Webber fez seu brilhareco no fim. Kobayashi, o mito, foi monumental, carregando sua Sauber nas costas. Sutil, que largou lá atrás, terminou em sétimo. Barrichello vinha fazendo uma prova discreta, mas fez os primeiros pontos da Williams no ano para tirar a zica. Maldonado também pontuaria não fosse o estabanado Lewis. Os pontos ficaram para Heidfeld, que vem correspondendo na Renault, e para Buemi, que não aparece e faz o estilo come-quieto, sempre beliscando alguma coisa e fazendo provas honestas.

De ruim, Schumacher que abandonou. Seguindo o exemplo, Rosberg também ficou fora dos pontos. Fiasco da Mercedes. Massa, depois de se atracar com Hamilton, pegou sujeira no túnel com os restos de borracha dos pneus de todo mundo (em inglês, chamados de marbles = bolinhas de gude, de tanto que fazem o carro escorregar) e foi rasgando o guard-rail até parar na chicane fora do túnel, sem duas rodas. O resto foi resto.

A grande polêmica da prova foi a troca dos pneus sob bandeira vermelha. Vettel estava sem pneus e Alonso tinha um resto de borracha ainda, com Button colado atrás, também quase na lona. Três carros no limite, com estratégias diferentes, separados por menos de um segundo. Seria “O” duelo da prova. Na 68ª volta, eles encontraram todos os retardatários do mundo à frente. E rolou confusão. Sutil perdeu o controle, cortou a chicane, Alguersuari acertou Hamilton e foi acertado por Petrov. Caos total. O mais incrível foi que os três líderes passaram ilesos.

Race winner Sebastian Vettel (GER) Red Bull Racing celebrates in the Red Bull pool with his team. Formula One World Championship, Rd 6, Monaco Grand Prix, Race, Monte-Carlo, Monaco, Sunday, 29 May 2011

Depois que Petrov e Alguersuari ficaram no muro do “S” da Piscina, o safety car entrou para tirar o russo de ambulância (por dores nas pernas) e a direção de prova suspendeu a corrida momentaneamente. Diz o artigo 41 do regulamento que as equipes podem mexer nos carros, então todo mundo saiu de pneu novo. Achei uma barbaridade, tirou a legitimidade da disputa, mas se está no regulamento, fazer o quê? Aí ficou fácil para Sebastian.

Vettel se consolida como piloto e põe dois dedinhos no título de bicampeão. E os outros não estão nem vendo a poeira que ele deixa para trás. A Red Bull, mesmo numa pista onde não tinha o melhor carro, levou de novo, com uma vitória que mostra o amadurecimento de Vettel. Está nascendo um novo fenômeno na F1. Ele é moleque ainda, fez a festa na balsa da Red Bull ancorada no píer monegasco, pulou de macacão na piscina, jogou champagne no olho do soldado da guarda real do principado (que não pode nem se mexer por protocolo e levou um banho), e beija indecentemente seu troféu. É esse o cara que quero ver campeão no fim do ano.

Resultado final do GP de Mônaco:

1º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 78 voltas
2º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 1s1
3º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 2s3
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 23s1
5º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 26s9
6º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 27s2
7º. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 1 volta
8º. Nick Heidfeld (ALE/Lotus Renault), a 1 volta
9º. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 1 volta
10º. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
11º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 2 voltas
12º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 2 voltas
13º. Jarno Trulli (ITA/Team Lotus-Renault), a 2 voltas
14º. Heikki Kovalainen (FIN/Team Lotus-Renault), a 2 voltas
15º. Jérome D’Ambrosio (BEL/Virgin-Cosworth), a 3 voltas
16º. Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth), a 3 voltas
17º. Narain Karthikeyan (IND/Hispania-Cosworth), a 4 voltas
ab. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth),
ab. Vitaly Petrov (RUS/Lotus Renault),
ab. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari),
ab. Felipe Massa (BRA/Ferrari),
ab. Michael Schumacher (ALE/Mercedes),
ab. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth),
Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), Não largou

Race winner Sebastian Vettel (GER) Red Bull Racing. Formula One World Championship, Rd 6, Monaco Grand Prix, Race, Monte-Carlo, Monaco, Sunday, 29 May 2011

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Kart com marcha

SÃO PAULO (rápido?) – Devidamente surrupiado do excelente blog Voando Baixo, do meu amigo Rafael Lopes, competentíssimo jornalista de automobilismo da Globo.com, coloco aqui um vídeo de uma câmera onboard num Shifter Kart (kart com marcha).

O piloto em questão é o tocantinense Felipe Fraga, grande kartista e vencedor da Seletiva Petrobras de kart, disputada em Itu em 2010. Tive o prazer de conviver com Fraga por uns dias em Las Vegas e de acompanhar em inúmeras corridas pelo Brasil. Engraçadíssimo, gente boa por demais e piloto sensacional, Felipe fez este vídeo no Kartódromo de Wackersdorf, na Alemanha. Ele estava fazendo testes para a equipe CRG oficial antes do Campeonato Europeu, que aconteceu no dia 12 de junho. Ele foi o único brasileiro inscrito na categoria Shifter. Será que acelera o bichinho???

Detalhe: Com uma relação peso x potência (180kg/45cv), consegue números que impressionam.

• Aceleração de 0 a 100km/h em menos de 2,7 segundos;

• Forças laterais e de aceleração de 2,5 a 3G;

• Velocidades finais em determinadas pistas que possibilitam chegar a 170km/h. Só! De arrepiar!

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Arquivado em automobilismo, Kart

The poolball

SÃO PAULO (será que alguém vai trazer para o Brasil?) – Parafraseando um slogan que rola nos “adverts” das mídias, cerveja combina com futebol, que combina com esporte, que combina com diversão, que combina com sinuca, que combina com bar, que combina com cerveja, e por aí vai…

A Budweiser, cerveja estadunidense (cuja dona é a InBev, brasileira) criou o poolball, mistura de sinuca e futebol. Se é sucesso lá fora, imagine quando desembarcar por aqui… Gênios!!!!!!!!!!!!!

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Català

SÃO PAULO (A reveure*) – Língua esquisita o catalão. Queria saber como se fala “pintou o campeão” nesse idioma falado na costa nordeste da Espanha, em Andorra, na costa sudeste da França e em outros poucos territórios naquelas glebas. Porque é isso que os catalães que estiveram em Montmeló, próximo a Barcelona, estão falando sobre o tedesco que vem triturando os números nesse primeiro quarto da temporada 2011 da Fórmula 1.

Essa deve ser a cena mais comum da temporada...

Deu Vettel an cabeça mais uma vez. Mas nessa não era nada óbvio. A começar pelo temporal que Webber fez em todo o final de semana, pulverizando os palpites de que só daria o alemãozinho de novo. Nada. O aussie deu o ar da graça marcando a pole e sendo o primeiro em todos os treinos. Mas, como está entrando em declínio, na prova voltou a ser o velho Mark de sempre. Um leão de treino.

Mas a pista de Barcelona e Adrian Newey, o projetista da Red Bull, formam um par como poucos no mundo. O GP da Espanha foi disputado lá pela primeira vez em 1991. Foram 21 edições até agora e em dez delas o vencedor foi alguém a bordo de um carro by Newey. A pista exige muita aerodinâmica e Adrian conhece como poucos o ato de dar vida às linhas fluidas de um F1. Esse ano, para azar dos demais, é Vettel, um moleque alucinado e taletosíssimo, que se diverte ao volante de um carro de Adrian. E que com a vitória de domingo, a de número 14 na carreira (empatou com Emerson Fittipaldi, Graham Hill e Jack Brabham nas estatísticas, e está na 16ª posição na lista dos que já venceram na F1), já abre 41 pontos de vantagem sobre o segundo colocado na tabela de classificação. Um assombro!

E outro dado interessante: há dez anos que quem saía na pole vencia a prova espanhola. E Sebastian quebrou o tabu. Webber largou mal, Alonso pulou de quarto para primeiro e aí começou a diversão. Vettel na dele, esperando a Ferrari que não tem um equipamento à altura de competir de igual para igual sucumbir à própria (má) sorte. Fernando fez o que pôde enquanto teve pneus, deu um show na pista, mas quando calçou os pneus de mármore da Pirelli, que fez o pneu duro mais duro dos últimos tempos, foi ficando, ficando, até terminar em quinto, uma volta atrás do líder. Triste.

Mais triste para Massa, que vê seus dias em Maranello se findando. Rodou sozinho no fim da corrida, não ameaçou quase ninguém e pouco fez até abandonar na brita com problema de câmbio. Foi até ultrapassado por Pérez e Heidfeld sem oferecer resistência. A continuar esse ritmo, de andar sempre atrás de Alonso (o que aconteceu até agora), Felipe pode começar a digitar seu currículo. Fernando tem a simpatia da equipe que vê nele sua esperança de retornar à era Schumacher, e o espanhol sabe que para ter uma solidez necessária que corresponda às expectativas depositadas nele, é preciso tempo. Depois de perder duas temporadas na Renault após um ano para ser esquecido na McLaren, Alonso aposta nesse casamento. E Felipe caminha para ser um novo Barrichello na Ferrari.

Eu disse isso há algum tempo aqui, que o Brasil está virando um país que fabrica bons segundos pilotos. Está acabando a era vitoriosa brazuca na categoria. Na F1, o que importa é comemorar o primeiro lugar, o resto é resto, ser segundo é o primeiro dos últimos. Não dá para esperar muito de quem comemora o “campeonato moral”, o terceiro lugar com euforia ou que acha bom chegar nos pontos. Por isso que a coisa está como está.

Mas voltando, Webber não tem justificativa de pilotar o mesmo carro de Vettel e, após sair na pole, chegar em quarto. O australiano se perdeu de vez. Vai ver seu colega ser campeão de camarote e sem conseguir provar o contrário.

Na McLaren, a única equipe que pode assustar os touros vermelhos, a ordem é celebrar a conquista. Pena que mesmo com KERS, DRS (asa móvel), pneus, estratégia, vontade e apetite, Hamilton não conseguiu passar Vettel, que não tinha asa para se defender e tinha um KERS meia-boca (que a Red Bull não resolveu até agora). Foram 12 voltas de supremacia do desenho de Newey sobre o conjunto dos prateados. Briga excelente, mas inútil. Bom que o time de Woking conseguiu um 2º e um 3º com Hamilton e Button.

E Jenson é mesmo um lorde pilotando. Largou mal, é verdade, caiu para 10º e mudou a estratégia para só três paradas, mas como é um dos poucos que sabe como poupar a borracha, fez isso na prova e levou seu carro com sutileza até o fim, ganhando um trofeuzinho como prêmio pela competência. Prova que seu título mundial não foi mero acaso ou sorte.

Outro alemão que fez uma boa prova foi Schumacher, que ainda vive um calvário em seu retorno. Largou muito bem, deu suas fechadas de porta tradicionais e lutou pelo 6º lugar. Fez uma boa estratégia ao largar de pneus macios, enquanto os outros largavam com os duros. Aos poucos, vai mostrando que ainda é osso bem duro de roer.

Rosberg, seu companheiro, terminou atrás dele. Ainda brigou um pouco pela posição, mas o alemão mais velho não deixou barato e manteve-se à frente. Nada mau, mas também não é bom. Pelo menos a Mercedes vai fazendo seu campeonato com algum brilho nesse começo, colocando um carro aqui e outro ali nos pontos.

Ponto negativo para a Williams de Rubens Barrichello e Pastor Maldonado. Sir Frank deve estar furibundo e com um desânimo do tamanho de sua história. É o pior começo de temporada de todos os tempos do garagista, sem ponto nenhum. Rubens sofreu com um câmbio dessincronizado (é assim que escreve?) nos treinos e, depois de ter largado em 20º com câmbio novo, se arrastou lá atrás, brigando com Virgin, Lotus e Hispania. Só o dinheiro da PDVSA, a petrolífera da terra de Hugo Chávez, não é garantia de um bom carro.

Maldonado, que largou em 15º, acabou em 20º. Esse carro da Williams pelo jeito não tem salvação. E Rubens é outro que vê um horizonte negro nos seus planos de permanecer na categoria. Se Frank não fechar com a Renault para ter um novo motor (difícil, já que os franceses forneceriam motores para quatro times em 2012 com a Williams), que seria um respiro a mais, Barrichello pode dar um adeus melancólico. Desse jeito ele não fica. No fim da carreira se humilhar assim não dá. E é difícil pintar um convite para outra equipe médio-grande. Tem algo de muito errado com o time de Grove.

Na Renault, enquanto Kubica se recupera para saber se ainda consegue correr, Heidfeld vai esquentando o banco com notoriedade, uma ótima escolha da Genii e seu time preto-e-dourado. “Quick Nick” largou em último e veio escalando todo mundo, finalizando em 8º. Excelente! Quem foi mal aí foi Petrov, de 6º na largada para 11º na bandeirada. Sem explicação. É um bom piloto, mas irregular demais.

Surpresa foi ver, por uma volta só, a Lotus verde-e-amarela andando entre os dez primeiros com Trulli e Kovalainen (8º e 9º, respectivamente). O finlandês ainda deu uma escapada de verdade e acabou na barreira de pneus. Deu um fio de alegria para o time, que é simpático, ao contrário dos dois pilotos sem sal nenhum que guiam seus carros.

Menção honrosa novamente para Sérgio Pérez e para Kobayashi. O muchacho e o mito, ambos de Sauber, fecharam a zona de pontos. Koba-san não deu seu show costumeiro de ultrapassagens nem assombrou Schumacher. Deve estar guardando alguma coisa para a próxima corrida.

Por falar nisso, no domingo que vem acontece uma das provas mais charmosas do mundo: o Grande Prêmio de Mônaco. Podem falar o que quiserem, que a pista é ruim, que as ruas do principado não servem para a prática de uma corrida, que é perigoso e lento, etc. Mas o charme da Côte d’Azur, dos ancoradouros de iates gigantescos, mais o luxo e o glamour da prova compensam as limitações impostas. A atividade em Monte Carlo começa na quarta e pára (vou continuar com esse acento por muito tempo) na quinta, já que a sexta é reservada aos eventos sociais. Lá pode. Até ser um poser pode.

Essa é uma das provas imperdíveis do calendário para mim, ao lado da primeira (seja onde for), Monza, Silverstone, Canadá, Spa-Francorchamps, Suzuka e Interlagos e da última (coincidentemente aqui no Brasil esse ano). E talvez Cingapura, pelo apelo noturno. Gosto dos circuitos mais tradicionais e dos grandes templos do automobilismo. Pena que o Estoril, Magny-Cours, Indianápolis, Paul Ricard, Le Mans, Brands Hatch, Kyalami, Jerez de La Frontera, Hungaroring (com sua pista enorme), Zeltweg e outros circuitos não recebam mais a F1.

Vamos ver se Vettel leva mais essa para casa. O tedesco só perde esse campeonato se o mundo acabar antes. Fins després – Até logo

Resultado final do GP da Espanha:

1º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 66 voltas
2º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 0s6
3º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 35s0
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 12s2
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 1 volta
6º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 1 volta
7º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 1 volta
8º. Nick Heidfeld (ALE/Lotus Renault), a 1 volta
9º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 1 volta
10º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 1 volta
11º. Vitaly Petrov (RUS/Lotus Renault), a 1 volta
12º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 1 volta
13º. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 1 volta
14º. Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
15º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth), a 1 volta
16º. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 2 voltas
17º. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 2 voltas
18º. Jarno Trulli (ITA/Team Lotus-Renault), a 2 voltas
19º. Timo Glock (ALE/Marussia Virgin-Cosworth), a 3 voltas
20º. Jérôme D’Ambrosio (BEL/Marussia Virgin-Cosworth), a 4 voltas
21º. Narain Karthikeyan (IND/Hispania-Cosworth), a 5 voltas
22º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 8 voltas

* A reveure = até a próxima, em catalão.

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Turista acidental

BARREIRAS/ BA (hora de voltar) – Está chegando ao fim minha passagem pelo interior da Bahia. A cidade de Barreiras, no extremo oeste baiano, foi uma grata surpresa que pude conhecer por esses três dias (e meio, já que retorno na sexta). Como nunca tinha estado na região nordeste do país antes, essas novidades todas me deixam com outra visão sobre o Brasil. De verdade.

Vista aérea parcial de Barreiras (BA)

O jornalismo me deu algumas oportunidades de conhecer lugares que eu não imaginava estar tão cedo, ou nem imaginava existir. E conhecer essas localidades, pessoas, costumes, culturas, dialetos, culinárias e demais regionalidades é uma das coisas que mais me alegra nessa vida.

Quase que centralizada na região, Barreiras fica a mais ou menos a duas horas de carro de Goiás, Tocantins, Maranhão e Piauí, mas a distantes 871 km da capital Salvador. Esse pedaço da república tem algumas características diferentes, dizem que aqui não se parece muito com o resto da Bahia (algo semelhante à Miami ou Las Vegas, que falam que não é bem de fato os EUA real), então, só se estando no local para ver que é mesmo um pouco diferente do esperado.

Recentemente os meios de comunicação nacionais deram destaque à possível criação de mais dois estados no Brasil dentro do atual Pará: Tapajós e Carajás. Esse movimento “separatista” também é muito forte por aqui. Nesta região apóia-se a criação do estado do São Francisco.

Muitos com quem conversei estão descontentes com a as administrações municipais e estadual. Só hoje (quinta-feira) rodei mais de 400 km para fazer meu trabalho e em várias cidades as pessoas entravam nesse assunto. A região é riquíssima em minerais e tem um imenso potencial agrícola, mas a imprensa reclama da falta de atenção com a região, por isso querem um estado novo. Não sei se é herança de Canudos, mas é forte o movimento para isso. Adesivos, faixas, banners, movimento político, manchetes de jornais, sempre tem alguma linha sobre o assunto pipocando aqui e acolá. Dizem que já se tem até um hino estadual, datado de antes de 1950, e ideias sobre essa separação em documentos do séc. XIX.

Ressalto que só estou reproduzindo o que tenho ouvido por aqui, mas não pude saber o outro lado (do governador Jaques Wagner, do PT) e acho que nem vou conseguir fazer isso. Só estou de passagem por Salvador (onde conheci só o aeroporto).

Eu sou a favor de recortar o Brasil em mais uns 18 estados. Pelo menos uns seis no Amazonas. Embora se tenha uns contras que são uma maior oportunidade para desvios de dinheiro, corrupção, mais deputados, senadores, mais gastos com a máquina pública, estados menores dão menos trabalho para ser administrados e têm bom potencial de crescimento. Um exemplo disso é o Tocantins, estado mais novo da federação, que cresceu a passos largos (basta ver os números disso apontados pelo IBGE).

As cidades da região pedem por um desenvolvimento. São mais de 150 mil barreirenses e uma demanda por modernização que não chega facilmente pela distância da sede do governo estadual. As estradas são precárias e sem acostamento a maior parte do tempo, e têm mato crescido nas beiradas, encobrindo as já raríssimas placas, que caem ou são arrancadas e não são repostas. O asfalto é coalhado de buracos e deformidades que judiam de qualquer suspensão e amortecedor, além de estar mal sinalizado. As ruas das cidades aqui, quando não são de terra, também têm um asfalto péssimo, acho que o primeiro que foi feito e nunca mais foi remendado ou recapeado. Falta certa ordem em uns setores, mas é visível ver que o povo quer crescer, só precisa de uma ajuda a mais.

Fui extremamente bem recebido em todas as redações que visitei. Os colegas se simpatizam com quem dá atenção às causas locais, ainda mais quando digo que represento uma empresa que está investindo pesado aqui pela descoberta de um metal estratégico raríssimo no mundo, só encontrado no Cazaquistão e na China, e agora aqui em Barreiras: o tálio. As mídias locais relatam o descaso político o tempo todo, reclamam que os administradores, alçados aos cargos para transformar, melhorar, mudar e crescer, não fizeram seu papel. Isso em mais de uma cidade. Querem renovação. Querem oportunidade de crescer. Com essa descoberta do minério, sentem que a hora é essa. E aqui também apóiam a criação dos dois estados no Pará, além de contar com a simpatia do governo do Tocantins para a criação do estado do São Francisco.

A região é belíssima. Há encostas de morros com chapadas de tirar o fôlego pela beleza, rios limpos e cheios de vida, com cascatas, corredeiras e muito potencial turístico. Até o aeroporto local, construído num planalto elevado, foi bancado por ingleses na época da II Guerra (e permanece com a estrutura original até hoje), mas não há uma placa ou algo que indique isso, só histórias dos locais. Mas a vista de lá de cima é maravilhosa. É só ter vontade de fazer direito que a coisa sai do papel.

Já parto com vontade de voltar em breve, mas quero voltar para conhecer mais do que as avenidas principais e a pousada onde me hospedo, que é ótima. Comi melhor aqui do que em alguns restaurantes de São Paulo, com mais qualidade e preço menor. Não me fartei da culinária tradicional (acarajés, moquecas, vatapás e afins), mas quero experimentar alguma coisa quando puder. Fui muito bem tratado por todos, desde os colegas jornalistas, pelo pessoal da empresa e até balconistas de estabelecimentos comerciais que me preparam um simples café expresso.

Gosto disso, de tomar um café em lugares diferentes, de conversar com gente e absorver essa aura local. Essas pessoas gostam de falar de sua história, de suas aventuras, de saber como é a vida fora do seu círculo, e com isso eu me identifico demais. As cidades têm uma simpatia e um ritmo próprios, com suas igrejinhas centrais, pessoas sentadas em cadeiras na calçada, chapéus e chinelos de dedo, coisa bem de interior. Vou guardar com carinho essa viagem onde pude ser um turista acidental nessa região do Brasil, que em breve pode ganhar novas linhas e um SF como sigla. Torço para isso.

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Beócios vs. Boçais

BARREIRAS/ BA(terra quente) Mais um tempo afastado deste blog por motivos trabalhistas, mas vamos lá. Para inaugurar o primeiro post interestadual, vou falar de… São Paulo. Depois, quando eu encerrar minha viagem, falo desse pedaço lindo de Brasil aqui.

Estava acompanhando umas notícias sobre aqueles protestos do povo dito “diferenciado” contra a suspensão da construção da estação (quanto “ão”) do metrô na Av. Angélica, no coração de Higienópolis. Coloco mais abaixo um texto de um colunista da Veja que retrata muito bem o que penso sobre o assunto.

Primeiro, uns boçais falaram umas besteiras e os jornalistas “manicacas” (quem é da aviação conhece o termo. Se não conhece, dê um google) compram a ideia de meia-dúzia (sem referências ao Palmeiras) como se fosse a opinião do bairro todo. Absurdo a falta de profissionalismo de alguns colegas, que preferem vender o que dá mais audiência para o jornal do que praticar o imparcialismo, que deveria ser o guia-mor da profissão.

Ora, estudei no Mackenzie por quatro anos, que fica na boca de Higienópolis. Quando estava na faculdade, fizemos uma matéria grande para nosso jornal-laboratório sobre a futura estação Higienópolis-Mackenzie. Na época ninguém protestou contra a estação ali, pelo contrário, o apoio foi maciço. O Mackenzie por si só atrai muito mais gente “diferenciada” para a região do que aconteceria com a estação da Linha 6 Laranja ali no meio, que vai vir do Brasilândia até a São Joaquim. Ao redor da Universidade tem de tudo, mendigos, engenheiros, hippies, executivos, artistas de rua, atores e apresentadores, transgêneros, jogadores de futebol, prostitutas, médicos, pessoas comuns e afins, e tudo convivendo em relativa paz.

A Linha 4 Amarela vai ligar a Vila Sônia, quase em Taboão da Serra, à Luz, que recebe a CPTM de todos os lados, até de Jundiaí, Franco da Rocha, Francisco Morato, Pirituba, Penha, São Miguel e demais periferias, e isso não foi motivo de protesto. As estações ficariam a menos de 650 metros uma da outra, quando isso é uma imbecilidade. Todas as estações atuais de São Paulo tem em média um quilômetro entre elas. Aí ninguém faz protesto na proibição da estação que ficaria entre a Butantã e a Vila Sônia, sendo que rolou um abaixo-assinado ali também para proibir o local e que deixou a linha amarela como a que tem as estações mais distantes de todo o mapa metroviário da capital.

Eu apóio (tem acento?) a construção da estação que vai ficar na Av. Jorn. Roberto Marinho, a três quarteirões de casa. Ela vai sair do Capão Redondo, passar pelo Largo 13, pelo Ibirapuera e vai terminar na Chác. Klabin. Vou achar ótimo.

Tem sim uma elite rica ali em Higienópolis que gosta do bairro como ele é, calmo, aconchegante e limpo. Mas isso não é motivo para uma notícia insuflar o ódio contra essa elite. Tem muito judeu e outras etnias ali que passaram fome em tempos de outrora e trabalharam de sol a sol até conseguirem por mérito e merecimento puro o diereito de estar ali. Gente que trabalha e pega metrô também. Gente que enriqueceu trabalhando. Falo porque conheço!

Agora, um bando de desocupados que se diz gente diferenciada, que faz churrasco de gato e farofa na rua, vai protestar contra isso, causando mesmo. Tinham de protestar contra a prima-dona que falou isso e contra o jornalista tendencioso que propagou o disparate. Essa gente que queima catraca é a mesma que estuda em faculdade particular e que passa férias em Paris, e quer protestar contra a elite. Não sabem o que é ser pobre, não sabem o que é viver com um salário mínimo, não sabem o que é fazer compras no Futurama ou no Dia porque o Pão de Açúcar é caro. Nunca comeram churrasco grego, nunca jogaram bola na várzea, nunca sentaram no chão para almoçar com o pedreiro que constrói a sua casa, nunca deram bom dia para o ascensorista do prédio do escritório.

Aí, por causa de uma beócia e de dez boçais, causa-se isso, um flash-mob sem sentido, só pelo prazer da agitação. E ainda tem gente que acha bonito esse comunismo de manual, comunismo de mesa de bar, que segrega as pessoas separando a elite dos pobres quando a realidade é bem diferente. E pior ainda, gente que ama esse legado que o ex-presidente que era do povo e agora dá tapinha nas costas dos ricos, porque sabe que é importante agradar a elite. Gente que diz que tem orgulho de levar o filho para “estrear como cidadão” protestando sem nem saber as reais razões, e deixando um pré-adolescente achar lindo protestar por protestar. Ora, eu fiz minha estreia no mundo como cidadão quando aos nove anos de idade devolvi a carteira de um senhor que deixou cair na calçada em frente ao colégio e ainda o ajudei a atravessar a rua visto a dificuldade dele em caminhar, lembro como se fosse ontem. Isso foi em Araraquara. Ganhei um saquinho de pipoca dele como recompensa, uma das melhores pipocas que já comi. Isso é ser cidadão, é ajudar os outros, não é discriminar quem discrimina. Por isso que o mundo está chato como está.

Mas já falei demais. Leiam o texto aqui. É longo, mas valae cada linha. E é bem melhor que o meu, garanto.

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Detalhes…

SÃO PAULO (questão de estilo) – Um comparativo entre as voltas de Vettel e Webber na classificação, respectivamente primeiro e segundo. Dá pra perceber porque um é mais rápido que outro tendo carros iguais: estilo de pilotagem.

Em algumas revistas eu lembro de comparativos assim em curvas, feitas com fotos sobrepostas, dava pra ver claramente a linha entre dois pilotos (se não me engano, com Kimi Raikkonem e Felipe Massa, na Ferrari), onde um era mais agressivo e outro mais técnico. Isso dá os tais 400 milésimos, quase 3 metros de diferença. A 300 km/h, isso é muita coisa.

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Banho turco (2)

SÃO PAULO (profético) – E Vettel deu um banho na turquia, mesmo. Liderou 57 das 58 voltas, saiu em primeiro e lá mesmo chegou. O alemãozinho, sem dúvida, caminha a passos largos para garantir o bicampeonato. Sim, é cedo para dizer e ainda tem muito campeonato pela frente, mas nessa tocada o resultado não vai ser muito diferente. E veremos o domínio de mais um alemão na Fórmula 1. Torço por ele, bastante. É um cara simpático, divertido, não deixou o sucesso subir à cabeça (ainda), comemora gritando, é meio moleque ainda, batiza seus carros com nomes de mulher… um fenômeno!

Com essa vitória, a 13ª na carreira Vettel entra na lista dos top 20 da história. Isso com apenas 23 anos de idade, depois de ter estrado aos 29. O campeão mais jovem da história da F1 ganhou 93 pontos de 100 possíveis até o momento, em 2011. Ontem andou com tranquilidade, só se divertindo um pouco mais quando teve de passar os retardatários (única vez que usou a asa móvel, porque como anda sempre na frente, nunca tem oportunidade de usar). Em suma, passeou na Turquia. Mas isso não significa que a corrida tenha sido chata, pelo contrário.

A tríade DRS + KERS + pneus fez a festa dos espectadores, aliado à sanha dos pilotos. Teve roda com roda, bico voando, ultrapassagem tripla, disputas acaloradas e até uns xingamentos. Webber X Alonso nas últimas voltas foi um duelo dos mais interessantes, com vantagem para o australiano, que largou mal, sendo superado por Rosberg.

Schumacher, que anda meio irritado e sem muita alegria para correr (segundo ele mesmo), achou Petrov nas primeiras voltas e perdeu um tempo a mais nos boxes para trocar o bico. Depois teve Hamilton x Button e Alonso x Rosberg, com Massa chegando na turma logo depois.

E Hamilton entrou nos boxes ao mesmo tempo que Alonso, e ambos disputaram a saída quase se tocando. Mais tarde, Massa e Rosberg protagonizaram um duelo que valeu o ingresso. Já pode entrar para o clipe oficial desse ano. O brasileiro ameaçou umas vezes, passou, tomou o troco, trocaram borracha nuns toques, dividiram curvas e fritaram pneus até Massa garantir a posição, trazendo Button na cola, que aproveitou a brecha para superar Rosberg. Animal!

Os equipamentos e traquitanas deixaram o ato de ultrapassar meio banal, mas está divertidíssimo de ver. Pelo menos não é como na Indy, que não deixa o piloto que está sendo ultrapassado se defender (está no regulamento).

Mas, resumindo a prova, quem supreendeu foi Alonso, que chegou em terceiro. Ninguém esperava. O primeiro pódio da temporada para a Ferrari. O ritmo de prova foi muito bom para quem penou para se acertar nos treinos. Mas a Ferrari ainda é a velha Ferrari. Conseguiu se atrapalhar como sempre nos pit-stops, que custaram uma melhor performance de Massa.

Button também fez uma estratégia errada, com uma parada a menos, e ficou se arrastando na pista com pneus mais carecas que eu. Schumacher, 12º, se perdeu em algum momento e se limitou a completar a prova, vendo Rosberg garantir uns pontos para a Mercedes com o 5º.

Hamilton fez o que pôde, mas dessa vez não foi páreo para as Red Bull. As Renault tiveram problemas com o consumo de combustível e limitaram a performance de Heidfeld e Petrov. Buemi, sempre discreto, chegou comendo pelas beiradas e acabou num ótimo 9º lugar.

E o destaque da prova vai para o mito Kamui Kobayashi, que largou em último e chegou em 10º. Se divertindo como nunca, Koba-san veio escalando o pelotão com a audácia que lhe é peculiar. Só não marcou mais pontos porque teve um atrito com Buemi, perdendo tempo. Palmas para ele!

E Barrichello, coitado, depois de classificar a Williams num suado 11º lugar, finalizou em 15º, lutando como um espartano para terminar a prova. É o pior início de temporada na história do time de Grove, com zero ponto em quatro corridas. Aí não há muito o que falar…

Daqui a três semanas, a prova será em um dos palcos mais tradicionais e charmosos da F1: Mônaco. O principado encravado na França, numa das regiões mais belas do mundo, a Côte-d’Azur, recebe o circo e com uma importante informação. A asa móvel será utilizada na pista de rua, o que vai proporcionar uma dose extra de emoção, com os guard-rails ficando mais perto do que de costume. Antes disso, dia 22 de maio, a Fórmula 1 desembarca em Montmeló para o GP da Espanha, na pista que fica pertinho de Barcelona.

Confira a classificação do GP da Turquia:

1º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1h30min17s558 (58 voltas)
2º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 8,8s (58)
3º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 10s (58)
4º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 40,2s (58)
5º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 47,5s (58)
6º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 59,4s (58 )
7º. Nick Heidfeld (ALE/Lotus Renault), a 60,8s (58)
8º. Vitaly Petrov (RUS/Lotus Renault), a 68,1s (58)
9º. Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 69,3s (58)
10º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 78s (58)
11º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 79,8s (58)
12º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 85,4s (58)
13º. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 1 volta (57)
14º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 1 volta (57)
15º. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 1 volta (57)
16º. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta (57)
17º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth), a 1 volta (57)
18º. Jarno Trulli (ITA/Team Lotus-Renault), a 1 volta (57)
19º. Heikki Kovalainen (FIN/Team Lotus-Renault), a 2 voltas (56)
20º. Jérôme D’Ambrosio (BEL/Marussia Virgin-Cosworth), a 2 voltas (56)
21º. Narain Karthikeyan (IND/Hispania-Cosworth), a 3 voltas (55)
22º. Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth), a 5 voltas (53)
23º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 14 voltas (44)
24º. Timo Glock (ALE/Marussia Virgin-Cosworth), abandonou

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Futebol no parque

SÃO PAULO (pelada profissa…) – Da F1 de volta para o futebol. Alguns amigos mais chegados sabem que curto camisas de futebol. Mas gosto muito mesmo. Tenho até uma pequena coleção (cerca de 30, se contar do jeito que o Romário contou os gols dele) de camisas de clubes do Brasil e exterior. Até uma vez, quando trabalhei com isso, flagrei um “vazamento” de um modelo antes do lançamento oficial, coisa que nos obrigou a agir rápido para manter o ar de novidade.

E esse assunto é bem legal, sempre tem uns aficcionados no meio. Tem até encontro de “camiseiros”, normalmente no Museu do Futebol aqui em SP, no Pacaembu, mas infelizmente nunca fui; sempre tenho vontade mas algum compromisso atrapalha.

Pois bem, essa enrolação toda aqui neste post é para falar de um lançamento de uma camisa feita de uma maneira muito legal. A Adidas, que fornece material para o Ajax (Holanda) desde 2008, se não me engano, fez um comercial muito interessante, com participação dos jogadores do elenco profissional do clube. A camisa “away”, azul clara, foi lançada num parque de Amsterdan enquanto pessoas jogavam uma pelada. Aí os jogadores iam chegando, organizavam o joguinho e depois trocavam camisas com os torcedores e demais pessoas comuns que ali estavam participando da brincadeira.

Não é a primeira vez que o clube holandês lança uma camisa interagindo com o público – em 2008 o lançamento foi numa praça – mas mesmo assim o filmete rodado no parque ficou bem legal.  Ponto para a Adidas.

Veja o vídeo abaixo:

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Banho turco

SÃO PAULO (tá dominado) – Depois de quase três semanas de folga, a Fórmula 1 voltou à ativa, desta vez na Turquia.  E nos treinos classificatórios, deu Vettel de novo, que cravou a quarta pole em quatro provas, a 19ª da carreira. Mais uma e entra na lista dos Dez Mais da F1 nesse quesito. Já está ficando chato para os rivais. E isso porque, segundo a equipe, o carro ainda não atingiu seu potencial máximo, ou seja, vão continuar dominando quando quiserem.

Sebastian bateu no treino 1 de sexta, forçou um pouco mais na chuva, colocou uma roda fora da zebra e estampou o muro com vontade. Seu Red Bull não ficou pronto para o treino 2 e o alemão perdeu duas horas de pista. Não fez diferença alguma. Quando era pra valer, ele saiu, cravou a pole e está bom. Simples assim. Webber sai logo atrás, mas com quase meio segundo de distância, o final de semana tende a ser de Vettel. Só não foi completo na China por conta dos pneus, que Hamilton administrou melhor e levou a vitória. Mas ainda precisa combinar com Webber para que ninguém vá como um boi louco disputar posição, como aconteceu ano passado onde os dois pilotos se bateram e depois disseram um “shit happens” de sorriso amarelo.

Por falar em McLaren, a única equipe que pode assustar a Red Bull larga em 4º e 6º com Lewis e Jenson, respectivamente. Button liderou o último treino na ausência de Vettel e é uma aposta para um pódio na prova.

Legal ver que a Mercedes passou a Ferrari como a terceira força. O time de Maranello ainda não saiu da má fase. Irregular, a equipe não inspira confiança em Massa (igualmente irregular) e em Alonso (que reclama demais). O bom é que Felipe terminou duas provas à frente de Fernando. Mas no Q3 ele nem marcou tempo e vai largar em 10º; preferiu abortar a volta para poupar pneus pensando na prova, numa demonstração de falta de confiança no equipamento. Massa, conhecido como o “rei de Istambul” por suas

Enquanto isso a Mercedes pôs Rosberg no 3ºposto do grid. Schumacher, que chegou a andar entre os primeiros nos treinos e muito perto de Vettel, foi só o 8º, mas pode comemorar o fato de ter passado pela primeira vez ao Q3 nesse ano. Mas a Mercedes tem mais lenha para queimar nessa corrida, só precisa ser consistente. Não será nenhuma surpresa se Nico beliscar o pódio.

As Renault fizeram um alarde nas primeiras provas, mas agora já voltaram ao normal. O fato é que as outras equipes (de cima) estão evoluindo num ritmo mais rápido. Na Turquia vão brigar por pontos e só. Petrov mostrou seu lado inconstante que o acompanhou ano passado e Heidfeld faz o que pode para deixar a equipe sentir menos saudade de Kubica.

Koba-mito, com um problema na bomba de gasolina de sua Sauber, nem marcou tempo. Não conseguiu entrar na pista e fecha o grid lá atrás. Vai ter de tirar uns coelhos da cartola e usar seu arrojo para ultrapassar meio mundo se quiser pontuar. Será no mínimo divertido para Kobayashi. E Sérgio Pérez foi só o 15º, discretíssimo. Terão algumas chances de almejar melhores posições pela equipe ser a que melhor sabe economizar pneus, e aí pode morar o trunfo de Peter Sauber.

As Force India poderiam ter ido melhor e ter passado ao Q3, mas ficaram na segunda degola. A equipe da terra de Ghandi é constante e quebra pouco em corridas, também pode aparecer nos pontos se fizer um bom trabalho.

Quem vai ter trabalho é a Williams. Barrichello está tirando leite de pedra com o carro que tem, fraco. Conseguiu um excelente 11º lugar. Se escapar do bolo na largada e o carro aguentar, Rubens tem chances de surpreender e brigar por mais pontos para a equipe do que os minguados que vem fazendo. Maldonado só trouxe o dinheiro, o talento aparece só de vez em quando, e parece que em Istambul, vai ficar só na vontade. Ainda bem que Frank Williams tem Barrichello para salvar a lavoura.

Reginaldo Leme, repórter e comentarista da Globo, disse durante o treino que a Williams acertou com a Renault para o ano que vem para fornecer o motor, uma novidade. No final do ano passado saiu um rumor que era para isso acontecer já em 2011. Boa notícia para a Williams, que patina com o motor Cosworth, meio fraco. A se confirmar a notícia, a Renault será fornecedora de quatro times em 2012: Lotus, Williams, Red Bull e ela mesma.

E lá atrás, nada fora do convencional. As Lotus andando bem na frente das Virgin e das Hispania, mas longe da Toro Rosso, que brigam com Sauber, Force India e Williams. Liuzzi também transpira sangue, mas consegue fazer a Hispania andar mais que a Virgin, um feito e tanto. E a equipe de Richard Branson começou com uma atitude rock’n’roll, sendo a mais simpática e tals, mas está caindo na vala comum dos times ruins. Além disso, está enterrando a carreira de Glock, um excelente piloto que merecia mais do que esse carro que lhe oferecem.

Pelo andar da carruagem, dá Vettel de novo em primeiro. Em segundo, ou Webber ou Hamilton. Em terceiro, uma McLaren ou uma Mercedes. Vamos ver… mas a prova promete!

Confira o grid do GP da Turquia:

1º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min25s049 (12 voltas)
2º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min25s454 (10)
3º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min25s574 (15 )
4º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min25s595 (13)
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min25s851 (16)
6º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min25s982 (14)
7º. Vitaly Petrov (RUS/Lotus Renault), 1min26s296 (15)
8º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min26s646 (13)
9º. Nick Heidfeld (ALE/Lotus Renault), 1min26s659 (13)
10º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), sem tempo (16)*

11º. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), 1min26s764 (10)
12º. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), 1min27s027 (14)
13º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 1min27s145 (11)
14º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth), 1min27s236 (14)
15º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), 1min27s244 (11)
16º. Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), 1min27s255 (9)
17º. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), 1min27s572 (7)

18º. Heikki Kovalainen (FIN/Team Lotus-Renault), 1min28s780 (8)
19º. Jarno Trulli (ITA/Team Lotus-Renault), 1min29s673 (8)
20º. Jérôme D’Ambrosio (BEL/Marussia Virgin-Cosworth), 1min30s445 (8)
21º. Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth), 1min30s692 (7)
22º. Timo Glock (ALE/Marussia Virgin-Cosworth), 1min30s813 (8)
23º. Narain Karthikeyan (IND/Hispania-Cosworth), 1min31s564 (8)
24º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), sem tempo (2)

*No Q2, o tempo de Massa foi de 1min26s395

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