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Entressafra

Lúcio, zagueiro, foi ídolo no Bayern de Munique

São Paulo (das Ende?) – Lendo o site do jornal alemão Bild, deparo-me com uma matéria falando sobre a diminuição do contingente de brasileiros no futebol germânico. E, por alguma razão, não me causou espanto.

O artigo mostra algumas estatísticas e cita jogadores brasileiros que chegaram com pompa e alarde à Bundesliga e fracassaram na mesma proporção. E aponta alguns fatores, já conhecidos de todos na terra brasilis.

Foram 122 futebolistas brazucas desde 1964, quando a liga recebeu o primeiro deles (Zezé, no Colônia). Atualmente são apenas 17 brasileiros jogando na Alemanha e o número tende a cair mais.

Elber também encantou os bávaros com seus gols

Elber também encantou os bávaros com seus gols

Presidentes de grandes clubes afirmam que o mercado para o Brasil está morrendo e que o caminho é apostar em jovens alemães ou comprar e complementar a equipe com alguns dos melhores jogadores europeus.

Motivos? Um deles é o idioma. Não é nada fácil aprender alemão, mas mesmo assim, falta vontade de aprender.

Grupo. Onde quer que os brasileiros joguem em uma equipe, eles passam o tempo livre juntos, isolando-se de outros jogadores.

Falta clareza nas negociações. Atualmente jogadores são como uma pizza: cada fatia é de um grupo ou empresário diferente, emperrando a transação.

Dedé jogou 13 anos no Borussia Dortmund

Dedé jogou 13 anos no Borussia Dortmund

Adaptação. Brasileiros demoram muito para se adaptar, raramente conseguindo atingir seu máximo no primeiro ano.

Finanças. Os brazucas estão custando caro e pedindo alto. O mercado aqui cresceu e se pode ganhar bem no Brasil.

Novos mercados. A Ásia e a Arábia estão atraindo mais investimentos pelo retorno. E os brasileiros estão diminuindo em quantidade no mercado europeu em geral. É só fazer as contas.

Traçando um paralelo com o que acontece aqui atualmente, o futebol virou um mero balcão de negócios. Está aí a Copa São Paulo de Futebol Júnior que não me deixa mentir.

André Lima - € 3,5 milhões e só um gol em 10 jogos

André Lima - € 3,5 milhões e só um gol em 10 jogos

Há muito tempo esse torneio deixou de revelar craques. Quase 100 times, com moleques que mal têm o que comer no caminho enfrentando outros que têm psicólogo e até assessor de imprensa. E todos vistos como gado, para serem vendidos e encher o bolso dos atravessadores. O moleque é jogado aos tubarões, mal sabe se virar sozinho e é vendido para fora de qualquer jeito para dar lucro aqui, fracassando perante seus empregadores e ratificando essa visão que os gringos têm dos brasileiros.

Não que ganhar dinheiro com a venda de jogadores seja errado, pelo contrário. O capitalismo está aí para dar lucro a quem faz negócios, e tem muita gente de bem trabalhando para ganhar o pão de cada dia.

Mas será que dessa Copinha irá sair algum craque que valha a pena ser contatado para jogar nos gramados de um dos países top do mundo atualmente?

Bernardo (esq.) fez só seis jogos no Bayern em 1991

Bernardo (esq.) fez só seis jogos no Bayern em 1991

Será que os germânicos vão querer investir num jogador que, via de regra, é desagregador, que não tem base cultural, que não quer aprender, que custa caro, que tem pessoas inescrupulosas por trás e mais um monte de más qualidades?

Andei vendo alguns jogos da edição 2012 da Copinha e é triste ver o baixo nível e a falta de propósito com a formação de um jogador, um craque, um cidadão. Isso é um apontador do que se trata a matéria do Bild.

O futebol brasileiro está numa descendente há tempos. Assim como o automobilismo de base e outras coisas. Mas isso, infelizmente, já não me espanta, dado o nível dos dirigentes e dos que detêm o poder (e de alguns jogadores que se sujeitam a isso também). O que me espanta é que parece que isso vai demorar muito a mudar. E aí é tarde demais.

Alex Alves (dir.), ao lado de Marcelinho Paraíba, colecionou mais polêmicas que gols

Alex Alves (dir.), ao lado de Marcelinho Paraíba, colecionou mais polêmicas que gols

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Pelada

Se lá fora os comerciais de futebol são recheados de estrelas internacionais, superproduções e cachês astronômicos, aqui a Penalty mandou muito bem ao retratar o talento nacional anônimo. A bola rola do nosso jeito. Magnífico!

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Rei de Roma

SÃO PAULO (ó, Internacional) – Paulo Roberto Falcão voltou ao seu time do coração, o SC Internacional, em uma retomada de sua carreira como técnico de futebol. Porto Alegre e a nação colorada o saúda!

Mas que ninguém se esqueça do trabalho de Celso Roth que, mesmo contestado, deu mais uma libertadores aos gaúchos. Claro que a derrota para o Mazembe foi o começo de sua cova, mas a torcida deve ter muito respeito pelo trabalho de Roth.

O Inter de Falcão estreia neste sábado, pelo Gauchão, contra o Santa Cruz. Mas ainda vai levar um tempinho para o eterno craque configurar o grupo e o time à sua maneira.

Depois de 15 anos como comentarista na Rede Globo, Falcão levará para a beira do campo a sabedoria e a calma que adquiriu vendo o jogo de cima, da cabine de transmissão. Isso fará diferença, muita diferença. Falcão é um lorde no meio do futebol, tamanha sua educação, postura e sabedoria, algo que poucos profissionais desse meio conseguem. Falar bem e polidamente é relativamente fácil. Carpegiani, Geninho, Mano Menezes, Dorival Jr, Caio Jr, Parreira e até mesmo Felipão conseguem ser educados quando calmos. Mas é no gramado que a coisa muda de figura.

Falcão conseguirá colocar toda sua sapiência num grupo meio desgastado pela inconstância que vem apresentando nesses últimos meses? O ex-camisa 5 sabe que é preciso outra condução para esse grupo, com mudanças de comportamento, de estilo e de tática. Conseguirá o grupo assimilar Falcão? Sempre um técnico novo dá um ânimo novo num clube e seu elenco.

Ele diz que quer fazer um trabalho longevo e que voltou para bater recordes. Como Dunga, Falcão foi meio que jogado como técnico da Seleção Brasileira depois do fracasso da Copa de 90 (com Lazaroni no comando) e saiu um ano depois, também meio forçado, quase que brigado com o eterno cappo Ricardo Teixeira.

Pelas palavras acima, o novo técnico do Inter de Porto Alegre quer retornar em grande estilo como treinador. E vou mais longe.

Seu objetivo futuro é um retorno à Seleção Brasileira.

Não querendo queimar Mano, que mal começou seu trabalho. Bom trabalho, diga-se. Mas Mano não é eterno como treinador da amarelinha. E quando ele sair (depois da Copa 2014, espero. Ou depois das Olimpíadas de Verão de 2016; seria até melhor), creio que Falcão seja o substituto natural. Ricardo Teixeira tem alguns erros para reparar e esse é um deles.

O Rei de Roma, alcunha que ganhou quando jogava pelo time da cidade milenar, já dizia há alguns anos que queria voltar a ser técnico de futebol. Então só podemos desejar boa sorte e que Falcão faça um belo trabalho, galgado com toda sua sabedoria e experiência. E que siga o caminho natural até o posto mais alto de um técnico no Brasil. São poucos os capacitados atualmente para isso. E Falcão está entre eles.

Vida longa ao rei, pois!

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