500 Milhas de Indianapolis, 100 anos e mil histórias

SÃO PAULO (unbelievable) – E depois tem gente que diz que automobilismo é chato… Em 2011 a prova mais tradicional do mundo do automobilismo comemora seus 100 anos. E como convém, a história é escrita de forma grandiosa, com personagens épicos, histórias reais gravadas com suor e sangue, com trajetórias de uma vida toda de trabalho que se encontram naquele lugar para sua apoteose, e outras trajetórias que ali nascem por algo de místico que acontece com esses lugares abençoados.

São 100 anos bem celebrados. Com uma corrida que nem em roteiro de filme seria tão bem escrita. São 500 milhas, ou, precisamente, 804.672 metros, num total de 200 voltas, com 4 curvas cada (800 curvas, portanto), num circuito oval – na verdade, retangular – que conserva uma histórica faixa de tijolos de sua pavimentação original na linha de chegada.

Pois bem. Nessas 500 milhas, o filme começa uma semana antes, com os treinos livres e classificatórios. Na Indy, segundo as regras (que eu discordo totalmente), quem se classifica é o carro, não o piloto. Foi o que aconteceu com Bruno Junqueira, piloto mineiro (fiz assessoria dele em 2010, na F-Truck) que está meio parado atualmente e foi lá só para correr a prova histórica, mas ficou só na saudade.

O mineiro acelerou e classificou um carro da AJ Foyt em 19º no grid, mas  Michael Andretti, que quis ser sabichão e foi incompetente, inscreveu um monte de carros e não classificou todo mundo porque dependia de Tony Kanaan para acertá-los. Daí foi lá e comprou a vaga por meio milhão de dólares, pondo Ryan Hunter-Reay no carro que o brasileiro classificou. É cruel? É. Ainda mais para o pobre Bruno, que passa pela mesma situação pela segunda vez em três anos. Se as regras permitem, fazer o quê? É até normal colocar um outro piloto da mesma equipe naquela vaga, mas de outra equipe, não me lembro de precedentes.

Mas vamos lá. Eis que o estreante em 500 milhas JR Hildebrand me aparece como líder da prova faltando poucas voltas para o fim. Situação dramática pela  estratégia arriscada, que poderia deixá-lo sem combustível para completar a prova. Era só sua  7ª corrida, sendo que seu melhor resultado fora um 10º lugar em São Paulo pouco menos de um mês antes. Em alguns minutos, a zebra passaria a fazer parte da história, iria levar uns milhões para casa, subiria no alambrado, beberia leite no pódio e ganharia um anel comemorativo igual aos três de Helio Castroneves. Mas Hildebrand só entrou para a história.

A vitória caiu no colo do birtânico Dan Wheldon, vencedor da Indy 500 em 2005 e que meses antes havia sido defenestrado da equipe Panther para dar lugar a… Hildebrand. Dan só conseguiu arrumar dinheiro e a vaga para correr esta prova apenas, quando o imponderável apareceu no templo sagrado do automobilismo estadunidense.

Já no cheiro do combustível, Hildebrand, que havia completado 799 curvas certas, pegou um retardatário antes da derradeira 800ª curva que lhe mostraria a bandeira quadriculada. E aí o rapaz quis passar por fora, caiu na sujeira da pista e achou o muro. Inacreditável. Na última curva da última volta, o cara bate no muro.

Wheldon vinha em segundo (terminou as últimas duas 500 Milhas nessa mesma posição) e acelerando, e não acreditou no que via. Mas conseguiu passar e receber a bandeirada em primeiro. Hildebrand, mesmo com 3 rodas, percebeu que ainda tinha alguma tração e, aproveitando a inércia, acelerou o resto do carro, se arrastando contra o muro para chegar em segundo.

O inglês, mesmo desempregado, ria de nervoso com a vitória que o deixava alguns milhões mais rico (novamente). Já o americano, chorava inconsolável pela oportunidade perdida, ainda tendo a temporada toda pela frente. Well done, Wheldon!

Um dia para entrar na história. Veja abaixo o vídeo da última volta. Sensacional!

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Arquivado em automobilismo, generalidades, Indy

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