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Ville de Montréal (2)

São Paulo (nunca antes na história…) – Como todo jornalista, torci para a Fórmula 1 ver seu sétimo vencedor diferente em sete provas disputadas nesta temporada, feito inédito na história. E foi o que aconteceu, para deleite de todos os profissionais de comunicação que tinham a manchete pronta desde a etapa passada, quando Webber sagrou-se vencedor em Mônaco. Hamilton, que foi ao pódio nas três primeiras etapas, apresentou sua melhor pilotagem no Canadá – palco de seu primeiro triunfo na categoria – e conquistou sua 18ª vitória, embolando de vez o campeonato. Um prêmio pela regularidade.

Mas o resultado foi quase um roteiro de filme. Somente a sete voltas do fim que o maclariano conseguiu ultrapassar Alonso para assumir a ponta da corrida e da tabela de pontos. E o espanhol, que começou a toda, não deixando Vettel – que largara na pole position – escapar da sua alça de mira, caçando o alemão e liderando a prova numa estratégia ousada de uma parada, viu de longe o triunfo do desafeto. A Ferrari se deu mal e Fernando, de líder, em seis voltas perdeu a vantagem que tinha por causa dos pneus já na lona e ficou com o quinto lugar. Vettel, que é inteligente, viu que ia ficar penando como o espanhol se ficasse abusando dos pneus, parou, trocou os calçados e foi buscar Alonso de novo, passando o ferrarista no finalzinho. O tedesco sabe que qualquer pontinho é importante nessa temporada e tratou de se manter entre os ponteiros.

Já Massa largou bem e vinha com vontade, agressivo, mas rodou sozinho quando era 5º colocado e estava no encalço de Webber (a menos de um segundo) e acabou com suas chances. Tem certas pistas que não casam com pilotos e vice-versa. No Canadá, Felipe nunca chegou a subir no pódio, tendo um 4º lugar como melhor resultado quando ainda corria pela Sauber. Montezemolo vai ter de ter paciência de monge tantas foram as chances e palavras de ajuda para o brasileiro. Após a prova, em entrevista aos jornalistas brasileiros, admitiu: “Foi uma cagada”. Foi mesmo, mas há de se ressaltar que ele andou bem todo o fim de semana, foi aguerrido e ainda lucrou um pontinho para o time depois de tudo isso. O outro brasuca, Bruno Senna, ficou em 17º, pífio, para não dizer outra coisa. Maldonado foi menos pior, 13º, mas a Williams deu um passo para trás na ilha de Notre-Dame. Espero que seja só um lapso.

Outro apagado foi Button, que em mais uma corrida péssima, deu adeus às chances de título. Venceu no começo do ano e só. Em Montreal, contentou-se em completar a corrida. Webber, depois da vitória na última etapa, foi coadjuvante, mas andou bem. Rosberg deu trabalho pra todo mundo e fez uma prova digna. Schumacher, coitado, de sortudo nos tempos ferraristas, virou abóbora na Mercedes. Abandonou com uma asa móvel que não se movia, abriu na reta e lá ficou, paradona. É aquela coisa de equipamento de meio milhão de euros que precisa ser consertado na marreta.

Mas a surpresa da etapa foi um pódio com Grosjean e Pérez. Fantástico. Sempre é boa uma prova assim, com essas coisas inesperadas acontecendo no final. Lotus e Sauber são duas equipes que sabem cuidar da borracha maluca da Pirelli, coisa que a Ferrari não faz, destruindo os pneus. Checo e Romain, que já conheciam os compostos italianos da época de GP2, fizeram uma parada só e andaram muito rápido depois mesmo com pneus desgastados. E aí viu-se no pódio coisa que há tempos não acontecia, de pilotos comemorando muito o segundo e terceiro lugares. A festa da champanhe foi bacana de se ver.

A prova teve outras coisas legais, com umas ultrapassagens mais rebuscadas e umas disputas por segundos nos boxes, que, como são mais curtos nessa pista, não deixam perder tanto tempo para quem para. Hamilton ultrapassou Alonso assim. O espanhol não conseguiu abrir tanta vantagem depois da parada de Lewis e entrou para fazer a sua com uma janela apertada. Voltou na frente, mas de pneus frios, tomou um passão por fora do inglês. Kobayashi não foi tão mito dessa vez, mas virou a nêmesis de Schumacher. Toda prova eles se acham em algum momento não importa a ordem, mas sempre sai uma faísca boa ou ruim.

E quem diz que não tem emoção na F1, que vá assistir golfe ou pólo a cavalo. A categoria está em voga de novo porque sabe se reinventar. Prova disso é que agora o campeonato fica com todo mundo meio junto na tabela: Hamilton com 88, Alonso com 86, Vettel com 85, Webber com 79 e Rosberg com 67. E com Lotus e Sauber no pódio, aumenta a lista de possíveis vencedores nos próximos Grandes Prêmios. Mesmo assim, acho que o título vai se desenhando para os três primeiros aí em cima, salvo se alguém encaixar umas vitórias e pódios que possam mudar esse panorama. E não acredito em mais um vencedor diferente, entretanto, fica complicado fazer alguma previsão.

O próximo GP é em duas semanas nas ruas de Valência, na Espanha. É uma corrida mais legal pela paisagem que pelo circuito, mas esperemos os treinos para apontar uma ou outra luz nesse campeonato doido. Vai ser brigado até o Brasil.

 

Resultado final – GP do Canadá:

1º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 40 voltas em 1h32min29s586
2º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 2s5
3º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 5s2
4º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 7s2
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 13s4
6º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 13s8
7º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 15s0
8º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 15s5
9º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 24s4
10º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 25s2
11º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 37s6
12º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 46s2
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 47s0
14º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 1min04s4
15º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
16º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 1 volta
17º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 1 volta
18º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 1 volta
19º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
20º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 3 voltas

Não completaram:
Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), na volta 69
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), na volta 43
Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), na volta 34
Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), na volta 32

Fotos: Nextgen-auto.com

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Commonwealth of Australia (3)

São Paulo (like a boss) – E a Austrália marcou a abertura dos trabalhos de 2012 da F1 com cara de GP da Austrália. Uma corrida interessantíssima do começo ao fim, e que final. Valeu ter ficado acordado na madrugada para ver essa prova.

Jenson Button, o lorde, venceu magnificamente – pela 13ª na carreira e 3ª na terra do canguru, colocou Lewis Hamilton no bolso e mostrou que a McLaren tem grandes chances de ser o carro da vez. Pulou na frente na largada e da frente não saiu até ver a bandeira quadriculada depois de 58 giros pelo circuito de Albert Park, em Melbourne. E como guia esse rapaz, dá até raiva. Raiva que ficou estampada na cara de nojinho de Lewis quando recebeu seu troféu de terceiro lugar no pódio. Agora a equipe de Ron Dennis já mostra seus dentes à  Red Bull, que vai ter trabalho para segurar os prateados

Button celebra sua vitória magistral em Albert Park

A Red Bull já não está mais com essa bola toda, parece que o carro sem degrau no bico da McLaren é melhor que o projeto de Adrian Newey e sua misteriosa entrada de ar, mas Vettel comseguiu um ótimo segundo lugar, comemorado com verdadeira alegria porque o alemãozinho sabe a importância de cada ponto quando não se tem o melhor carro. Webber, em casa, foi ensanduichado na largada e teve dificuldades ao longo da prova, mas levou seu carro a um bom 4º lugar.

A Ferrari já vai trabalhando em Maranello num novo carro, porque esse começou errado e não vai a lugar algum. Alonso é um herói por conseguir pilotar uma trapizonga horrível, levando a carcaça vermelha ao 5º lugar. Fernandito sim tem justificativas para ficar de cara amarrada. Felipe, ah, Felipe… Vinha andando honestamente, fez uma ótima largada pulando para P10 quando o a borracha acabou, aí parou e a Ferrari o mandou de volta à pista com pneus macios novamente, obrigando-o a parar de novo quando chegou na lona. Aí, no final, se enroscou com Bruno Senna e ambos foram prejudicados.

Massa quebrou alguma coisa além do bico no carro e Bruno foi para a brita com um pneu furado. Felipe abandonou logo depois e Senna também recolheu, preferindo poupar o carro que estava superaquecendo por causa das pedras no radiador do que forçar o equipamento lutando por migalhas. E o primeiro-sobrinho quase capotou na primeira curva, sendo abalroado por meio mundo. Vinha de último e fazia uma corrida de recuperação, mas minimizou o acidente, dizendo que era coisa de corrida, o que Felipe confirmou pouco depois.

Bruno Senna é abalroado na primeira curva

Maldonado com a outra Williams vinha fazendo uma corrida sensacional. Largou bem, deu um chega-pra-lá em Grosjean – que teve de abandonar após a batida que quebrou a suspensão dianteira – e vinha dando um calor em Alonso, lutando pela quinta posição quando na última volta colocou uma roda na grama e escapou, dando de frente no muro. Fim de prova para o venezuelano que perdeu seu melhor resultado na F1. Frank Williams vai mandar a conta para Hugo Chávez. Deve ter dado saudade de Barrichello nessa hora.

Com isso, Kamui Kobayashi herdou o sexto lugar, merecido para quem fez uma prova excelente. O MITO veio lutando contra pneus desgastados, controlando as saídas de traseira da Sauber e terminou o GP com as asas dianteira e traseira quebradas. E deu trabalho para todo mundo, vendendo caro ultrapassagens, dando “X” em Rosberg, ultrapassando com arrojo onde dava. Corridaça. E o “chico” Pérez largou em último e na sétima volta já era o 10º. Terminou em 8º, muito bom resultado. Está bem servida de pilotos a Sauber, que parece ter um carro bem melhor do que os treinos mostraram.

O 7º lugar ficou com Kimi Raikkonen, que resolveu falar por rádio tudo o que não fala nas entrevistas. Coitado do engenheiro, que vai ter de ouvir o finlandês reclamando de tudo e de todos mais 19 vezes no ano. Mas o Iceman fez uma belíssima prova em sua reestreia na categoria, nem parece que ficou dois anos fora. E deu uns pontinhos à Lotus de quebra.

Vitaly Petrov abandona sua Caterham no meio da reta

Ricciardo de Toro Rosso e Di Resta com a Force India fecharam a zona de pontos, bom para os dois, que largaram no fundão e evitaram as confusões. O australiano da Toro Rosso conseguiu ser o melhor estreante e de quebra levou dois pontinhos. E Rosberg vinha fazendo uma excelente corrida até a última volta, quando teve um pneu furado pelos destroços da Williams de Maldonado, finalizando em 12º. Schumacher abandonou com problemas de câmbio quando estava indo bem. Triste para o heptacampeão, que voltou a sorrir com o carro bem feitinho que a Mercedes deu para ele. Esperava-se mais nessa corrida. Eu inclusive apostei num pódio, mas se tudo der certo, a Mercedes será uma presença constante na frente nas próximas corridas, incomodando McLarens e Red Bulls.

E as duas Marussia conseguiram completar a prova sem muitos sustos com o bom e sub-aproveitado Glock e o estrante Charles Pic. Já são melhores que as Caterham, que ficaram pelo caminho. Primeiro com Petrov, que parou no meio da reta principal e causou a entrada do Safety Car – inclusive com um caminhão de resgate acelerando tudo na reta para rebocar o carro do russo, causando a cena engraçada do fim de semana. E depois teve Kovalainen, que também abandonou.
 

Pintou o campeão?

O que se tira desse (excelente) GP da Austrália de 2012 é que a briga do ano será entre McLaren e Red Bull, com eventualmente alguém aparecendo entre eles, mas arrisco-me a dizer que a briga pelo título dificilmente escapará dessas equipes e seus pilotos. A McLaren não tem degrau no bico nem polêmica de duto como a Mercedes e a Red Bull tem um carro bom e um piloto bicampeão, que é arrojado e competente. Vettel, inclusive, soube aproveitar muito bem a hora de parar, estava no lugar certo quando o Safety Car deu as caras. Rola um favoritismo no ar, sem dúvida, mas Melbourne costuma não mostrar 100% as tendências. Nesta temporada, o grupo de pilotos está muito forte, tem muita gente de alta qualidade.

Jenson é um lorde, inteligentíssimo e extremamente competente em corridas com sua capacidade ímpar de cuidar do desgaste dos pneus como se fossem feitos de cristal caro. Lewis terá trabalho. Jenson já conseguiu impor um castigo moral duríssimo na primeira batalha, inclusive soltando um “Welcome 2009” pelo rádio após receber a bandeirada final, indicando que veio com tudo para vencer. E Hamilton é um sujeito com psicológico frágil, que se abala facilmente. Se não andar na frente nos próximos treinos e corridas, tem grandes chances de se afundar no próprio ímpeto como aconteceu ano passado.

Alonso fez o que se espera dele e um pouco mais. Schumacher ressurgiu mas não apareceu na corrida, uma pena. E o legal disso tudo é que, na temporada que teve o maior número de campeões mundiais no grid, os três últimos subiram ao pódio, com cinco deles terminando na zona de pontos. A próxima corrida será na Malásia, dia 25, daqui a uma semana, onde teremos uma real noção do embate entre as equipes. Aí poderemos ir definindo mais um pouco quem será o homem e o carro a ser batido.

Classificação final – GP da Austrália:
1º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 58 voltas (2 paradas)
2º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 2s1 (2)
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 4s0 (2)
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 4s5 (2)
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 21s5 (2)
6º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 36s7 (2)
7º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 38s0 (2)
8º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 39s4 (1)
9º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 39s5 (3)
10º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 39s7 (2)
11º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 39s8 (2)
12º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 57s6 (2)
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a uma volta (2)
14º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a uma volta (2)
15º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a cinco voltas (4)
16º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a seis voltas (4)

Não completaram:
Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 12 voltas (4)
Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 20 voltas (4)
Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 24 voltas (1)
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 48 voltas (1)
Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 57 voltas (0)
Nico Hülkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 58 voltas (0)

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O futuro a Deus pertence

 

São Paulo (é o que tem para hoje) – Cada dia que passa parece mais que o ciclo do recordista de provas disputadas na Fórmula 1 está encerrado. Rubens Barrichello também dá sinais de que está se conformando com a ideia de que após 19 anos não irá mais sentar num cockpit para disputar uma corrida, o que soa um tanto quanto estranho. Ele mesmo disse que o futuro está em aberto, se tiver uma chance ele vai sorrir para ela e continuar porque é o que ama fazer e ama estar lá.

Mas o que resta é praticamente um milagre. A Hispania é a única equipe que ainda oferece uma chance, mas correr por correr não é – nunca foi – do feitio de Rubens. Seria uma despedida mais que melancólica assinar para correr tendo grandes chances de não terminar uma prova e, se terminar, ficar minutos e voltas atrás dos líderes, brigando com um carro que parece fadado ao fracasso.

Seria melhor que Barrichello aparecesse na prova de abertura desse ano, pedisse para dar a bandeirada, entregasse o troféu ao vencedor e roubasse a cena na Austrália como ex-piloto de F1 e fosse tocar a vida. E parece que isso se encaminha para um futuro um pouco mais favorável à reputação e ao nome construído desde 1993. Essa semana, a convite do amigo de longa data Tony Kanaan, Rubens foi dar umas voltas num carro da Fórmula Indy em Sebring, na Flórida (EUA).

Rubens testa carro da equipe KV Racing em Sebring, EUA

Rubens e Tony completaram 295 milhas em teste nesta segunda-feira (30) durante o treino dacategoria. Pilotando pela primeira vez o DW12, carro da equipe KV Racing onde Kanaan corre, Barrichello percorreu 155 milhas e ganhou elogios do “irmão”, que andou 140 milhas no primeiro dia de testes. Nesta terça-feira (31), os dois voltam a pilotar os carro #5 e #11, respectivamente, das 12h às 20h (horário de Brasília).

O que pode se tirar daí é que Barrichello, no ínicio a favor da esposa Silvana – contrária ao marido correr na Indy por conta da insegurança dos circuitos ovais, vai mudando de opinião e até vislumbra uma vaga na equipe do amigo, fazendo um caminho já percorrido com enorme sucesso por Emerson Fittipaldi e até Nigel Mansell, entre outros. E para a categoria seria ótimo ter um piloo do gabarito de Rubens em seus grids, mais que o contrário.

Vendo o sorriso de Rubens, pode-se dizer que claramente ele está realmente feliz com essa possiblidade, embora os olhos e a fala ainda demonstrem que ele sente muito a falta do ambiente onde esteve por uma vida. Rubinho ainda mantém a gana e uma grande parte dos reflexos necessários para continuar andando em alto nível por algum tempo apesar da idade. A experiência pode compensar isso.

Ele ainda quer a Fórmula 1, fato mais que compreensível. Todavia, nessa fase é melhor disputar alguma coisa sorrindo do que resmungando e sabendo que o fim será inevitável. Pois que antecipe esse fim e busque um recomeço onde se possa sorrir. E o futuro pode sorrir para Barrichello em outra Fórmula. Basta ele querer sorrir de volta.

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Foi-se

Marcos, goleiro do Palmeiras anuncia aposentadoria

Valeu, Marcão!

São Paulo (Fim de uma Era) – Acabou. O goleiro Marcos se aposenta dos relvados. O São Marcos de tantas defesas cansou de fazer milagres debaixo das metas palmeirenses, o corpo cansou, a idade pesou, o coração doeu, mas o adeus veio.

Não adianta, isso será falado em qualquer noticiário hoje, essa semana, o ano todo. Com especiais. Com melhores lances (haja tempo), defesas incríveis (haja coração), cenas bisonhas (haja memória), entrevistas (haja paciência) e muitas lembranças (haja lenço), boas e ruins.

Marcos Roberto Silveira Reis, nascido em 4 de agosto de 1973 em Oriente, cidadezinha no interior de São Paulo, fez sua estreia pelo Palmeiras em 16 de maio de 1992. Desde então só deixou seu clube para defender a camisa do Brasil. E agora, quase 20 anos depois, deixa o gramado para entrar na história do futebol.

E entra pela porta da frente.

Para este jornalista, fica a satisfação de ter acompanhado contemporaneamente a trajetória deste goleiro fantástico. Sujeito de sorriso fácil, Marcos fala o que pensa. O que é raríssimo nesse meio.

Marcos é da espécie de futebolista que consegue arraigar simpatia até mesmo dos torcedores de agremiações arqui-rivais. E com ele, essa espécie está extinta.

Mesmo defendendo um pênalti e elminando meu time do coração de uma Libertadores, não consigo ter raiva dele. E é difícil achar algum torcedor que, mesmo sabendo da identificação dele com o clube alviverde, não o quisesse defendendo as metas do seu time, seja qual for.

Talvez porque sua humildade, o jeito falastrão e desencanado, o ar caipira, o aproximassem do povo da arquibancada de maneira ímpar.

Talvez pelo pentacampeonato mundial com o Brasil em 2002, onde saiu injustamente com o título de segundo melhor goleiro da Copa, quando era notoriamente o melhor.

Talvez por falar a verdade e soltar o verbo nos companheiros que não se esforçavam tanto quanto ele. Talvez por recusar uma proposta de ir jogar na Europa e demonstrar seu amor ao clube e à torcida. Talvez por arrancar risadas com suas histórias e seu jeito de ser em cada entrevista. Talvez por tomar um cafezinho desdenhoso durante uma partida. Talvez por jogar seguidamente com dores. Por jogar de corpo e alma.

Talvez, por tudo isso e mais um pouco, que não consigo explicar.

A notícia triste da aposentadoria do campeão foi anunciada pelo gerente de futebol do Palmeiras, César Sampaio, após a reapresentação da equipe nesta tarde de quarta-feira, na Academia de Futebol.

São Marcos pendura as luvas aos 38 anos. É cedo. Vai deixar aquela vontade de ver mais um jogo, mais uma defesa, mais uma vez os joelhos na grama e os dedos levantados.

Mas é o suficiente. 20 anos de Palmeiras, 530 jogos, 13 títulos e uma estrelinha a mais na camisa canarinho são apenas um resumo do que foi a ‘Era Marcos’ no futebol do Brasil.

Será lembrado sempre como um dos grandes, um dos gigantes, um dos maiores, no hall da fama dos craques que desfilaram nos gramados tupiniquins. Que fez da camisa 12 a titular.

O jogador para, mas o ídolo é eterno. A figura é insubstituível.

Valeu, Marcão, foi uma honra ter visto você jogar. E vê se aparece para contar as histórias na TV, iremos sempre ouvir!

'SÃO MARCOS' DÁ ADEUS AOS GRAMADOS

'SÃO MARCOS' DÁ ADEUS AOS GRAMADOS

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Politicamente incorreto

Uma nota no Globo Esporte: “Rooney pega dois jogos de gancho por celebrar gols com palavrões”.

Pô, deixa o cara desabafar. Toma botinada 90 minutos a cada 4 dias e nem pode extravasar? Como tem gente chata no mundo…

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Recomeço

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