Beócios vs. Boçais

BARREIRAS/ BA(terra quente) Mais um tempo afastado deste blog por motivos trabalhistas, mas vamos lá. Para inaugurar o primeiro post interestadual, vou falar de… São Paulo. Depois, quando eu encerrar minha viagem, falo desse pedaço lindo de Brasil aqui.

Estava acompanhando umas notícias sobre aqueles protestos do povo dito “diferenciado” contra a suspensão da construção da estação (quanto “ão”) do metrô na Av. Angélica, no coração de Higienópolis. Coloco mais abaixo um texto de um colunista da Veja que retrata muito bem o que penso sobre o assunto.

Primeiro, uns boçais falaram umas besteiras e os jornalistas “manicacas” (quem é da aviação conhece o termo. Se não conhece, dê um google) compram a ideia de meia-dúzia (sem referências ao Palmeiras) como se fosse a opinião do bairro todo. Absurdo a falta de profissionalismo de alguns colegas, que preferem vender o que dá mais audiência para o jornal do que praticar o imparcialismo, que deveria ser o guia-mor da profissão.

Ora, estudei no Mackenzie por quatro anos, que fica na boca de Higienópolis. Quando estava na faculdade, fizemos uma matéria grande para nosso jornal-laboratório sobre a futura estação Higienópolis-Mackenzie. Na época ninguém protestou contra a estação ali, pelo contrário, o apoio foi maciço. O Mackenzie por si só atrai muito mais gente “diferenciada” para a região do que aconteceria com a estação da Linha 6 Laranja ali no meio, que vai vir do Brasilândia até a São Joaquim. Ao redor da Universidade tem de tudo, mendigos, engenheiros, hippies, executivos, artistas de rua, atores e apresentadores, transgêneros, jogadores de futebol, prostitutas, médicos, pessoas comuns e afins, e tudo convivendo em relativa paz.

A Linha 4 Amarela vai ligar a Vila Sônia, quase em Taboão da Serra, à Luz, que recebe a CPTM de todos os lados, até de Jundiaí, Franco da Rocha, Francisco Morato, Pirituba, Penha, São Miguel e demais periferias, e isso não foi motivo de protesto. As estações ficariam a menos de 650 metros uma da outra, quando isso é uma imbecilidade. Todas as estações atuais de São Paulo tem em média um quilômetro entre elas. Aí ninguém faz protesto na proibição da estação que ficaria entre a Butantã e a Vila Sônia, sendo que rolou um abaixo-assinado ali também para proibir o local e que deixou a linha amarela como a que tem as estações mais distantes de todo o mapa metroviário da capital.

Eu apóio (tem acento?) a construção da estação que vai ficar na Av. Jorn. Roberto Marinho, a três quarteirões de casa. Ela vai sair do Capão Redondo, passar pelo Largo 13, pelo Ibirapuera e vai terminar na Chác. Klabin. Vou achar ótimo.

Tem sim uma elite rica ali em Higienópolis que gosta do bairro como ele é, calmo, aconchegante e limpo. Mas isso não é motivo para uma notícia insuflar o ódio contra essa elite. Tem muito judeu e outras etnias ali que passaram fome em tempos de outrora e trabalharam de sol a sol até conseguirem por mérito e merecimento puro o diereito de estar ali. Gente que trabalha e pega metrô também. Gente que enriqueceu trabalhando. Falo porque conheço!

Agora, um bando de desocupados que se diz gente diferenciada, que faz churrasco de gato e farofa na rua, vai protestar contra isso, causando mesmo. Tinham de protestar contra a prima-dona que falou isso e contra o jornalista tendencioso que propagou o disparate. Essa gente que queima catraca é a mesma que estuda em faculdade particular e que passa férias em Paris, e quer protestar contra a elite. Não sabem o que é ser pobre, não sabem o que é viver com um salário mínimo, não sabem o que é fazer compras no Futurama ou no Dia porque o Pão de Açúcar é caro. Nunca comeram churrasco grego, nunca jogaram bola na várzea, nunca sentaram no chão para almoçar com o pedreiro que constrói a sua casa, nunca deram bom dia para o ascensorista do prédio do escritório.

Aí, por causa de uma beócia e de dez boçais, causa-se isso, um flash-mob sem sentido, só pelo prazer da agitação. E ainda tem gente que acha bonito esse comunismo de manual, comunismo de mesa de bar, que segrega as pessoas separando a elite dos pobres quando a realidade é bem diferente. E pior ainda, gente que ama esse legado que o ex-presidente que era do povo e agora dá tapinha nas costas dos ricos, porque sabe que é importante agradar a elite. Gente que diz que tem orgulho de levar o filho para “estrear como cidadão” protestando sem nem saber as reais razões, e deixando um pré-adolescente achar lindo protestar por protestar. Ora, eu fiz minha estreia no mundo como cidadão quando aos nove anos de idade devolvi a carteira de um senhor que deixou cair na calçada em frente ao colégio e ainda o ajudei a atravessar a rua visto a dificuldade dele em caminhar, lembro como se fosse ontem. Isso foi em Araraquara. Ganhei um saquinho de pipoca dele como recompensa, uma das melhores pipocas que já comi. Isso é ser cidadão, é ajudar os outros, não é discriminar quem discrimina. Por isso que o mundo está chato como está.

Mas já falei demais. Leiam o texto aqui. É longo, mas valae cada linha. E é bem melhor que o meu, garanto.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em generalidades

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s