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SÃO PAULO (cerebral) – Antes de se completar o primeiro terço da temporada 2011 da F1, afirmei aqui que Vettel caminhava a passos largos para o bicampeonato. Pois bem, continuo afirmando isso. Sebastian já tem uma mão na taça, mas tem outros braços bem esticados logo atrás dele, tentando chegar. E o tedesco não terá vida fácil até dezembro…

A Red Bull marcou outra pole, mas não se mostra mais a força dominante dos fins de semana. Newey, o gênio das pranchetas, já está se mexendo para devolver a soberania aos carros rubrotaurinos, tendo em vista a evolução da McLaren e os lampejos da Ferrari (com Alonso), que estão roubando uns pontinhos. Pois foi o que aconteceu no GP húngaro. Que aliás, foi bem agitado, diferentemente das últimas corridas meio modorrentas. Foi a segunda vez na história que um GP em Mogyoród aconteceu com pista molhada. O outro foi aquele de 2006 que Button ganhou. O cara está virando um mago, que faz chover e tudo.

A começar pela chuva, que deixou as disputas mais divertidas e os pilotos guiando no fio da navalha naquela posta estreita e suja. Os escorregões já deram as caras na largada, onde só se deu bem quem largou do lado de fora, na borracha. Massa, que pela primeira vez teve o gostinho de largar na frente de Alonso, não foi bem na prova e perdeu algumas posições nos boxes, além de rodar sozinho no molhado. O ponto alto foram as ultrapassagens – só em cima de Rosberg foram três, mas perdeu tempo na pista e foi ficando para trás. Até agora Felipe vem levando uma sova de seu companheiro e vai cada vez mais se apagando no papel de segundo piloto. Parece que falta um pouco de personalidade. E isso é o que sobra entre os dois pilotos da McLaren.

Pudemos ver mais uma belíssima disputa entre Hamilton e Button logo no começo, e depois no meio, e depois no fim também. O time de Woking liberou a briga entre dois campeões do mundo, algo que claramente lembra Senna X Prost, e eles, ao contrário e Webber e Vettel, não costumam se bater (às vezes arranca um pedaço de carro). E Button, cerebral que é, tirou um pouco o pé e deixou Hamilton se esgoelar na corrida. E Lewis, depois de tomar umas broncas federais de todo mundo, parece que aprumou a cabeça e pensa um pouco mais antes de mergulhar nas ultrapassagens, mas sem deixar de ser agressivo. Melhorou muito não sendo mais o “boi louco” que era no primeiro terço da temporada.

Mas com cinco paradas e mais um drive-through, Lewis viu suas chances de pódio diminuírem antes do final da corrida. O quarto lugar foi excelente para ele. E melhor ainda para o líder Vettel que não vence há quatro provas e vê sua diferença para Webber aumentar com esse segundo lugar. Alonso, em terceiro no pódio e quarto na tabela, já ameaça incomodar, com três pontos de diferença para o australiano, que resolveu colocar pneus intermediários quando a pista estava apenas úmida e duas voltas depois parou de novo para voltar de slicks, um erro imperdoável.

E Jenson, um gentleman guiando, comemorou 200 GPs com a champagne da vitória. Numa corrida espetacular, sem erros, com estratégia perfeita, tempos de volta consistentes, agressivo quando necessário e com seu talento inigualável para conservar a borracha, venceu com autoridade sua segunda prova em 2011, embolando a briga pelo vice campeonato. E se der Button em segundo, será merecidíssimo pelo que vem guiando; de tirar o chapéu.

Alguns destaques da prova húngara:

– A Renault de Quick Nick explodindo. A escuderia já está cozinhando o alemão em banho-maria e é quase certo que irá fritá-lo para o ano que vem por não ser o líder que se esperava dele, mas não precisava flambar o rapaz. O fogo estranho consumindo o carro na saída dos boxes proporcionou uns momentos de adrenalina. E o carro sendo rebocado na contra-mão quando Vettel estava saindo dos boxes quase virou cena de pastelão. Imagine se fosse no Brasil…

– Hamilton errou, rodou e viu o mundo ao contrário. Só que resolveu fazer aquela manobra de 180 graus no meio da pista, quando mais pilotos passavam por ele. Se Sutil não se joga para fora seria abalroado pelo inglês, fora os outros desviando do maluco. Rubinho escapou por pouco.

– Paul Di Resta, de Force India, terminando em sétimo. Vijay Mallya até agora vem se provando um forte concorrente a líder da terceira força na categoria. Seus dois pilotos são talentosos e o escocês vem surpreendendo a cada prova. Di Resta andou melhor que Sutil e tem potencial para evoluir mais ainda, vide suas temporadas na GP2.

– Buemi largou lá atrás em penúltimo e veio passando todo mundo, chegando em oitavo. Na raça! A Toro Rosso também está bem servida de pilotos. Não aparecem muito, mas são pelo menos são eficientes. Alguersuari fechou a zona de pontos.

– Schumacher liderou a prova por poucas voltas, foi legal rever o heptacampeão na frente depois de tanto tempo. O queixudo ainda está se achando nesse retorno, mas o lugar dele é ali na frente mesmo. Só que quebrou o câmbio e teve de parar, triste fim de prova.

– Kobayashi não deu seu show costumeiro, mas também não vendeu barato as ultrapassagens em cima dele. Foi só o 11º. O japonês e Pérez formam uma dupla enjoadinha, méritos de Peter Sauber e seu olho clínico para descobrir talentos. Se tivessem um carro melhozinho, assustariam mais os figurões da categoria.

– Barrichello sofre. E já se cogitam limá-lo da Williams ano que vem. Rubens não está nada satisfeito em ser piloto de testes nos GPs e exige umas melhoras no carro, que podem não vir. Maldonado está garantido pelos petrodólares (ou petrobolívares) e pode ter Sutil ou Hulkenberg como companheiro. O brasileiro ainda tem mercado na F1, é ótimo piloto e tem lenha para queimar, mas a dança das cadeiras será curta. Talvez sobre uma Force India para ele, o que a essa altura é melhor que a Williams. A ver.

– Jérôme D’Ambrosio, da Virgin, protagonizou uma cena que eu jamais vi, perdendo o controle do carro nos boxes. Na hora de frear para sua parada, errou o ponto e veio rodando, deixando os mecânicos apavorados, muito deles correndo a salvo para a garagem e depois voltando para arrumar o carro na posição certa da troca de pneus. Coisa de amador, mesmo.

– Números: juntos, os 24 pilotos fizeram 85 paradas nos boxes, recorde desta temporada. Os pilotos que mais fizeram pit-stops foram Lewis Hamilton, Rubens Barrichello, Pastor Maldonado, Vitantonio Liuzzi e Heikki Kovalainen, com cinco. Hamilton, Perez e Maldonado ainda tiveram um drive-through cada um pelo retorno perigoso, ultrapassagem em bandeira amarela e excesso de velocidade nos boxes, respectivamente, mas isso não conta como parada para troca.

Resultado do GP da Hungria:

1º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 70 voltas em 1h46min42s337
2º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 3s5
3º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 19s8
4º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 48s3
5º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 49s7
6º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 83s1
7º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 1 volta
8º. Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
9º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 1 volta
10º. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
11º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 1 volta
12º. Vitaly Petrov (RUS/Lotus Renault), a 1 volta
13º. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 2 voltas
14º. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 2 voltas
15º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 2 voltas
16º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth), a 2 voltas
17º. Timo Glock (ALE/Marussia Virgin-Cosworth), a 4 voltas
18º. Daniel Ricciardo (AUS/Hispania-Cosworth), a 4 voltas
19º. Jérôme D’Ambrosio (BEL/Marussia Virgin-Cosworth), a 5 voltas
20º. Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth), a 5 voltas

Não completaram:

Heikki Kovalainen (FIN/Team Lotus-Renault)
Michael Schumacher (ALE/Mercedes)
Nick Heidfeld (ALE/Lotus Renault)
Jarno Trulli (ITA/Team Lotus-Renault)

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