Dois homens entram, um homem sai

Bruno Senna assina com a Williams para a temporada 2012 da Fórmula 1

São Paulo (Fim de uma era?) – Bruno Senna assina com a Williams para a temporada 2012 da Fórmula 1. E, guardadas as proporções, 18 anos depois teremos um déjà-vu com um capacete amarelo num carro azul, claro que bem diferente dessa vez, do que aquele fatídico 1º de maio de 1994 em Ímola.

A notícia, que o competentíssimo Victor Martins publicou em seu blog e logo depois saiu no Grande Prêmio (e na Folha, e no Globo Esporte, e vai pipocando de site em site), sela o fim de uma era na categoria: Rubens Barrichello, após 19 anos, está na iminência de pendurar o capacete, salvo se acertar com a Hispania – o que seria um retrocesso estrondoso e o faria sair mais do que nunca pela porta dos fundos – ou se for chamado de última hora para substiruir algum piloto com febre ou com uma perna quebrada – o que também não lhe seria recomendável e nem digno.

Fato é que Bruno conseguiu sua vaga pelos patrocínios de Eike Batista, através de sua empresa petrolífera OGX, da Embratel e da Gilette, que deram os milhões necessários para que a Williams respirasse mais aliviada, o que é triste pela história da equipe. O bilionário mecenas já havia anunciado dias atrás via twitter que Senna correria na Williams, o que Bruno tratou de amenizar falando que negociava com a Lotus para ser reserva e andar nas sextas-feiras etc.

E Rubens bem que tentou correr atrás, quase do mesmo jeito que em 2009, quando dormiu na porta da fábrica e foi escolhido por Ross Brawn, que bateu o pé para o brasileiro defender o time – que seria campeão naquele ano – quando ele já tinha sido limado pela cúpula da Honda, que preferia… Bruno!

Mas não deu para Rubens. Pesou a favor do Senna-sobrinho que ele tem mais apelo publicitário e, teoricamente por ser mais jovem, tenha mais chances de evoluir e buscar uns pontos para o time de Grove, além da grana à tiracolo.

O anúncio é excelente para Bruno, que agora se firma na F1 (pelo menos nesse ano) depois de ter começado numa carroça chamada Hispania e de ter feito oito GPs irregulares pela Renault-Lotus – os dois primeiros ótimos e depois sumiu. Agora terá um tempo a mais para mostrar o que sabe.

Para Rubens, isso praticamente sela sua passagem de longos 19 anos pela F1, que lhe deu tudo, que ele ama, mas que quem está nela já não o ama mais. Por mais que ele diga que ainda tem lenha para queimar e em termos de pilotagem não deva nada a maioria do grid de 2012, talvez seja mesmo a hora de parar.

Nada irá apagar o brilho das vitórias, os vice-campeonatos, os números acumulados, a regularidade nos resultados, as belíssimas provas, o carisma, o respeito de todos – todos – do circo e da imensa maioria da imprensa mundial. Mas, visto que ninguém preza pelos seus serviços mais, é chegado o momento de deixar o palco onde brilhou para que os outros possam brilhar.

É triste, mas é a realidade do mundo, o velho sai para entrar o novo e assim segue a vida.

Depois do acidente de Senna, aprendemos a torcer para Rubens, que carregou (e aceitou carregar) o peso de ser um novo ídolo, o que nunca foi; talvez por isso tenha sido execrado pelos brasileiros pachecos que pateticamente desistiram de ver F1. Só houve um Ayrton e só existe um Rubens.

Como fã de Barrichello que sou, confesso que será no mínimo estranho não ver mais o nome dele no grid. Essa vaga não será preenchida tão cedo.

Rubens Barrichello ainda não acertou vaga na F1 e pode se despedir da categoria

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Arquivado em automobilismo, Automobilismo Brasileiro, Automobilismo Internacional, Formula 1

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