O futuro a Deus pertence

 

São Paulo (é o que tem para hoje) – Cada dia que passa parece mais que o ciclo do recordista de provas disputadas na Fórmula 1 está encerrado. Rubens Barrichello também dá sinais de que está se conformando com a ideia de que após 19 anos não irá mais sentar num cockpit para disputar uma corrida, o que soa um tanto quanto estranho. Ele mesmo disse que o futuro está em aberto, se tiver uma chance ele vai sorrir para ela e continuar porque é o que ama fazer e ama estar lá.

Mas o que resta é praticamente um milagre. A Hispania é a única equipe que ainda oferece uma chance, mas correr por correr não é – nunca foi – do feitio de Rubens. Seria uma despedida mais que melancólica assinar para correr tendo grandes chances de não terminar uma prova e, se terminar, ficar minutos e voltas atrás dos líderes, brigando com um carro que parece fadado ao fracasso.

Seria melhor que Barrichello aparecesse na prova de abertura desse ano, pedisse para dar a bandeirada, entregasse o troféu ao vencedor e roubasse a cena na Austrália como ex-piloto de F1 e fosse tocar a vida. E parece que isso se encaminha para um futuro um pouco mais favorável à reputação e ao nome construído desde 1993. Essa semana, a convite do amigo de longa data Tony Kanaan, Rubens foi dar umas voltas num carro da Fórmula Indy em Sebring, na Flórida (EUA).

Rubens testa carro da equipe KV Racing em Sebring, EUA

Rubens e Tony completaram 295 milhas em teste nesta segunda-feira (30) durante o treino dacategoria. Pilotando pela primeira vez o DW12, carro da equipe KV Racing onde Kanaan corre, Barrichello percorreu 155 milhas e ganhou elogios do “irmão”, que andou 140 milhas no primeiro dia de testes. Nesta terça-feira (31), os dois voltam a pilotar os carro #5 e #11, respectivamente, das 12h às 20h (horário de Brasília).

O que pode se tirar daí é que Barrichello, no ínicio a favor da esposa Silvana – contrária ao marido correr na Indy por conta da insegurança dos circuitos ovais, vai mudando de opinião e até vislumbra uma vaga na equipe do amigo, fazendo um caminho já percorrido com enorme sucesso por Emerson Fittipaldi e até Nigel Mansell, entre outros. E para a categoria seria ótimo ter um piloo do gabarito de Rubens em seus grids, mais que o contrário.

Vendo o sorriso de Rubens, pode-se dizer que claramente ele está realmente feliz com essa possiblidade, embora os olhos e a fala ainda demonstrem que ele sente muito a falta do ambiente onde esteve por uma vida. Rubinho ainda mantém a gana e uma grande parte dos reflexos necessários para continuar andando em alto nível por algum tempo apesar da idade. A experiência pode compensar isso.

Ele ainda quer a Fórmula 1, fato mais que compreensível. Todavia, nessa fase é melhor disputar alguma coisa sorrindo do que resmungando e sabendo que o fim será inevitável. Pois que antecipe esse fim e busque um recomeço onde se possa sorrir. E o futuro pode sorrir para Barrichello em outra Fórmula. Basta ele querer sorrir de volta.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em automobilismo, Automobilismo Brasileiro, Automobilismo Internacional, Formula 1, Indy

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s