Polegar opositor

São Paulo (ainda não é dessa vez) – Saiu uma notícia nada boa no globoesporte.com falando sobre Robert Kubica, o narigudo polonês que estava na Lotus quando sofreu o acidente que praticamente inutilizou seu braço direito quando corria de rali na Itália, em fevereiro do ano passado.

Segundo a nota, Jaime Alguersuari, o espanhol ex-piloto da Toro Rosso na F1 e que agora virou comentarista da rádio BBC da Inglaterra disse que Robert não consegue segurar um copo d’água sequer com o membro afetado. A recuperação está lenta demais devido à gravidade dos ferimentos. À época pensou-se inclusive na hipótese de amputação da mão direita do piloto.

Para a Fórmula 1, a carreira de Kubica acabou, o que era de se suspeitar desde o acidente. Trata-se de um piloto fantástico que veio de um país sem tradição no automobilismo, uma semente que brotou no meio das pedras e que tinha um enorme potencial de ser campeão do mundo. Era rápido e técnico, completo. É de se lamentar.

Falam que ele não deveria ter ido correr etc, mas ele sabia dos riscos, a equipe não impôs nenhuma regra e é sabido que todo piloto gosta de uma aventurazinha nas férias. Kimi Raikkonnen vive fazendo seus ralis por aí e destruiu alguns carros, Mark Webber quebrou uma perna andando de bicicleta e até Juan Pablo “El gordito” Montoya deu uma desculpa de que caiu jogando tênis para explicar um ombro deslocado quando se sabia que estava andando de moto. Acontece. Infelizmente acontece.

Carro de Robert Kubica com o guard-rail ainda atravessado por dentro

Kubica terá de ter muita força de vontade para recuperar os movimentos da mão a fim de tentar voltar a praticar seus dons em alguma categoria menos exigente que a Fórmula 1, que não demanda menos que 100% da capacidade técnica de seus pilotos.

É triste, mas acabou. Se o polegar dele voltar a segurar um volante com firmeza suficiente, será o melhor troféu que ele poderá receber nessa etapa da vida. Todos torcemos para ele possa se recobrar das sequelas e voltar a guiar alguma coisa, mas que nessa redescoberta do que fazer na vida ele possa ter calma. É complicado demais para qualquer um ter de repensar os planos, objetivos e sonhos, ainda mais sabendo que o você conseguia fazer de melhor já não é mais possível.

A maior luta agora é para consertar a cabeça. Essa sequela é a pior de todas.

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2 Comentários

Arquivado em automobilismo, Automobilismo Internacional, Formula 1, Jornalismo

2 Respostas para “Polegar opositor

  1. Eu tive uma lesão neuromotora acarretada por um AVE e sei o quanto é difícil essa readaptação, pois a vivo hoje. Verdade, consertar um braço ou perna é relativamente fácil em relação à cabeça!

    • Obrigado pelo comentário, Oswaldo. Minha irmã mais velha também sofreu um AVE e deixou algumas sequelas leves, mas também ficou mais impaciente, mais ansiosa, qualquer dor de cabeça ela assusta…. e a nossa cabeça também foi difícil de recuperar.
      Que Deus o acompanhe na sua recuperação!

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