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Ville de Montréal (2)

São Paulo (nunca antes na história…) – Como todo jornalista, torci para a Fórmula 1 ver seu sétimo vencedor diferente em sete provas disputadas nesta temporada, feito inédito na história. E foi o que aconteceu, para deleite de todos os profissionais de comunicação que tinham a manchete pronta desde a etapa passada, quando Webber sagrou-se vencedor em Mônaco. Hamilton, que foi ao pódio nas três primeiras etapas, apresentou sua melhor pilotagem no Canadá – palco de seu primeiro triunfo na categoria – e conquistou sua 18ª vitória, embolando de vez o campeonato. Um prêmio pela regularidade.

Mas o resultado foi quase um roteiro de filme. Somente a sete voltas do fim que o maclariano conseguiu ultrapassar Alonso para assumir a ponta da corrida e da tabela de pontos. E o espanhol, que começou a toda, não deixando Vettel – que largara na pole position – escapar da sua alça de mira, caçando o alemão e liderando a prova numa estratégia ousada de uma parada, viu de longe o triunfo do desafeto. A Ferrari se deu mal e Fernando, de líder, em seis voltas perdeu a vantagem que tinha por causa dos pneus já na lona e ficou com o quinto lugar. Vettel, que é inteligente, viu que ia ficar penando como o espanhol se ficasse abusando dos pneus, parou, trocou os calçados e foi buscar Alonso de novo, passando o ferrarista no finalzinho. O tedesco sabe que qualquer pontinho é importante nessa temporada e tratou de se manter entre os ponteiros.

Já Massa largou bem e vinha com vontade, agressivo, mas rodou sozinho quando era 5º colocado e estava no encalço de Webber (a menos de um segundo) e acabou com suas chances. Tem certas pistas que não casam com pilotos e vice-versa. No Canadá, Felipe nunca chegou a subir no pódio, tendo um 4º lugar como melhor resultado quando ainda corria pela Sauber. Montezemolo vai ter de ter paciência de monge tantas foram as chances e palavras de ajuda para o brasileiro. Após a prova, em entrevista aos jornalistas brasileiros, admitiu: “Foi uma cagada”. Foi mesmo, mas há de se ressaltar que ele andou bem todo o fim de semana, foi aguerrido e ainda lucrou um pontinho para o time depois de tudo isso. O outro brasuca, Bruno Senna, ficou em 17º, pífio, para não dizer outra coisa. Maldonado foi menos pior, 13º, mas a Williams deu um passo para trás na ilha de Notre-Dame. Espero que seja só um lapso.

Outro apagado foi Button, que em mais uma corrida péssima, deu adeus às chances de título. Venceu no começo do ano e só. Em Montreal, contentou-se em completar a corrida. Webber, depois da vitória na última etapa, foi coadjuvante, mas andou bem. Rosberg deu trabalho pra todo mundo e fez uma prova digna. Schumacher, coitado, de sortudo nos tempos ferraristas, virou abóbora na Mercedes. Abandonou com uma asa móvel que não se movia, abriu na reta e lá ficou, paradona. É aquela coisa de equipamento de meio milhão de euros que precisa ser consertado na marreta.

Mas a surpresa da etapa foi um pódio com Grosjean e Pérez. Fantástico. Sempre é boa uma prova assim, com essas coisas inesperadas acontecendo no final. Lotus e Sauber são duas equipes que sabem cuidar da borracha maluca da Pirelli, coisa que a Ferrari não faz, destruindo os pneus. Checo e Romain, que já conheciam os compostos italianos da época de GP2, fizeram uma parada só e andaram muito rápido depois mesmo com pneus desgastados. E aí viu-se no pódio coisa que há tempos não acontecia, de pilotos comemorando muito o segundo e terceiro lugares. A festa da champanhe foi bacana de se ver.

A prova teve outras coisas legais, com umas ultrapassagens mais rebuscadas e umas disputas por segundos nos boxes, que, como são mais curtos nessa pista, não deixam perder tanto tempo para quem para. Hamilton ultrapassou Alonso assim. O espanhol não conseguiu abrir tanta vantagem depois da parada de Lewis e entrou para fazer a sua com uma janela apertada. Voltou na frente, mas de pneus frios, tomou um passão por fora do inglês. Kobayashi não foi tão mito dessa vez, mas virou a nêmesis de Schumacher. Toda prova eles se acham em algum momento não importa a ordem, mas sempre sai uma faísca boa ou ruim.

E quem diz que não tem emoção na F1, que vá assistir golfe ou pólo a cavalo. A categoria está em voga de novo porque sabe se reinventar. Prova disso é que agora o campeonato fica com todo mundo meio junto na tabela: Hamilton com 88, Alonso com 86, Vettel com 85, Webber com 79 e Rosberg com 67. E com Lotus e Sauber no pódio, aumenta a lista de possíveis vencedores nos próximos Grandes Prêmios. Mesmo assim, acho que o título vai se desenhando para os três primeiros aí em cima, salvo se alguém encaixar umas vitórias e pódios que possam mudar esse panorama. E não acredito em mais um vencedor diferente, entretanto, fica complicado fazer alguma previsão.

O próximo GP é em duas semanas nas ruas de Valência, na Espanha. É uma corrida mais legal pela paisagem que pelo circuito, mas esperemos os treinos para apontar uma ou outra luz nesse campeonato doido. Vai ser brigado até o Brasil.

 

Resultado final – GP do Canadá:

1º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 40 voltas em 1h32min29s586
2º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 2s5
3º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 5s2
4º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 7s2
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 13s4
6º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 13s8
7º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 15s0
8º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 15s5
9º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 24s4
10º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 25s2
11º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 37s6
12º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 46s2
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 47s0
14º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 1min04s4
15º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
16º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 1 volta
17º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 1 volta
18º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 1 volta
19º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
20º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 3 voltas

Não completaram:
Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), na volta 69
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), na volta 43
Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), na volta 34
Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), na volta 32

Fotos: Nextgen-auto.com

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Tem kart no fim de semana

Largada da categoria Graduados nessa sexta-feira em Interlagos (Foto: Luiz Pinheiro)

São Paulo (piloto importado) – Já ia esquecendo. Duas das mais importantes competições de kart do país estarão juntinhas neste final de semana no kartódromo Ayrton Senna, em Interlagos. O SKB (Super Kart Brasil) e a Copa Petrobrás Sorriso Campeão dividem a pista de um dos templos do kartismo nacional pela primeira vez.

Inédito também é o fato do SKB distribuir vagas para a Seletiva de Kart Petrobras. A competição apoiada pela petrolífera desde 1999 oferece, neste ano, 117 mil reais como prêmio ao seu vencedor, e no SKB são três vagas em jogo para a decisão – que reúne apenas 12 selecionados. As provas de classificação, que compõem a Copa Petrobras Sorriso Campeão, serão computadas somente nas duas baterias de sábado, que fecham o SKB.

Nesta sexta-feira os pilotos já foram disputar as duas primeiras baterias com uma diferença: o traçado invertido. Essa é uma tradição da primeira etapa classificatória da Seletiva de Kart Petrobras – um misto de corrida de kart e ação social há dez anos denominada Copa Petrobras Sorriso Campeão – que corre “ao contrário” na pista. A iniciativa foi resgatada no ano passado pelo Super Kart Brasil e em 2012 será mantida.

E no sábado acontecem as duas últimas baterias que definem os campeões. A competição atraiu 40 pilotos para o grid da principal categoria e recebeu dois competidores da Fórmula Renault Alps, da Europa, Felipe Fraga e Gustavo Lima, que estavam em Monza (Itália) no último final de semana disputando a rodada de abertura da categoria europeia.Fraga, inclusive, já foi campeão da segunda edição do SKB na Shifter Kart e busca o bicampeonato.

André Nicastro, atual campeão da Graduados (Foto: Luca Bassani)

Os resultados (extra-oficiais) do primeiro dia de competições do SKB estão abaixo e os resultados completos podem ser conferidos no site www.racingcrono.com.br. Descendo um pouco mais há a programação desse sábado. Corra que ainda dá tempo!

Super Cadete

1- Gabriel Lopes, 30 pontos
2- Gabriel Paturle, 29
3- Gianluca Petecof, 22
4- João Pedro Correa, 21
5- Edgar Bueno Neto, 18

Júnior Menor
1- João Pedro Guim, 33 pontos
2- Paulo Lima, 30
3- Murilo Coletta, 29
4- Enzo Prando, 21
5- Igor Melo, 18

Júnior
1- Sérgio Câmara, 35 pontos
2- Vinícius Papareli, 25
3- Rafael Martins, 22
4- Vítor Baptista, 19
5- Leonardo Gimenes, 16

Sênior
1- Renato Turelli, 40 pontos
2- Antonio Ventre, 26
3- Diogo Zucarelli, 24
4- Marcelo Meneghel, 21
5- Adriano Pizzonia, 16

Shifter
1- André Nicastro, 29 pontos
2- Dennis Dirani, 25
3- César Ramos, 22
4- Mitsui Duzanowski, 22
5- Gaetano Di Mauro, 20

Graduados

1- André Nicastro, 40 pontos
2- Gabriel Casagrande, 30
3- Olin Galli, 20
4- Ítalo Leão, 20
5- Ariel Varella, Antonio Furlan Neto e João Vieira, 12

 

Programação – Sábado(31/3)
Tomada de tempos

Júnior Menor – 8h30
Júnior – 8h45
Graduados – 9h
Sênior – 9h15
Super Cadete – 9h30
Shifter – 9h45

3ª bateria
Júnior Menor – 11h05
Júnior – 11h30
Graduados – 11h50 – Válida pela Copa Petrobras Sorriso Campeão
Sênior – 12h10
Super Cadete – 12h30
Shifter – 12h50

4ª bateria
Júnior Menor – 14h35
Júnior – 15h
Graduados – 15h25 – Válida pela Copa Petrobras Sorriso Campeão
Sênior – 15h50
Super Cadete – 16h15
Shifter – 16h40

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Rubinho na Stock

São Paulo (palpiteiro) – Rubens Barrichello foi anunciado como novo membro da Equipe BMC Racing na Stock Car na última terça-feira, em evento no kartódromo da Granja Viana. Mas calma, ele não irá ser piloto da equipe e sim, consultor técnico.

Diretoria da BMC com Tuka, Galid, Barrichello e Ferreira no lançamento (Foto: Miguel Costa Jr/RF1)

O veterano piloto, recordista de participações na Fórmula 1 com 326 provas, fechou a parceria com a equipe da sua principal patrocinadora na Fórmula Indy e que terá como pilotos na categoria brasileira Tuka Rocha e Galid Osman. Rubinho irá passar sua experiência no automobilismo para ajudar os jovens pilotos da equipe em tudo que ele puder, mas como os calendários da Stock Car coincide em alguns momentos com o da Indy, o novo consultor só estará presente quando possível. Todavia ele deixou seu telefone para os dois fazerem um DDI a cobrar se necessário for.

Bacana a inciativa da BMC. Usa a experiência de um piloto altamente gabaritado, dá mais visibilidade à sua equipe, a Rubinho e aos dois pilotos, além de reforçar a imagem de empresa séria que veio com tudo investindo no automobilismo. E também aproveita para aproximar mais um pouco Barrichello da Stock Car, que ele mesmo admite ser uma opção para o futuro, quando estiver por parar com a carreira em monopostos.

A matéria completa está aqui, no Portal Oh!Men, do qual sou colunista/repórter/e-mais-alguma-coisa da seção de Esportes e Entretenimento. O portal é uma inciativa de amigos meus e vai indo muito bem, obrigado. Visitem lá, comentem aqui.

Rubens Barrichello, consultor técnico da BMC Racing, conversa com Tuka Rocha (Foto: Miguel Costa Jr/RF1)

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Existe amor para recomeçar

São Paulo (Essa fé que me faz otimista demais) – Com a confirmação de que Rubens Barrichello irá disputar a temporada toda da Fórmula Indy em 2012 pela KV Racing, equipe que tem como um dos pilotos seu “irmão” Tony Kanaan (o outro é E.J. Viso) e o ex-piloto Jimmy Vasser na cúpula, é mais ou menos como a galinha dos ovos de ouro que o veterano brasileiro será tratado pela Band, emissora que detém os direitos de transmissão.

A transferência de Rubens da Fórmula 1 para os carros da Indy veio em boa hora para todo mundo. A categoria precisava de uma chacoalhada para retomar a imagem arranhada, após ver seu novo projeto de ídolo Dan Wheldon falecer num trágico acidente, e o brasileiro conseguiu chamar a atenção de grande parte da mídia estadunidense com seus tempos de volta e a rápida adaptação ao carro e ao motor Chevrolet (novo também) em dois treinos – que viraram três – em fevereiro. A cúpula da equipe não teve outra alternativa a não ser encomendar à Dallara mais um carro para Barrichello, que andou muito próximo dos mais rápidos em todos os dias.

A experiência de 19 anos na F1 foi fundamental para isso num começo de ano em que todos os carros são novinhos em folha, após sete temporadas com o mesmo modelo. Por outro lado, Rubens vai ter de reaprender a andar com pneus frios e um carro mais arisco e sem ajuda eletrônica, já que na Indy não se tem cobertor aquecido de pneus e todo o mapeamento de motor e outrem que estava acostumado. Algo um tanto mais bruto e purista, mas desafiador, como ele gosta.

A vinda de um piloto respeitadíssimo por todos no segmento e com alta capacidade técnica é excelente para a Indy, que vai capitalizar como nunca em cima da imagem dele no Brasil. Nos últimos tempos Rubens vem gozando de uma boa imagem junto á mídia brasileira, em parte por causa de veículos e profissionais especializados defenderem o piloto, em parte por ele mesmo (méritos dele e de sua assessoria de imprensa) mudar o jeito como os outros o veem, o que dá o mote necessário para a Band comemorar como nunca esse achado para a emissora.

Novamente veremos uma idolatrização do piloto, que já tem idade e cabeça para saber o que fazer com essa mais nova exposição de sua figura. A torcida aqui já empunha bandeiras, torcendo para ele na prova que será disputada no Anhembi e a Band vai usar como nunca essa carta para hangariar fãs para a categoria mais famosa da sua grade automobilística. É uma nova chance, de ouro, que praticamente caiu do céu pelas mãos do anjo Tony. Poucos têm tal oportunidade na vida.

Barrichello mostra o macacão novo e o carro azul #8 no telão ao fundo para a temporada 2012 da Fórmula Indy (foto: Carsten Horst / Hyset.com.br)

O engraçado foi que no dia do anúncio oficial, a Globo, que sempre o deixou em evidência (às vezes negativa, é verdade), foi lá conferir a coletiva e deu alguns minutos para que ele falasse ao vivo no Globo Esporte, num bate-papo com Bruno Laurence e Thiago Leifert onde contou até como dobrou a esposa Silvana, contrária à ideia de correr em ovais. Já encerrando a conversa, Rubens dispara um apelativo “não me deixa, não. Me mostra de vez em quando”. Thiago respondeu educadamente que fariam o possível, mas a emissora não tem os direitos de transmissão. Pouco mais tarde, no Jornal Nacional, Rubens mereceu um destaque dos apresentadores que noticiaram sua ida para a Indy.

É com esse prestígio na mídia nacional (como mostra o espaço de sobra na emissora que acaba de perder um de seus trunfos para seu melhor produto de automobilismo) que a Bandeirantes vai se ancorar para promover seu novo ídolo. Na Globo, ele será lembrado se vencer ou se se acidentar. Na Band, será o novo rei. Até os integrantes do Pânico, que chegam à nova casa, devem poupá-lo de críticas negativas.

A nota triste para o jornalismo fica por conta da mesma Band, que sabia de antemão e não publicou nada, deixando equipes prontas para o anúncio oficial, num quase anti-exemplo de jornalismo. Ao invés do furo, que rege (ou deveria reger) o jornalismo, foi feito um evento arranjado, controlado pelos  interesses comerciais de quem detém o produto.

Na Band, Rubens será o melhor do melhor do mundo, haja visto que chega como o nome forte na Indy, agora sem Danica Patrick, que foi para a Nascar. Nome este, aliás, que atraiu os patrocínios necessários para viabilizar sua entrada, e até mesmo a presidência da Indy fez um esforço para facilitar a vinda do brasileiro. Com o apoio de Kanaan para fornecer o conhecimento técnico e ambientá-lo na nova empreitada, Barrichello deve sim lutar por pódios, como fez Nigel Mansell em 1993. A equipe KV Racing é uma ótima escolha para fornecer o necessário nesse objetivo.

Mesmo sem fazer uma despedida digna da Fórmula 1 como todos esperavam, após ter sido descartado (como foi Jarno Trulli) sem a menor cerimônia, Rubens conseguiu encontrar uma porta que foi aberta com obstinação, determinação e amor pelo que faz. Aos que achavam que ele estava acabado, o recado foi dado. Um recomeço aos 40 anos é digno de aplausos.

Rubens Barrichello, ao lado de Jimmy Vasser e Tony Kanaan (da esq. p/ a dir.) anuncia que irá correr na Indy pela KV Racing - foto: Carsten Horst / Hyset.com.br

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Música no carro

Sonic, GM, Chevrolet, Chevrolet Sonic, compacto, hatches, comercial, OK Go, bandaSão Paulo (Mandou bem, GM) – A cada dia surge um fenômeno na internet, seja em qual área for. No quesito “carros”, a coqueluche do momento é este comercial do Chevrolet Sonic, que deve desembarcar por aqui nos próximos meses, numa sacada sensacional da GM estadunidense, que convidou a conterrânea banda OK Go, famosa por seus clipes criativos e alternativos (vale muito dar uma olhada no canal deles no YouTube).

A genialidade, no caso, foi juntar a divulgação da nova música da banda, “Needing/Getting”, e o carrinho da GM, usado para tocar intrumentos e outros objetos ao melhor estilo Hermeto Pascoal de ser. O vídeo levou quatro meses entre preparação e gravação – só esta durou quatro dias – em Los Angeles, com mais de mil apetrechos sonoros colocados num circuito de pouco mais de 3 Km. Além disso, o Sonic ganhou diversas traquitanas para completar a brincadeira.


Fazendo um exercício de memória, eu me lembrei deste comercial aqui da Chevrolet com o lançamento do Corsa 4 portas em 1997 (olha a idade), que me deixou de boca aberta. Até então eu nem sabia que existia um grupo chamado Stomp que fazia algumas maluquices sonoras parecidas, que inspirou essa excelente peça publicitária nacional.


Outra coisa mais ou menos nessa linha é esse francês doidão que faz música com coisas inusitadas, o Michel Lauzière, como tocar Mozart com patins usando garrafas cheias d’água. Criatividade não tem limites!

 

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O futuro a Deus pertence

 

São Paulo (é o que tem para hoje) – Cada dia que passa parece mais que o ciclo do recordista de provas disputadas na Fórmula 1 está encerrado. Rubens Barrichello também dá sinais de que está se conformando com a ideia de que após 19 anos não irá mais sentar num cockpit para disputar uma corrida, o que soa um tanto quanto estranho. Ele mesmo disse que o futuro está em aberto, se tiver uma chance ele vai sorrir para ela e continuar porque é o que ama fazer e ama estar lá.

Mas o que resta é praticamente um milagre. A Hispania é a única equipe que ainda oferece uma chance, mas correr por correr não é – nunca foi – do feitio de Rubens. Seria uma despedida mais que melancólica assinar para correr tendo grandes chances de não terminar uma prova e, se terminar, ficar minutos e voltas atrás dos líderes, brigando com um carro que parece fadado ao fracasso.

Seria melhor que Barrichello aparecesse na prova de abertura desse ano, pedisse para dar a bandeirada, entregasse o troféu ao vencedor e roubasse a cena na Austrália como ex-piloto de F1 e fosse tocar a vida. E parece que isso se encaminha para um futuro um pouco mais favorável à reputação e ao nome construído desde 1993. Essa semana, a convite do amigo de longa data Tony Kanaan, Rubens foi dar umas voltas num carro da Fórmula Indy em Sebring, na Flórida (EUA).

Rubens testa carro da equipe KV Racing em Sebring, EUA

Rubens e Tony completaram 295 milhas em teste nesta segunda-feira (30) durante o treino dacategoria. Pilotando pela primeira vez o DW12, carro da equipe KV Racing onde Kanaan corre, Barrichello percorreu 155 milhas e ganhou elogios do “irmão”, que andou 140 milhas no primeiro dia de testes. Nesta terça-feira (31), os dois voltam a pilotar os carro #5 e #11, respectivamente, das 12h às 20h (horário de Brasília).

O que pode se tirar daí é que Barrichello, no ínicio a favor da esposa Silvana – contrária ao marido correr na Indy por conta da insegurança dos circuitos ovais, vai mudando de opinião e até vislumbra uma vaga na equipe do amigo, fazendo um caminho já percorrido com enorme sucesso por Emerson Fittipaldi e até Nigel Mansell, entre outros. E para a categoria seria ótimo ter um piloo do gabarito de Rubens em seus grids, mais que o contrário.

Vendo o sorriso de Rubens, pode-se dizer que claramente ele está realmente feliz com essa possiblidade, embora os olhos e a fala ainda demonstrem que ele sente muito a falta do ambiente onde esteve por uma vida. Rubinho ainda mantém a gana e uma grande parte dos reflexos necessários para continuar andando em alto nível por algum tempo apesar da idade. A experiência pode compensar isso.

Ele ainda quer a Fórmula 1, fato mais que compreensível. Todavia, nessa fase é melhor disputar alguma coisa sorrindo do que resmungando e sabendo que o fim será inevitável. Pois que antecipe esse fim e busque um recomeço onde se possa sorrir. E o futuro pode sorrir para Barrichello em outra Fórmula. Basta ele querer sorrir de volta.

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Dois homens entram, um homem sai

Bruno Senna assina com a Williams para a temporada 2012 da Fórmula 1

São Paulo (Fim de uma era?) – Bruno Senna assina com a Williams para a temporada 2012 da Fórmula 1. E, guardadas as proporções, 18 anos depois teremos um déjà-vu com um capacete amarelo num carro azul, claro que bem diferente dessa vez, do que aquele fatídico 1º de maio de 1994 em Ímola.

A notícia, que o competentíssimo Victor Martins publicou em seu blog e logo depois saiu no Grande Prêmio (e na Folha, e no Globo Esporte, e vai pipocando de site em site), sela o fim de uma era na categoria: Rubens Barrichello, após 19 anos, está na iminência de pendurar o capacete, salvo se acertar com a Hispania – o que seria um retrocesso estrondoso e o faria sair mais do que nunca pela porta dos fundos – ou se for chamado de última hora para substiruir algum piloto com febre ou com uma perna quebrada – o que também não lhe seria recomendável e nem digno.

Fato é que Bruno conseguiu sua vaga pelos patrocínios de Eike Batista, através de sua empresa petrolífera OGX, da Embratel e da Gilette, que deram os milhões necessários para que a Williams respirasse mais aliviada, o que é triste pela história da equipe. O bilionário mecenas já havia anunciado dias atrás via twitter que Senna correria na Williams, o que Bruno tratou de amenizar falando que negociava com a Lotus para ser reserva e andar nas sextas-feiras etc.

E Rubens bem que tentou correr atrás, quase do mesmo jeito que em 2009, quando dormiu na porta da fábrica e foi escolhido por Ross Brawn, que bateu o pé para o brasileiro defender o time – que seria campeão naquele ano – quando ele já tinha sido limado pela cúpula da Honda, que preferia… Bruno!

Mas não deu para Rubens. Pesou a favor do Senna-sobrinho que ele tem mais apelo publicitário e, teoricamente por ser mais jovem, tenha mais chances de evoluir e buscar uns pontos para o time de Grove, além da grana à tiracolo.

O anúncio é excelente para Bruno, que agora se firma na F1 (pelo menos nesse ano) depois de ter começado numa carroça chamada Hispania e de ter feito oito GPs irregulares pela Renault-Lotus – os dois primeiros ótimos e depois sumiu. Agora terá um tempo a mais para mostrar o que sabe.

Para Rubens, isso praticamente sela sua passagem de longos 19 anos pela F1, que lhe deu tudo, que ele ama, mas que quem está nela já não o ama mais. Por mais que ele diga que ainda tem lenha para queimar e em termos de pilotagem não deva nada a maioria do grid de 2012, talvez seja mesmo a hora de parar.

Nada irá apagar o brilho das vitórias, os vice-campeonatos, os números acumulados, a regularidade nos resultados, as belíssimas provas, o carisma, o respeito de todos – todos – do circo e da imensa maioria da imprensa mundial. Mas, visto que ninguém preza pelos seus serviços mais, é chegado o momento de deixar o palco onde brilhou para que os outros possam brilhar.

É triste, mas é a realidade do mundo, o velho sai para entrar o novo e assim segue a vida.

Depois do acidente de Senna, aprendemos a torcer para Rubens, que carregou (e aceitou carregar) o peso de ser um novo ídolo, o que nunca foi; talvez por isso tenha sido execrado pelos brasileiros pachecos que pateticamente desistiram de ver F1. Só houve um Ayrton e só existe um Rubens.

Como fã de Barrichello que sou, confesso que será no mínimo estranho não ver mais o nome dele no grid. Essa vaga não será preenchida tão cedo.

Rubens Barrichello ainda não acertou vaga na F1 e pode se despedir da categoria

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Fórmula + (2)

São Paulo (Formulinha) – Hoje, logo mais às 19h, a Fórmula + tem seu lançamento no Kartódromo da Granja Viana, com uma surpresinha excelente: os pilotos interessados na nova categoria poderão experimentar o carro e dar umas voltas no monoposto. Basta levar macacão e capacete.

A iniciativa parte de pessoas que realmente entendem do assunto e que se importam com todo o coração pelo automobilismo brasileiro: os irmãos Binho e Paulo Carcasci. Abaixo você confere um vídeo com as explicações técnicas e o convite feito pelo Paulo. O segundo vídeo é o clipe com algumas entrevistas dos organizadores e participantes.

E aqui você pode ver mais vídeos da categoria, com entrevistas de pilotos e demais entusiastas. Vale muito a pena dar uma olhadinha!

Desejamos todo o sucesso à Fórmula +!

 

 

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Entressafra

Lúcio, zagueiro, foi ídolo no Bayern de Munique

São Paulo (das Ende?) – Lendo o site do jornal alemão Bild, deparo-me com uma matéria falando sobre a diminuição do contingente de brasileiros no futebol germânico. E, por alguma razão, não me causou espanto.

O artigo mostra algumas estatísticas e cita jogadores brasileiros que chegaram com pompa e alarde à Bundesliga e fracassaram na mesma proporção. E aponta alguns fatores, já conhecidos de todos na terra brasilis.

Foram 122 futebolistas brazucas desde 1964, quando a liga recebeu o primeiro deles (Zezé, no Colônia). Atualmente são apenas 17 brasileiros jogando na Alemanha e o número tende a cair mais.

Elber também encantou os bávaros com seus gols

Elber também encantou os bávaros com seus gols

Presidentes de grandes clubes afirmam que o mercado para o Brasil está morrendo e que o caminho é apostar em jovens alemães ou comprar e complementar a equipe com alguns dos melhores jogadores europeus.

Motivos? Um deles é o idioma. Não é nada fácil aprender alemão, mas mesmo assim, falta vontade de aprender.

Grupo. Onde quer que os brasileiros joguem em uma equipe, eles passam o tempo livre juntos, isolando-se de outros jogadores.

Falta clareza nas negociações. Atualmente jogadores são como uma pizza: cada fatia é de um grupo ou empresário diferente, emperrando a transação.

Dedé jogou 13 anos no Borussia Dortmund

Dedé jogou 13 anos no Borussia Dortmund

Adaptação. Brasileiros demoram muito para se adaptar, raramente conseguindo atingir seu máximo no primeiro ano.

Finanças. Os brazucas estão custando caro e pedindo alto. O mercado aqui cresceu e se pode ganhar bem no Brasil.

Novos mercados. A Ásia e a Arábia estão atraindo mais investimentos pelo retorno. E os brasileiros estão diminuindo em quantidade no mercado europeu em geral. É só fazer as contas.

Traçando um paralelo com o que acontece aqui atualmente, o futebol virou um mero balcão de negócios. Está aí a Copa São Paulo de Futebol Júnior que não me deixa mentir.

André Lima - € 3,5 milhões e só um gol em 10 jogos

André Lima - € 3,5 milhões e só um gol em 10 jogos

Há muito tempo esse torneio deixou de revelar craques. Quase 100 times, com moleques que mal têm o que comer no caminho enfrentando outros que têm psicólogo e até assessor de imprensa. E todos vistos como gado, para serem vendidos e encher o bolso dos atravessadores. O moleque é jogado aos tubarões, mal sabe se virar sozinho e é vendido para fora de qualquer jeito para dar lucro aqui, fracassando perante seus empregadores e ratificando essa visão que os gringos têm dos brasileiros.

Não que ganhar dinheiro com a venda de jogadores seja errado, pelo contrário. O capitalismo está aí para dar lucro a quem faz negócios, e tem muita gente de bem trabalhando para ganhar o pão de cada dia.

Mas será que dessa Copinha irá sair algum craque que valha a pena ser contatado para jogar nos gramados de um dos países top do mundo atualmente?

Bernardo (esq.) fez só seis jogos no Bayern em 1991

Bernardo (esq.) fez só seis jogos no Bayern em 1991

Será que os germânicos vão querer investir num jogador que, via de regra, é desagregador, que não tem base cultural, que não quer aprender, que custa caro, que tem pessoas inescrupulosas por trás e mais um monte de más qualidades?

Andei vendo alguns jogos da edição 2012 da Copinha e é triste ver o baixo nível e a falta de propósito com a formação de um jogador, um craque, um cidadão. Isso é um apontador do que se trata a matéria do Bild.

O futebol brasileiro está numa descendente há tempos. Assim como o automobilismo de base e outras coisas. Mas isso, infelizmente, já não me espanta, dado o nível dos dirigentes e dos que detêm o poder (e de alguns jogadores que se sujeitam a isso também). O que me espanta é que parece que isso vai demorar muito a mudar. E aí é tarde demais.

Alex Alves (dir.), ao lado de Marcelinho Paraíba, colecionou mais polêmicas que gols

Alex Alves (dir.), ao lado de Marcelinho Paraíba, colecionou mais polêmicas que gols

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Véri gúdi

São Paulo (Impagável) – E a Pepsi me lança esse comercial soberbo com o “papai” Joel Santana, esse ser folclórico que faz do limão uma lemonade.

Sério candidato a ser o melhor do ano. Vai ganhar algum prêmio, sem dúvida. Será que a Coca-cola irá fazer a contra-ofensiva como nos velhos tempos? Seria divertido…

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