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Rubinho na Stock

São Paulo (palpiteiro) – Rubens Barrichello foi anunciado como novo membro da Equipe BMC Racing na Stock Car na última terça-feira, em evento no kartódromo da Granja Viana. Mas calma, ele não irá ser piloto da equipe e sim, consultor técnico.

Diretoria da BMC com Tuka, Galid, Barrichello e Ferreira no lançamento (Foto: Miguel Costa Jr/RF1)

O veterano piloto, recordista de participações na Fórmula 1 com 326 provas, fechou a parceria com a equipe da sua principal patrocinadora na Fórmula Indy e que terá como pilotos na categoria brasileira Tuka Rocha e Galid Osman. Rubinho irá passar sua experiência no automobilismo para ajudar os jovens pilotos da equipe em tudo que ele puder, mas como os calendários da Stock Car coincide em alguns momentos com o da Indy, o novo consultor só estará presente quando possível. Todavia ele deixou seu telefone para os dois fazerem um DDI a cobrar se necessário for.

Bacana a inciativa da BMC. Usa a experiência de um piloto altamente gabaritado, dá mais visibilidade à sua equipe, a Rubinho e aos dois pilotos, além de reforçar a imagem de empresa séria que veio com tudo investindo no automobilismo. E também aproveita para aproximar mais um pouco Barrichello da Stock Car, que ele mesmo admite ser uma opção para o futuro, quando estiver por parar com a carreira em monopostos.

A matéria completa está aqui, no Portal Oh!Men, do qual sou colunista/repórter/e-mais-alguma-coisa da seção de Esportes e Entretenimento. O portal é uma inciativa de amigos meus e vai indo muito bem, obrigado. Visitem lá, comentem aqui.

Rubens Barrichello, consultor técnico da BMC Racing, conversa com Tuka Rocha (Foto: Miguel Costa Jr/RF1)

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Existe amor para recomeçar

São Paulo (Essa fé que me faz otimista demais) – Com a confirmação de que Rubens Barrichello irá disputar a temporada toda da Fórmula Indy em 2012 pela KV Racing, equipe que tem como um dos pilotos seu “irmão” Tony Kanaan (o outro é E.J. Viso) e o ex-piloto Jimmy Vasser na cúpula, é mais ou menos como a galinha dos ovos de ouro que o veterano brasileiro será tratado pela Band, emissora que detém os direitos de transmissão.

A transferência de Rubens da Fórmula 1 para os carros da Indy veio em boa hora para todo mundo. A categoria precisava de uma chacoalhada para retomar a imagem arranhada, após ver seu novo projeto de ídolo Dan Wheldon falecer num trágico acidente, e o brasileiro conseguiu chamar a atenção de grande parte da mídia estadunidense com seus tempos de volta e a rápida adaptação ao carro e ao motor Chevrolet (novo também) em dois treinos – que viraram três – em fevereiro. A cúpula da equipe não teve outra alternativa a não ser encomendar à Dallara mais um carro para Barrichello, que andou muito próximo dos mais rápidos em todos os dias.

A experiência de 19 anos na F1 foi fundamental para isso num começo de ano em que todos os carros são novinhos em folha, após sete temporadas com o mesmo modelo. Por outro lado, Rubens vai ter de reaprender a andar com pneus frios e um carro mais arisco e sem ajuda eletrônica, já que na Indy não se tem cobertor aquecido de pneus e todo o mapeamento de motor e outrem que estava acostumado. Algo um tanto mais bruto e purista, mas desafiador, como ele gosta.

A vinda de um piloto respeitadíssimo por todos no segmento e com alta capacidade técnica é excelente para a Indy, que vai capitalizar como nunca em cima da imagem dele no Brasil. Nos últimos tempos Rubens vem gozando de uma boa imagem junto á mídia brasileira, em parte por causa de veículos e profissionais especializados defenderem o piloto, em parte por ele mesmo (méritos dele e de sua assessoria de imprensa) mudar o jeito como os outros o veem, o que dá o mote necessário para a Band comemorar como nunca esse achado para a emissora.

Novamente veremos uma idolatrização do piloto, que já tem idade e cabeça para saber o que fazer com essa mais nova exposição de sua figura. A torcida aqui já empunha bandeiras, torcendo para ele na prova que será disputada no Anhembi e a Band vai usar como nunca essa carta para hangariar fãs para a categoria mais famosa da sua grade automobilística. É uma nova chance, de ouro, que praticamente caiu do céu pelas mãos do anjo Tony. Poucos têm tal oportunidade na vida.

Barrichello mostra o macacão novo e o carro azul #8 no telão ao fundo para a temporada 2012 da Fórmula Indy (foto: Carsten Horst / Hyset.com.br)

O engraçado foi que no dia do anúncio oficial, a Globo, que sempre o deixou em evidência (às vezes negativa, é verdade), foi lá conferir a coletiva e deu alguns minutos para que ele falasse ao vivo no Globo Esporte, num bate-papo com Bruno Laurence e Thiago Leifert onde contou até como dobrou a esposa Silvana, contrária à ideia de correr em ovais. Já encerrando a conversa, Rubens dispara um apelativo “não me deixa, não. Me mostra de vez em quando”. Thiago respondeu educadamente que fariam o possível, mas a emissora não tem os direitos de transmissão. Pouco mais tarde, no Jornal Nacional, Rubens mereceu um destaque dos apresentadores que noticiaram sua ida para a Indy.

É com esse prestígio na mídia nacional (como mostra o espaço de sobra na emissora que acaba de perder um de seus trunfos para seu melhor produto de automobilismo) que a Bandeirantes vai se ancorar para promover seu novo ídolo. Na Globo, ele será lembrado se vencer ou se se acidentar. Na Band, será o novo rei. Até os integrantes do Pânico, que chegam à nova casa, devem poupá-lo de críticas negativas.

A nota triste para o jornalismo fica por conta da mesma Band, que sabia de antemão e não publicou nada, deixando equipes prontas para o anúncio oficial, num quase anti-exemplo de jornalismo. Ao invés do furo, que rege (ou deveria reger) o jornalismo, foi feito um evento arranjado, controlado pelos  interesses comerciais de quem detém o produto.

Na Band, Rubens será o melhor do melhor do mundo, haja visto que chega como o nome forte na Indy, agora sem Danica Patrick, que foi para a Nascar. Nome este, aliás, que atraiu os patrocínios necessários para viabilizar sua entrada, e até mesmo a presidência da Indy fez um esforço para facilitar a vinda do brasileiro. Com o apoio de Kanaan para fornecer o conhecimento técnico e ambientá-lo na nova empreitada, Barrichello deve sim lutar por pódios, como fez Nigel Mansell em 1993. A equipe KV Racing é uma ótima escolha para fornecer o necessário nesse objetivo.

Mesmo sem fazer uma despedida digna da Fórmula 1 como todos esperavam, após ter sido descartado (como foi Jarno Trulli) sem a menor cerimônia, Rubens conseguiu encontrar uma porta que foi aberta com obstinação, determinação e amor pelo que faz. Aos que achavam que ele estava acabado, o recado foi dado. Um recomeço aos 40 anos é digno de aplausos.

Rubens Barrichello, ao lado de Jimmy Vasser e Tony Kanaan (da esq. p/ a dir.) anuncia que irá correr na Indy pela KV Racing - foto: Carsten Horst / Hyset.com.br

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O futuro a Deus pertence

 

São Paulo (é o que tem para hoje) – Cada dia que passa parece mais que o ciclo do recordista de provas disputadas na Fórmula 1 está encerrado. Rubens Barrichello também dá sinais de que está se conformando com a ideia de que após 19 anos não irá mais sentar num cockpit para disputar uma corrida, o que soa um tanto quanto estranho. Ele mesmo disse que o futuro está em aberto, se tiver uma chance ele vai sorrir para ela e continuar porque é o que ama fazer e ama estar lá.

Mas o que resta é praticamente um milagre. A Hispania é a única equipe que ainda oferece uma chance, mas correr por correr não é – nunca foi – do feitio de Rubens. Seria uma despedida mais que melancólica assinar para correr tendo grandes chances de não terminar uma prova e, se terminar, ficar minutos e voltas atrás dos líderes, brigando com um carro que parece fadado ao fracasso.

Seria melhor que Barrichello aparecesse na prova de abertura desse ano, pedisse para dar a bandeirada, entregasse o troféu ao vencedor e roubasse a cena na Austrália como ex-piloto de F1 e fosse tocar a vida. E parece que isso se encaminha para um futuro um pouco mais favorável à reputação e ao nome construído desde 1993. Essa semana, a convite do amigo de longa data Tony Kanaan, Rubens foi dar umas voltas num carro da Fórmula Indy em Sebring, na Flórida (EUA).

Rubens testa carro da equipe KV Racing em Sebring, EUA

Rubens e Tony completaram 295 milhas em teste nesta segunda-feira (30) durante o treino dacategoria. Pilotando pela primeira vez o DW12, carro da equipe KV Racing onde Kanaan corre, Barrichello percorreu 155 milhas e ganhou elogios do “irmão”, que andou 140 milhas no primeiro dia de testes. Nesta terça-feira (31), os dois voltam a pilotar os carro #5 e #11, respectivamente, das 12h às 20h (horário de Brasília).

O que pode se tirar daí é que Barrichello, no ínicio a favor da esposa Silvana – contrária ao marido correr na Indy por conta da insegurança dos circuitos ovais, vai mudando de opinião e até vislumbra uma vaga na equipe do amigo, fazendo um caminho já percorrido com enorme sucesso por Emerson Fittipaldi e até Nigel Mansell, entre outros. E para a categoria seria ótimo ter um piloo do gabarito de Rubens em seus grids, mais que o contrário.

Vendo o sorriso de Rubens, pode-se dizer que claramente ele está realmente feliz com essa possiblidade, embora os olhos e a fala ainda demonstrem que ele sente muito a falta do ambiente onde esteve por uma vida. Rubinho ainda mantém a gana e uma grande parte dos reflexos necessários para continuar andando em alto nível por algum tempo apesar da idade. A experiência pode compensar isso.

Ele ainda quer a Fórmula 1, fato mais que compreensível. Todavia, nessa fase é melhor disputar alguma coisa sorrindo do que resmungando e sabendo que o fim será inevitável. Pois que antecipe esse fim e busque um recomeço onde se possa sorrir. E o futuro pode sorrir para Barrichello em outra Fórmula. Basta ele querer sorrir de volta.

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500 Milhas de Indianapolis, 100 anos e mil histórias

SÃO PAULO (unbelievable) – E depois tem gente que diz que automobilismo é chato… Em 2011 a prova mais tradicional do mundo do automobilismo comemora seus 100 anos. E como convém, a história é escrita de forma grandiosa, com personagens épicos, histórias reais gravadas com suor e sangue, com trajetórias de uma vida toda de trabalho que se encontram naquele lugar para sua apoteose, e outras trajetórias que ali nascem por algo de místico que acontece com esses lugares abençoados.

São 100 anos bem celebrados. Com uma corrida que nem em roteiro de filme seria tão bem escrita. São 500 milhas, ou, precisamente, 804.672 metros, num total de 200 voltas, com 4 curvas cada (800 curvas, portanto), num circuito oval – na verdade, retangular – que conserva uma histórica faixa de tijolos de sua pavimentação original na linha de chegada.

Pois bem. Nessas 500 milhas, o filme começa uma semana antes, com os treinos livres e classificatórios. Na Indy, segundo as regras (que eu discordo totalmente), quem se classifica é o carro, não o piloto. Foi o que aconteceu com Bruno Junqueira, piloto mineiro (fiz assessoria dele em 2010, na F-Truck) que está meio parado atualmente e foi lá só para correr a prova histórica, mas ficou só na saudade.

O mineiro acelerou e classificou um carro da AJ Foyt em 19º no grid, mas  Michael Andretti, que quis ser sabichão e foi incompetente, inscreveu um monte de carros e não classificou todo mundo porque dependia de Tony Kanaan para acertá-los. Daí foi lá e comprou a vaga por meio milhão de dólares, pondo Ryan Hunter-Reay no carro que o brasileiro classificou. É cruel? É. Ainda mais para o pobre Bruno, que passa pela mesma situação pela segunda vez em três anos. Se as regras permitem, fazer o quê? É até normal colocar um outro piloto da mesma equipe naquela vaga, mas de outra equipe, não me lembro de precedentes.

Mas vamos lá. Eis que o estreante em 500 milhas JR Hildebrand me aparece como líder da prova faltando poucas voltas para o fim. Situação dramática pela  estratégia arriscada, que poderia deixá-lo sem combustível para completar a prova. Era só sua  7ª corrida, sendo que seu melhor resultado fora um 10º lugar em São Paulo pouco menos de um mês antes. Em alguns minutos, a zebra passaria a fazer parte da história, iria levar uns milhões para casa, subiria no alambrado, beberia leite no pódio e ganharia um anel comemorativo igual aos três de Helio Castroneves. Mas Hildebrand só entrou para a história.

A vitória caiu no colo do birtânico Dan Wheldon, vencedor da Indy 500 em 2005 e que meses antes havia sido defenestrado da equipe Panther para dar lugar a… Hildebrand. Dan só conseguiu arrumar dinheiro e a vaga para correr esta prova apenas, quando o imponderável apareceu no templo sagrado do automobilismo estadunidense.

Já no cheiro do combustível, Hildebrand, que havia completado 799 curvas certas, pegou um retardatário antes da derradeira 800ª curva que lhe mostraria a bandeira quadriculada. E aí o rapaz quis passar por fora, caiu na sujeira da pista e achou o muro. Inacreditável. Na última curva da última volta, o cara bate no muro.

Wheldon vinha em segundo (terminou as últimas duas 500 Milhas nessa mesma posição) e acelerando, e não acreditou no que via. Mas conseguiu passar e receber a bandeirada em primeiro. Hildebrand, mesmo com 3 rodas, percebeu que ainda tinha alguma tração e, aproveitando a inércia, acelerou o resto do carro, se arrastando contra o muro para chegar em segundo.

O inglês, mesmo desempregado, ria de nervoso com a vitória que o deixava alguns milhões mais rico (novamente). Já o americano, chorava inconsolável pela oportunidade perdida, ainda tendo a temporada toda pela frente. Well done, Wheldon!

Um dia para entrar na história. Veja abaixo o vídeo da última volta. Sensacional!

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Emerson Fittipaldi fará ponta em filme

SÃO PAULO (nada mais justo) – Depois de Ronaldo Fenômeno dizer que vai participar de um filme, agora é a vez de Emerson Fittipaldi ser anunciado numa produção da sétima arte. Trata-se do filme “Carros 2”, continuação do sucesso de animação nos cinemas lançado em 2006.

O “Rato”, bicampeão da Fórmula 1 (1972 e 74), irá dublar um dos carros do filme para a versão em português e algumas em espanhol. No original em inglês, o carro será dublado por Lewis Hamilton. Abaixo, o release:

O campeão Emerson Fittipaldi será um dos personagens da animação “Carros 2” (Disney.Pixar). Fittipaldi dublou o personagem durante esta semana nos Estúdios Delart no Rio de Janeiro. O filme em 3D tem previsão para estreia no final de junho, nos EUA. Na animação, Fittipaldi aparece como é na vida real, representado por um carro que é um grande astro das pistas e tem o seu nome. O ídolo dublou nas línguas portuguesa e espanhola, já que sua voz será usada no Brasil e em alguns países da América Latina. Em outras localidades, o filme terá a voz original, que é do piloto Lewis Hamilton. O personagem, um dos grandes nomes do automobilismo, participará com o protagonista, Relâmpago McQueen, do Grand Prix Mundial, grande campeonato que elegerá o carro mais rápido do mundo.

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E no Anhembi… (2)

SÃO PAULO (a toque de caixa) – Estou bem atarefado nos últimos dias, então acabei deixando este blog meio largado, mas vamos recapitular a Indy.

Ouvi a corrida no rádio, no ônibus, indo para o trabalho. E foi emocionante. Fazia algum tempo que não ouvia corridas no rádio (às vezes ouço a Jovem Pan com Felipe Mota fazendo as reportagens in loco da Fórmula 1, mas é só quando realmente eu não tenho uma TV por perto), pus o dial na BandNews FM e fui acompanhando a vitória do autraliano Will Power quase 22 horas depois da primeira largada. E Power conquistou cada pedacinho do troféu com raça, competência e uma boa dose de sorte, como os grandes atletas devem ter.

Como era previsto, a chuva voltou a cair na área do circuito na segunda-feira, mas dessa vez em menor intensidade.Achei que daria Takuma Sato depois do show que o japonês deu na pista, mas “Taku” ficou para trás depois da estratégia de paradas da equipe KV não ser tão eficiente quanto a da equipe Penske de Power, que beijou o muro logo no começo da prova, depois de ser passado por Sato.

Quem deu um belo espetáculo também foi a piloto suíça Simona de Silvestro. A mulher pilota uma barbaridade, faz frente com Danica Patrick e Bia Figueiredo (Ana Beatriz lá nos EUA porque eles não conseguem pronunciar o nome mais conhecido dela) no quesito talento. De lambuja, Simona cravou a melhor volta do circuito e levou um troféu para casa pelo feito. Essa menina vai dar trabalho ainda na Indy.

Bom, de resto, Rahal e Briscoe completaram o pódio. Os brasileiros não se deram bem em casa, o melhor foi o Vitor Meira em 17º lugar. Ele, que foi 3º ano passado, bateu, rodou, quebrou bico, eixo, câmbio e mais alguma coisa, ainda conseguiu voltar, mas não deu. Pelo menos não se machucou, caso de Kanaan e Castroneves (Bia já estava com o pulso quebrado desde a segunda prova), que levaram pancadas nas mãos por causa de batidas, onde o volante virou de súbito e acertou dedos e punhos. Meio que lutando contra as dores, ambos terminaram, mas em 22º e 21º respectivamente. Rafa Matos ficou pelo caminho logo cedo, Bia também.

Mas alguns pitacos finais sobre a prova em São Paulo:

– a cidade já trava se uma bicicleta cai na rua, como diz minha mãe, e é verdade. Realizar a prova na segunda-feira só institucionalizou o caos para o paulistano. A chuva do domingo tem sua parcela de culpa (ia fazer qualquer prova no mundo parar por um tempo), mas o vilão foi o escoamento de água. Ou a falta dele, melhor dizendo. Não dá para fazer um evento assim só na base da politicagem. O retorno financeiro e de mídia para a cidade é altamente positivo, mas a regra de se adiar a corrida para a manhã do dia seguinte está escrita há anos. Então, que os organizadores, (promotores, TV e prefeitura) trabalhem para que tudo aconteça dentro do protocolo normal em vez de fazer o oba-oba social.

– os pilotos adoram a pista, a organização da Indy também. É a maior reta do calendário, tem pontos de ultrapassagem, a corrida do ano passado deu certo (apesar de ter sido feita em cima da hora e meio nas coxas) e é um circuito de rua inusitado e interessante. Que não saia mais do calendário e que melhore muito ainda, mas o saldo é positivo.

– de negativo, aquela lombada entre o concreto do sambódromo e o asfalto da curva 1. Cada piloto que passava ali dava um pulo e quase que não fazia a curva. Recapearam tudo e resolveram o problema da tinta no concreto, mas largaram um degrau inadmissível ali.

– um caminhão da F-Truck estourou um radiador naquele ponto numa demonstração, o que fez a pista virar um sabão naquele ponto. Aliado ao asfalto molhado e sem borracha, o fato causou toda a lambança do começo da prova.

– os pilotos ex-F1 andaram muito bem. Só Bourdais ainda está pegando o jeito. E Hinchcliffe vai dar trabalho também até o fim do ano esse cara é rápido e consistente, quem acompanhava a Indy Lights ano passado sabe do que falo.

– o Grupo Bandeirantes está se negando a devolver a grana dos ingressos para quem não pôde ir na segunda-feira porque alguém tinha de trabalhar nessa cidade. Vai dar problema.

– foi mais de uma hora e dez minutos de prova sob bandeira amarela, acho que é algum recorde.

– Luan Santana cantou o Hino Nacional brasileiro. Nada contra o jovem, que faz um incrível sucesso e arrasta multidões. Mas ter cantado o nosso hino pela metade é inaceitável. E cantou muito mal. Luciana Melo cantou o hino estadunidense muito melhor minutos antes. Foi vaiado com justiça.

– e para encerrar, infelizmente a cena se repetiu nos bastidores. Em 2010, o fotógrafo e amigo Miguel Costa Jr teve seu notebook furtado de dentro da sala de imprensa. Este ano, dois repórteres do Tazio também tiveram seus equipamentos e uma mochila subtraídos de dentro da mesma sala. Felizmente a responsável pela comunicação, a XYZ (ex-ReUnion) vai ressarcir os prejuízos. Mas a dor de cabeça de ter de retirar novos documentos, cancelar cartões, entre outras coisas, vai sobrar para a vítima. Mas a cobertura da mídia foi sensacional.

Confira como ficou a classificação da São Paulo Indy 300:
1. Will Power (Penske)
2. Graham Rahal (Ganassi)
3. Ryan Briscoe (Penske)
4. Dario Franchitti (Ganassi)
5. Oriol Servià (Newman-Hass)
6. Mike Conway (Andretti)
7. Justin Wilson (Dreyer & Reinbold)
8. Takuma Sato (KV Lotus)
9. James Hinchcliffe (Newman/Hass)
10. JR Hildebrand (Panther)
11. Sebastian Saavedra (Conquest)
12. Scott Dixon (Ganassi)
13. Ernesto Viso (KV Lotus)
14. Marco Andretti (Andretti)
15. James Jakes (Dale Coyne)
16. Charlie Kimball (Ganassi)
17. Vitor Meira (Foyt)
18. Ryan Hunter-Reay (Andretti)
19. Alex Tagliani (Sam Schmidt)
20. Simona De Silvestro (HVM)
21. Helio Castroneves (Penske)
22. Tony Kanaan (KV Lotus)
23. Danica Patrick (Andretti)

Não completaram:
24. Bia Figueiredo (Dreyer & Reinbold)
25. Raphael Matos (AFS)
26. Sebastien Bourdais (Dale Coyne)

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No Anhembi…

SÃO PAULO (errado, muito errado) – Depois de Will Power fazer a impressionante marca da quarta pole em quatro classificações na Fórmula Indy, que corre no circuito do Anhembi, a chuva melou toda a prova. Mas foram só uns 20 minutos de chuva forte, o resto do tempo garoou. Não era pra ter causado a quantidade imensa de poças no circuito. Sinal que de algo está muito errado nessa organização. Drenagem zero. Se preocupam mais com o oba-oba do evento do que com o investimento e seriedade de se fazer uma prova digna da grandeza da Indy.

Claro, melhorou muito o asfalto do ano passado para esse, mas prova que falta muita coisa ainda para se fazer uma corrida decente de Indy num circuito de rua no Brasil. Em 2010 foi aquele mico da tinta no sambódromo, que depois de retirada fez levantar um pó pior que spray d’água. E em 2011, uma chuvinha fez um estrago monumental na prova. Nada que infelizmente não estejamos acostumados aqui em SP. Garoou, a cidade para. Alaga. Entope bueiro. Intaura-se o caos.

Caos mesmo foi a quantidade de batidas entre os carros nas largadas. Tony Kanaan quase quebrou uma mão, Helio Castroneves idem. Vitor Meira rodou porque não enxergava nada e quase não volta mais. Will Power se segurou para não escapar de traseira na primeira curva. Fora a Ana Beatriz (ou Bia Figueiredo, como conhecida por aqui) sofrendo com uma tala na mão quebrada e tendo de segurar o carro.

Na primeira largada, Danica e Simona estamparam o muro e bateram em Kanaan e Castroneves, Hunter-Reay deu nos pneus no fim da reta. Na relargada, Dixon, Bourdais, Hinchcliffe e Wilson rodaram e Hunter-Reay bateu novamente, danificando a asa traseira e sendo forçado a abandonar. Aí Meira bate no fim da marginal e Bourdais roda no “S” do Samba. Só depois desse salseiro todo que deram bandeira vermelha. Depois de quase três horas de atraso, os carros voltam à pista para a retomada da prova, com todos os carros que abandonaram no começo podendo retornar. Aí a chuva também volta e adia a prova para as 9h da manhã desta segunda-feira.

Coitado de quem comprou ingresso e perdeu o dinheiro, porque se vai trabalhar amanhã (hoje), nem ver a corrida pela TV vai poder. E se passar pela marginal, vai xingar muito, porque o trânsito vai ser de dar medo. Se a prefeitura e os promotores tivessem feito obras decentes para conter a água que sempre cai nessa época e investissem num sistema decente de escoamento de água, não só para a prova mas para a cidade em si, nada disso estaria acontecendo.

E o degrau que tem ali no fim do concreto do sambódromo e no começo do asfalto antes da primeira curva é obsceno, é uma afronta com os pilotos, beira o absurdo. Os adesivos, faixas e placas publicitárias ao redor do circuito se soltam como folhas de árvore no outono. A pista estava um sabão mesmo quando o tempo estava seco, no sábado; quase todos os pilotos escaparam na primeira curva.

A TV Bandeirantes ficou fazendo pressão para se ter corrida (e quase conseguiu) e a direção de prova não se decidia, falava uma coisa e voltava atrás no minuto seguinte, deixando todo mundo – pilotos, imprensa, organização, público – completamente perdido com a falta de informação. Enquanto os responsáveis tratarem a Indy como um evento de festa, isso vai continuar acontecendo.

A ideia da prova aqui é excelente, o tempo da pole melhorou em 6 segundos em relação ao ano passado, o asfalto foi recapeado e minimizou os bumps do traçado, tinha até mais gente que em 2010 assistindo in loco… Prova de que, mesmo sendo feita nas coxas e em cima da hora, a corrida saiu e foi um sucesso. Mas isso deixa uma mácula novamente para o Brasil. Espero que nas próximas provas a organização e os responsáveis pensem no evento como uma excelência do esporte e leve isso a sério.

E tomara que os brasileiros superem as dores e as adversidades e possam chegar no pódio logo cedo!

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I got big balls (2)

SÃO PAULO (macho?) – Li na Folha de S. Paulo hoje uma declaração do Fernando Alonso a respeito das ultrapassagens, reclamando que Hamilton não precisava mudar de trajetória e dizendo que se tivesse com o DRS (asa móvel), teria ultrapassado sem correr riscos desnecessários, de lutar roda a roda. Mas não era assim antes?

Ora, automobilismo é um esporte de risco. Quem pilota sabe. Essa coisa toda de parafernália eletrônica e dispositivos que fazem sei-lá-o-quê inventados pela FIA estão servindo mais para deixar as ultrapassagens uma coisa meio forçada e não natural, o inverso de como era de se esperar com pilotos de ponta na categoria de elite do automobilismo mundial.

Adrian Sutil, da Force India, disse que está ficando sem graça assim, com KERS e DRS. Os pilotos da frente nem se preocupam em defender a posição, vira meio que covardia. Passa-se e pronto.

Eu até acho bacana a ideia de se colocar esses dispositivos nos carros, mas não pode ser uma coisa artificial. Passar por passar não tem graça. Quem tem capacidade e coragem para isso que se vire na raça. Roda a roda mesmo.

Eu amo correr de kart, a base de todo piloto. Gosto de disputar entre os colegas jornalistas. É divertidíssimo ir chutado até o fim da reta e tentar frear mais tarde para ganhar a posição, mesmo que a briga seja pelo 16º lugar (meu caso). Ainda mais em kart indoor, que tem aquela proteção lateral, dá para brigar roda a roda com alguma lealdade e uma dose de insanidade. Essa é a essência do esporte. Ver quem freia lá dentro, quem contorna melhor a curva, quem traciona na hora certa, quem muda a linha para deixar o adversário espalhar e dar o “X”…

Coloquei aqui no blog um post com o mesmo título desse aqui. Um dos vídeos com ultrapassagens mostra a incrível sequência de curvas lado a lado entre Gilles Villeneuve e René Arnoux. Isso acho que não veremos nunca mais.

Enquanto escrevia lembrei dessa ultrapassagem abaixo do interminável heroi Alessandro Zanardi sobre Bryan Herta, na última volta, no circuito de Laguna Seca em 1996, não à tôa classificada como “The Pass”. A partir do minuto 3’40” já dá para arrepiar.

Aprende aí, Alonso!

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