Commonwealth of Australia (3)

São Paulo (like a boss) – E a Austrália marcou a abertura dos trabalhos de 2012 da F1 com cara de GP da Austrália. Uma corrida interessantíssima do começo ao fim, e que final. Valeu ter ficado acordado na madrugada para ver essa prova.

Jenson Button, o lorde, venceu magnificamente – pela 13ª na carreira e 3ª na terra do canguru, colocou Lewis Hamilton no bolso e mostrou que a McLaren tem grandes chances de ser o carro da vez. Pulou na frente na largada e da frente não saiu até ver a bandeira quadriculada depois de 58 giros pelo circuito de Albert Park, em Melbourne. E como guia esse rapaz, dá até raiva. Raiva que ficou estampada na cara de nojinho de Lewis quando recebeu seu troféu de terceiro lugar no pódio. Agora a equipe de Ron Dennis já mostra seus dentes à  Red Bull, que vai ter trabalho para segurar os prateados

Button celebra sua vitória magistral em Albert Park

A Red Bull já não está mais com essa bola toda, parece que o carro sem degrau no bico da McLaren é melhor que o projeto de Adrian Newey e sua misteriosa entrada de ar, mas Vettel comseguiu um ótimo segundo lugar, comemorado com verdadeira alegria porque o alemãozinho sabe a importância de cada ponto quando não se tem o melhor carro. Webber, em casa, foi ensanduichado na largada e teve dificuldades ao longo da prova, mas levou seu carro a um bom 4º lugar.

A Ferrari já vai trabalhando em Maranello num novo carro, porque esse começou errado e não vai a lugar algum. Alonso é um herói por conseguir pilotar uma trapizonga horrível, levando a carcaça vermelha ao 5º lugar. Fernandito sim tem justificativas para ficar de cara amarrada. Felipe, ah, Felipe… Vinha andando honestamente, fez uma ótima largada pulando para P10 quando o a borracha acabou, aí parou e a Ferrari o mandou de volta à pista com pneus macios novamente, obrigando-o a parar de novo quando chegou na lona. Aí, no final, se enroscou com Bruno Senna e ambos foram prejudicados.

Massa quebrou alguma coisa além do bico no carro e Bruno foi para a brita com um pneu furado. Felipe abandonou logo depois e Senna também recolheu, preferindo poupar o carro que estava superaquecendo por causa das pedras no radiador do que forçar o equipamento lutando por migalhas. E o primeiro-sobrinho quase capotou na primeira curva, sendo abalroado por meio mundo. Vinha de último e fazia uma corrida de recuperação, mas minimizou o acidente, dizendo que era coisa de corrida, o que Felipe confirmou pouco depois.

Bruno Senna é abalroado na primeira curva

Maldonado com a outra Williams vinha fazendo uma corrida sensacional. Largou bem, deu um chega-pra-lá em Grosjean – que teve de abandonar após a batida que quebrou a suspensão dianteira – e vinha dando um calor em Alonso, lutando pela quinta posição quando na última volta colocou uma roda na grama e escapou, dando de frente no muro. Fim de prova para o venezuelano que perdeu seu melhor resultado na F1. Frank Williams vai mandar a conta para Hugo Chávez. Deve ter dado saudade de Barrichello nessa hora.

Com isso, Kamui Kobayashi herdou o sexto lugar, merecido para quem fez uma prova excelente. O MITO veio lutando contra pneus desgastados, controlando as saídas de traseira da Sauber e terminou o GP com as asas dianteira e traseira quebradas. E deu trabalho para todo mundo, vendendo caro ultrapassagens, dando “X” em Rosberg, ultrapassando com arrojo onde dava. Corridaça. E o “chico” Pérez largou em último e na sétima volta já era o 10º. Terminou em 8º, muito bom resultado. Está bem servida de pilotos a Sauber, que parece ter um carro bem melhor do que os treinos mostraram.

O 7º lugar ficou com Kimi Raikkonen, que resolveu falar por rádio tudo o que não fala nas entrevistas. Coitado do engenheiro, que vai ter de ouvir o finlandês reclamando de tudo e de todos mais 19 vezes no ano. Mas o Iceman fez uma belíssima prova em sua reestreia na categoria, nem parece que ficou dois anos fora. E deu uns pontinhos à Lotus de quebra.

Vitaly Petrov abandona sua Caterham no meio da reta

Ricciardo de Toro Rosso e Di Resta com a Force India fecharam a zona de pontos, bom para os dois, que largaram no fundão e evitaram as confusões. O australiano da Toro Rosso conseguiu ser o melhor estreante e de quebra levou dois pontinhos. E Rosberg vinha fazendo uma excelente corrida até a última volta, quando teve um pneu furado pelos destroços da Williams de Maldonado, finalizando em 12º. Schumacher abandonou com problemas de câmbio quando estava indo bem. Triste para o heptacampeão, que voltou a sorrir com o carro bem feitinho que a Mercedes deu para ele. Esperava-se mais nessa corrida. Eu inclusive apostei num pódio, mas se tudo der certo, a Mercedes será uma presença constante na frente nas próximas corridas, incomodando McLarens e Red Bulls.

E as duas Marussia conseguiram completar a prova sem muitos sustos com o bom e sub-aproveitado Glock e o estrante Charles Pic. Já são melhores que as Caterham, que ficaram pelo caminho. Primeiro com Petrov, que parou no meio da reta principal e causou a entrada do Safety Car – inclusive com um caminhão de resgate acelerando tudo na reta para rebocar o carro do russo, causando a cena engraçada do fim de semana. E depois teve Kovalainen, que também abandonou.
 

Pintou o campeão?

O que se tira desse (excelente) GP da Austrália de 2012 é que a briga do ano será entre McLaren e Red Bull, com eventualmente alguém aparecendo entre eles, mas arrisco-me a dizer que a briga pelo título dificilmente escapará dessas equipes e seus pilotos. A McLaren não tem degrau no bico nem polêmica de duto como a Mercedes e a Red Bull tem um carro bom e um piloto bicampeão, que é arrojado e competente. Vettel, inclusive, soube aproveitar muito bem a hora de parar, estava no lugar certo quando o Safety Car deu as caras. Rola um favoritismo no ar, sem dúvida, mas Melbourne costuma não mostrar 100% as tendências. Nesta temporada, o grupo de pilotos está muito forte, tem muita gente de alta qualidade.

Jenson é um lorde, inteligentíssimo e extremamente competente em corridas com sua capacidade ímpar de cuidar do desgaste dos pneus como se fossem feitos de cristal caro. Lewis terá trabalho. Jenson já conseguiu impor um castigo moral duríssimo na primeira batalha, inclusive soltando um “Welcome 2009” pelo rádio após receber a bandeirada final, indicando que veio com tudo para vencer. E Hamilton é um sujeito com psicológico frágil, que se abala facilmente. Se não andar na frente nos próximos treinos e corridas, tem grandes chances de se afundar no próprio ímpeto como aconteceu ano passado.

Alonso fez o que se espera dele e um pouco mais. Schumacher ressurgiu mas não apareceu na corrida, uma pena. E o legal disso tudo é que, na temporada que teve o maior número de campeões mundiais no grid, os três últimos subiram ao pódio, com cinco deles terminando na zona de pontos. A próxima corrida será na Malásia, dia 25, daqui a uma semana, onde teremos uma real noção do embate entre as equipes. Aí poderemos ir definindo mais um pouco quem será o homem e o carro a ser batido.

Classificação final – GP da Austrália:
1º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 58 voltas (2 paradas)
2º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 2s1 (2)
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 4s0 (2)
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 4s5 (2)
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 21s5 (2)
6º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 36s7 (2)
7º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 38s0 (2)
8º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 39s4 (1)
9º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 39s5 (3)
10º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 39s7 (2)
11º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 39s8 (2)
12º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 57s6 (2)
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a uma volta (2)
14º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a uma volta (2)
15º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a cinco voltas (4)
16º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a seis voltas (4)

Não completaram:
Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 12 voltas (4)
Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 20 voltas (4)
Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 24 voltas (1)
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 48 voltas (1)
Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 57 voltas (0)
Nico Hülkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 58 voltas (0)

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Arquivado em automobilismo, Automobilismo Internacional, Formula 1

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