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Rubinho na Stock

São Paulo (palpiteiro) – Rubens Barrichello foi anunciado como novo membro da Equipe BMC Racing na Stock Car na última terça-feira, em evento no kartódromo da Granja Viana. Mas calma, ele não irá ser piloto da equipe e sim, consultor técnico.

Diretoria da BMC com Tuka, Galid, Barrichello e Ferreira no lançamento (Foto: Miguel Costa Jr/RF1)

O veterano piloto, recordista de participações na Fórmula 1 com 326 provas, fechou a parceria com a equipe da sua principal patrocinadora na Fórmula Indy e que terá como pilotos na categoria brasileira Tuka Rocha e Galid Osman. Rubinho irá passar sua experiência no automobilismo para ajudar os jovens pilotos da equipe em tudo que ele puder, mas como os calendários da Stock Car coincide em alguns momentos com o da Indy, o novo consultor só estará presente quando possível. Todavia ele deixou seu telefone para os dois fazerem um DDI a cobrar se necessário for.

Bacana a inciativa da BMC. Usa a experiência de um piloto altamente gabaritado, dá mais visibilidade à sua equipe, a Rubinho e aos dois pilotos, além de reforçar a imagem de empresa séria que veio com tudo investindo no automobilismo. E também aproveita para aproximar mais um pouco Barrichello da Stock Car, que ele mesmo admite ser uma opção para o futuro, quando estiver por parar com a carreira em monopostos.

A matéria completa está aqui, no Portal Oh!Men, do qual sou colunista/repórter/e-mais-alguma-coisa da seção de Esportes e Entretenimento. O portal é uma inciativa de amigos meus e vai indo muito bem, obrigado. Visitem lá, comentem aqui.

Rubens Barrichello, consultor técnico da BMC Racing, conversa com Tuka Rocha (Foto: Miguel Costa Jr/RF1)

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Existe amor para recomeçar

São Paulo (Essa fé que me faz otimista demais) – Com a confirmação de que Rubens Barrichello irá disputar a temporada toda da Fórmula Indy em 2012 pela KV Racing, equipe que tem como um dos pilotos seu “irmão” Tony Kanaan (o outro é E.J. Viso) e o ex-piloto Jimmy Vasser na cúpula, é mais ou menos como a galinha dos ovos de ouro que o veterano brasileiro será tratado pela Band, emissora que detém os direitos de transmissão.

A transferência de Rubens da Fórmula 1 para os carros da Indy veio em boa hora para todo mundo. A categoria precisava de uma chacoalhada para retomar a imagem arranhada, após ver seu novo projeto de ídolo Dan Wheldon falecer num trágico acidente, e o brasileiro conseguiu chamar a atenção de grande parte da mídia estadunidense com seus tempos de volta e a rápida adaptação ao carro e ao motor Chevrolet (novo também) em dois treinos – que viraram três – em fevereiro. A cúpula da equipe não teve outra alternativa a não ser encomendar à Dallara mais um carro para Barrichello, que andou muito próximo dos mais rápidos em todos os dias.

A experiência de 19 anos na F1 foi fundamental para isso num começo de ano em que todos os carros são novinhos em folha, após sete temporadas com o mesmo modelo. Por outro lado, Rubens vai ter de reaprender a andar com pneus frios e um carro mais arisco e sem ajuda eletrônica, já que na Indy não se tem cobertor aquecido de pneus e todo o mapeamento de motor e outrem que estava acostumado. Algo um tanto mais bruto e purista, mas desafiador, como ele gosta.

A vinda de um piloto respeitadíssimo por todos no segmento e com alta capacidade técnica é excelente para a Indy, que vai capitalizar como nunca em cima da imagem dele no Brasil. Nos últimos tempos Rubens vem gozando de uma boa imagem junto á mídia brasileira, em parte por causa de veículos e profissionais especializados defenderem o piloto, em parte por ele mesmo (méritos dele e de sua assessoria de imprensa) mudar o jeito como os outros o veem, o que dá o mote necessário para a Band comemorar como nunca esse achado para a emissora.

Novamente veremos uma idolatrização do piloto, que já tem idade e cabeça para saber o que fazer com essa mais nova exposição de sua figura. A torcida aqui já empunha bandeiras, torcendo para ele na prova que será disputada no Anhembi e a Band vai usar como nunca essa carta para hangariar fãs para a categoria mais famosa da sua grade automobilística. É uma nova chance, de ouro, que praticamente caiu do céu pelas mãos do anjo Tony. Poucos têm tal oportunidade na vida.

Barrichello mostra o macacão novo e o carro azul #8 no telão ao fundo para a temporada 2012 da Fórmula Indy (foto: Carsten Horst / Hyset.com.br)

O engraçado foi que no dia do anúncio oficial, a Globo, que sempre o deixou em evidência (às vezes negativa, é verdade), foi lá conferir a coletiva e deu alguns minutos para que ele falasse ao vivo no Globo Esporte, num bate-papo com Bruno Laurence e Thiago Leifert onde contou até como dobrou a esposa Silvana, contrária à ideia de correr em ovais. Já encerrando a conversa, Rubens dispara um apelativo “não me deixa, não. Me mostra de vez em quando”. Thiago respondeu educadamente que fariam o possível, mas a emissora não tem os direitos de transmissão. Pouco mais tarde, no Jornal Nacional, Rubens mereceu um destaque dos apresentadores que noticiaram sua ida para a Indy.

É com esse prestígio na mídia nacional (como mostra o espaço de sobra na emissora que acaba de perder um de seus trunfos para seu melhor produto de automobilismo) que a Bandeirantes vai se ancorar para promover seu novo ídolo. Na Globo, ele será lembrado se vencer ou se se acidentar. Na Band, será o novo rei. Até os integrantes do Pânico, que chegam à nova casa, devem poupá-lo de críticas negativas.

A nota triste para o jornalismo fica por conta da mesma Band, que sabia de antemão e não publicou nada, deixando equipes prontas para o anúncio oficial, num quase anti-exemplo de jornalismo. Ao invés do furo, que rege (ou deveria reger) o jornalismo, foi feito um evento arranjado, controlado pelos  interesses comerciais de quem detém o produto.

Na Band, Rubens será o melhor do melhor do mundo, haja visto que chega como o nome forte na Indy, agora sem Danica Patrick, que foi para a Nascar. Nome este, aliás, que atraiu os patrocínios necessários para viabilizar sua entrada, e até mesmo a presidência da Indy fez um esforço para facilitar a vinda do brasileiro. Com o apoio de Kanaan para fornecer o conhecimento técnico e ambientá-lo na nova empreitada, Barrichello deve sim lutar por pódios, como fez Nigel Mansell em 1993. A equipe KV Racing é uma ótima escolha para fornecer o necessário nesse objetivo.

Mesmo sem fazer uma despedida digna da Fórmula 1 como todos esperavam, após ter sido descartado (como foi Jarno Trulli) sem a menor cerimônia, Rubens conseguiu encontrar uma porta que foi aberta com obstinação, determinação e amor pelo que faz. Aos que achavam que ele estava acabado, o recado foi dado. Um recomeço aos 40 anos é digno de aplausos.

Rubens Barrichello, ao lado de Jimmy Vasser e Tony Kanaan (da esq. p/ a dir.) anuncia que irá correr na Indy pela KV Racing - foto: Carsten Horst / Hyset.com.br

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O futuro a Deus pertence

 

São Paulo (é o que tem para hoje) – Cada dia que passa parece mais que o ciclo do recordista de provas disputadas na Fórmula 1 está encerrado. Rubens Barrichello também dá sinais de que está se conformando com a ideia de que após 19 anos não irá mais sentar num cockpit para disputar uma corrida, o que soa um tanto quanto estranho. Ele mesmo disse que o futuro está em aberto, se tiver uma chance ele vai sorrir para ela e continuar porque é o que ama fazer e ama estar lá.

Mas o que resta é praticamente um milagre. A Hispania é a única equipe que ainda oferece uma chance, mas correr por correr não é – nunca foi – do feitio de Rubens. Seria uma despedida mais que melancólica assinar para correr tendo grandes chances de não terminar uma prova e, se terminar, ficar minutos e voltas atrás dos líderes, brigando com um carro que parece fadado ao fracasso.

Seria melhor que Barrichello aparecesse na prova de abertura desse ano, pedisse para dar a bandeirada, entregasse o troféu ao vencedor e roubasse a cena na Austrália como ex-piloto de F1 e fosse tocar a vida. E parece que isso se encaminha para um futuro um pouco mais favorável à reputação e ao nome construído desde 1993. Essa semana, a convite do amigo de longa data Tony Kanaan, Rubens foi dar umas voltas num carro da Fórmula Indy em Sebring, na Flórida (EUA).

Rubens testa carro da equipe KV Racing em Sebring, EUA

Rubens e Tony completaram 295 milhas em teste nesta segunda-feira (30) durante o treino dacategoria. Pilotando pela primeira vez o DW12, carro da equipe KV Racing onde Kanaan corre, Barrichello percorreu 155 milhas e ganhou elogios do “irmão”, que andou 140 milhas no primeiro dia de testes. Nesta terça-feira (31), os dois voltam a pilotar os carro #5 e #11, respectivamente, das 12h às 20h (horário de Brasília).

O que pode se tirar daí é que Barrichello, no ínicio a favor da esposa Silvana – contrária ao marido correr na Indy por conta da insegurança dos circuitos ovais, vai mudando de opinião e até vislumbra uma vaga na equipe do amigo, fazendo um caminho já percorrido com enorme sucesso por Emerson Fittipaldi e até Nigel Mansell, entre outros. E para a categoria seria ótimo ter um piloo do gabarito de Rubens em seus grids, mais que o contrário.

Vendo o sorriso de Rubens, pode-se dizer que claramente ele está realmente feliz com essa possiblidade, embora os olhos e a fala ainda demonstrem que ele sente muito a falta do ambiente onde esteve por uma vida. Rubinho ainda mantém a gana e uma grande parte dos reflexos necessários para continuar andando em alto nível por algum tempo apesar da idade. A experiência pode compensar isso.

Ele ainda quer a Fórmula 1, fato mais que compreensível. Todavia, nessa fase é melhor disputar alguma coisa sorrindo do que resmungando e sabendo que o fim será inevitável. Pois que antecipe esse fim e busque um recomeço onde se possa sorrir. E o futuro pode sorrir para Barrichello em outra Fórmula. Basta ele querer sorrir de volta.

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500 Milhas de Indianapolis, 100 anos e mil histórias

SÃO PAULO (unbelievable) – E depois tem gente que diz que automobilismo é chato… Em 2011 a prova mais tradicional do mundo do automobilismo comemora seus 100 anos. E como convém, a história é escrita de forma grandiosa, com personagens épicos, histórias reais gravadas com suor e sangue, com trajetórias de uma vida toda de trabalho que se encontram naquele lugar para sua apoteose, e outras trajetórias que ali nascem por algo de místico que acontece com esses lugares abençoados.

São 100 anos bem celebrados. Com uma corrida que nem em roteiro de filme seria tão bem escrita. São 500 milhas, ou, precisamente, 804.672 metros, num total de 200 voltas, com 4 curvas cada (800 curvas, portanto), num circuito oval – na verdade, retangular – que conserva uma histórica faixa de tijolos de sua pavimentação original na linha de chegada.

Pois bem. Nessas 500 milhas, o filme começa uma semana antes, com os treinos livres e classificatórios. Na Indy, segundo as regras (que eu discordo totalmente), quem se classifica é o carro, não o piloto. Foi o que aconteceu com Bruno Junqueira, piloto mineiro (fiz assessoria dele em 2010, na F-Truck) que está meio parado atualmente e foi lá só para correr a prova histórica, mas ficou só na saudade.

O mineiro acelerou e classificou um carro da AJ Foyt em 19º no grid, mas  Michael Andretti, que quis ser sabichão e foi incompetente, inscreveu um monte de carros e não classificou todo mundo porque dependia de Tony Kanaan para acertá-los. Daí foi lá e comprou a vaga por meio milhão de dólares, pondo Ryan Hunter-Reay no carro que o brasileiro classificou. É cruel? É. Ainda mais para o pobre Bruno, que passa pela mesma situação pela segunda vez em três anos. Se as regras permitem, fazer o quê? É até normal colocar um outro piloto da mesma equipe naquela vaga, mas de outra equipe, não me lembro de precedentes.

Mas vamos lá. Eis que o estreante em 500 milhas JR Hildebrand me aparece como líder da prova faltando poucas voltas para o fim. Situação dramática pela  estratégia arriscada, que poderia deixá-lo sem combustível para completar a prova. Era só sua  7ª corrida, sendo que seu melhor resultado fora um 10º lugar em São Paulo pouco menos de um mês antes. Em alguns minutos, a zebra passaria a fazer parte da história, iria levar uns milhões para casa, subiria no alambrado, beberia leite no pódio e ganharia um anel comemorativo igual aos três de Helio Castroneves. Mas Hildebrand só entrou para a história.

A vitória caiu no colo do birtânico Dan Wheldon, vencedor da Indy 500 em 2005 e que meses antes havia sido defenestrado da equipe Panther para dar lugar a… Hildebrand. Dan só conseguiu arrumar dinheiro e a vaga para correr esta prova apenas, quando o imponderável apareceu no templo sagrado do automobilismo estadunidense.

Já no cheiro do combustível, Hildebrand, que havia completado 799 curvas certas, pegou um retardatário antes da derradeira 800ª curva que lhe mostraria a bandeira quadriculada. E aí o rapaz quis passar por fora, caiu na sujeira da pista e achou o muro. Inacreditável. Na última curva da última volta, o cara bate no muro.

Wheldon vinha em segundo (terminou as últimas duas 500 Milhas nessa mesma posição) e acelerando, e não acreditou no que via. Mas conseguiu passar e receber a bandeirada em primeiro. Hildebrand, mesmo com 3 rodas, percebeu que ainda tinha alguma tração e, aproveitando a inércia, acelerou o resto do carro, se arrastando contra o muro para chegar em segundo.

O inglês, mesmo desempregado, ria de nervoso com a vitória que o deixava alguns milhões mais rico (novamente). Já o americano, chorava inconsolável pela oportunidade perdida, ainda tendo a temporada toda pela frente. Well done, Wheldon!

Um dia para entrar na história. Veja abaixo o vídeo da última volta. Sensacional!

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