Zhōngguó (1)

São Paulo (Demorou!) – A corrida é na China, mas só se fala do Bahrein. Tecerei algumas linhas sobre isso, mas falemos antes do treino classificatório em Xangai, que consegue ser mais poluída que São Paulo na hora do rush. E deu Rosberg, que surpresa!

Nico conquistou sua primeira pole-position na carreira na F1 e de quebra marcou a primeira pole da Mercedes em 57 anos (a última foi de Fangio). Deu uma volta só e parou, saiu do carro e sorriu, sabendo que fez um temporal na pista e ficou só esperando o cronômetro zerar para comemorar o feito. Schumacher larga em segundo e Kobayashi em terceiro – sim, o MITO larga em terceiro. Mas há uma explicação para a tábua de tempos estar diferente bem como a foto dos três primeiros.

Hamilton foi penalizado porque trocou a caixa de câmbio e perdeu 5 posições no grid, o que o deixa com um pouco menos de chances na prova, mas nada pode ser descartado. Lewis fez o segundo tempo, mas larga em 7°. Se ele conseguir se acertar com os pneus, pode beliscar um pódio ou, quem sabe, a vitória. Porque as McLaren ainda mostram que têm o melhor carro atualmente. Button, um dos favoritos a fazer a pole, ficou em 5º e culpou a estratégia de sair mais tarde e perder a boa temperatura dos pneus. Conhecendo sua técnica em corridas, é outro em que aposto para um pódio.

Schumacher ainda está vivo, mas a Mercedes anda muito bem em treino por causa de seu sistema de dutos acionados pelo DRS, o que na corrida isso não funciona tão bem. Em todo caso é ótimo ver o heptacampeão na primeira fila novamente. Mas os prateados alemães terão de fazer uma estratégia muito bem feita se quiserem ver a bandeira quadriculada entre os 3 primeiros. O carro gasta muita borracha. Vão incomodar muito, mas como eu não aposto mais muita coisa em corrida com a Mercedes, espero que Ross Brown queime minha língua e aproveite a pista chinesa, que dá potencial para seus carros e pilotos mostrarem serviço.

Peter Sauber, que não está na China, deve estar se empanturrando de queijo, vinho e um chocolatinho com o 3º lugar do japonês voador. Koba-mito conquistou o segundo melhor resultado num grid da escuderia suíça (Frentzen foi terceiro no grid no Japão em 1994 e Alesi fez dois segundos, em 1998 na Áustria e em 1999 na França). Checo Pérez, que andou muito no Q1 com pneus macios, inclusive fazendo o melhor tempo (1min36s198), achou um honestíssimo 8º lugar. Vai ser briga boa entre os ponteiros com Kobayashi indo pra cima na largada e Pérez que só vai parar para trocar pneus por decreto. Se não forem atrapalhados no começo, vão levar mais um bocado de pontos para casa.

Hamilton, Rosberg e Schumacher foram os mais rápidos no treino (Foto: Getty Images)

Raikkonen, o homem de gelo, ficou com o quinto tempo e larga em quarto. Tem carro e frieza para fazer uma boa corrida. Vai na sua tocada, quietinho, mas vai deixando sua marca. Se aparecer no pódio não será uma surpresa. Grosjean fechou o top-10. Andou bem nos treinos e nas sessões do qualifying. Se vai terminar a prova é outra história. Vamos ver se dessa vez ele completa uma corrida.

A Red Bull foi mais que discreta em Xangai. O australiano pela terceira vez em três provas vai largar na frente do companheiro de equipe, mas o 6º lugar é pouco. Newey perdeu seu trunfo de 2011, o difusor soprado, e ainda não achou a solução para manter seu projeto à frente dos outros. Vettel, acreditem, foi ceifado do Q3 por ninguém menos que Alonso, o mágico espanhol.

O alemãozinho bicampeão tem sua pior posição de largada desde o GP do Brasil de 2009, quendo foi o 15º, e está insatisfeito com o balanço do carro, mas mesmo assim, tomar 3 décimos do companheiro é estranho demais. A troca do escapamento não justifica essa diferença toda. E junto com ele ficaram Massa, Maldonado, Senna, Di Resta, Hulk e Ricciardo no Q2. Aliás, apenas 0.282s separaram os 10 primeiros pilotos no Q2, o que é a menor diferença desde 2006, quando o sistema foi adotado.

Fernandito colocou sua Ferrari na raça na última parte da classificação, mostrando que, além de talento de sobra, tem estrela, muita estrela. Só que os vermelhos vão brigar por migalhas nessa prova. Felipe diz que não tem muita explicação para o carro não render o esperado depois da semana de internato em Maranello. Cada vez mais ele se afunda na lama e parece não ter forças para sair. Se fizer uma prova mais relaxada, sem compromisso e dar sinal de vida, pode ganhar um respiro e uma folga da imprensa italiana, porém o carro não lhe dá maiores esperanças para motivá-lo psicologicamente.

Sebastian Vettel irá largar apenas da 11ª posição em Xangai (Foto: Steven Tee/LAT)

Só Senna-sobrinho que chegou muito perto de Maldonado, mas larga atrás do companheiro. Force India e Toro Rosso passaram despercebidas. E de resto, tudo igual e em duplinhas. A nota de corte no Q1 ficou com os mesmos de sempre: Vergne, Kovalainen, Petrov, Glock, Pic, De la Rosa e Karthikeyan. Pelo menos as Hispanias ficaram dentro do limite de tempo de 107% e vão largar dessa vez.

Nota: a Ferrari está usando a asa de 2011 ao invés da que foi concebida para esse ano, o que mostra que a situação em Maranello é delicada. O carro nasceu ruim, muito ruim.

E o que está causando polêmica ainda é que Bernie Ecclestone confirmou que vai ter corrida no Bahrein. Fato é que o chefão da F1 enfiou goela abaixo a prova barenita e todo mundo do grid. Com os conflitos rolando soltos à base de bombas e um pouco de sangue na capital Manana, a F1 vai para um lugar onde não é benquista nesse momento e nenhum piloto ou equipe teve colhões para falar um sonoro NÃO. Haverá uma reunião antes da prova com a cúpula das escuderias e Bernie, mas a FIA não está nem aí, falou que vai ter corrida e pronto.

Oxalá nada de mal aconteça, mas é vergonhoso. Que cancelassem a prova e o Bahrein e seus petrodólares que sustentam a empáfia e o mundo de aparências dos negociantes da F1 fosse esquecido, pelo menos por enquanto. Mas não estou tão certo quanto às garantias de paz e tranquilidade dessa corrida. Alguma merda deve acontecer.

Enquanto isso, vamos ver essa prova da China que promete. É daqui a pouco, às 4h.
Grid de largada – GP da China:

1º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min35s121
2º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min35s691
3º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min35s784
4º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), 1min35s898
5º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min36s191
6º. Mark Webber (ALE/Red Bull-Renault), 1min36s290
7º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min35s626 (*)
8º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), 1min36s524
9º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min36s622
10º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), sem tempo

11º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min36s031
12º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min36s255
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), 1min36s283
14º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), 1min36s289
15º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 1min36s317
16º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), 1min36s745
17º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), 1min36s956

18º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), 1min37s714
19º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), 1min38s463
20º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), 1min38s677
21º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), 1min39s282
22º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), 1min39s717
23º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), 1min40s411
24º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), 1min41s000

(*) Perdeu cinco posições por troca de câmbio

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Arquivado em automobilismo, Automobilismo Internacional, Formula 1

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