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God save the Aussie

São Paulo (Mineirinho da Austrália) – Como a coluna dessa semana ainda não entrou no portal Oh!Men, to colocando aqui mesmo. Visitem o site, mas comentem aqui.

A chuva não castigou Silverstone como de costume. Em vez disso o sol brilhou e iluminou um piloto considerado até agora um azarão. Mark Webber garantiu sua segunda vitória no ano (sim, muita gente se esquece que ele faturou o GP de Mônaco) e vai trilhando um caminho que aponta para a disputa do título, como em 2010. Num campeonato maluco como esse, qualquer pontinho é importantíssimo e o mair regular vai chegar na frente. Por enquanto, a disputa vai se desenhando entre Hamilton, Alonso, Vettel e Webber que, como um autêntico mineirinho, vem discreto, comendo pelas beiradas e se arrumando seu lugar ao sol.

 

Neste GP da Inglaterra, a escolha de pneus foi fundamental. Fernando Alonso apostou numa estratégia que parecia ser a mais certa, largando com pneus duros e deixando os macios para o último stint, quando a pista ficaria mais emborrachada. Mas Webber fez o contrário, largando de macios e deixando os compostos mais duros para o final e, após uma parada antecipada nos boxes, o australiano chegou em Alonso e passou o líder do campeonato numa manobra magistral, por fora, para garantir a vitória e o segundo lugar na classificação de pilotos.

No entanto, na Red Bull o nome da vez ainda é Vettel, que, não fosse a quebra em Valência, estaria na frente do canguru. O alemãozinho continua como protegido dos rubrotaurinos e tem mais chances de faturar o tricampeonato do que Mark ganhar o seu primeiro, muito por conta da soma talento + juventude, mas também porque Webber deixou escapar a chance dois anos atrás. Mesmo assim, essa prova continua embolando o campeonato mais eletrizante dos últimos tempos e definindo a briga entre Red Bull, Ferrari e McLaren.

A Ferrari trabalhou bem e perdeu no detalhe, mas mostra que tem carro para brigar até o final depois de um começo de temporada desastroso. Prova disso é que além de manter Alonso na liderança mesmo com o segundo lugar, Felipe Massa conseguiu uma excelente quarta colocação na prova. O brasileiro se acertou com os pneus, seu maior problema desde o início do ano, e vem se entendendo com o carro. Além disso, mostrou confiança e arrojo, coisa que há tempos não acontecia, o que, por tabela, aumenta suas chances de se manter na scuderia em 2013. Tem todo motivo para comemorar.

O outro brasileiro, Bruno Senna, também fez uma ótima corrida e chegou nos pontos, mas precisa melhorar na classificação, que tem perdido constantemente para seu companheiro de garagem Pastor Maldonado. Pelo menos tem feito bem seu trabalho e parece que por hora vai afugentando o fantasma de Valtteri Bottas, piloto reserva que usa seu carro e que pode tomar sua vaga ano que vem. E o venezuelano foi o ponto fraco da corrida. Se achou com Sergio Pérez e acabou com a corrida do mexicano da Sauber numa manobra desastrada. A vitória na Espanha foi uma exceção na caminhada, ao que parece. É um dos pilotos que mais se envolvem em confusões ao longo dessa temporada.

Falando nisso, a outra Sauber, a do mito Kobayashi, protagonizou uma cena quase trágica, mas que felizmente não rendeu mais que um susto e uns hematomas. No ímpeto de ganhar uns décimos de segundo para chegar na zona de pontos, o japonês entrou com tudo nos boxes e atropelou seus mecânicos. Freou tarde demais, o carro travou na frente e deslizou no concreto pouco aderente dos novos boxes em Silvertone. Koba-san dá uma no cravo, outra na ferradura.

E ainda nessa linha, quem se deu mal foi a McLaren. Desempenho pífio correndo em casa. Hamilton em oitavo e Button em décimo é um resultado muito fraco. Jenson sumiu. Venceu uma vez, na estreia, na Austrália, e só tem feito corridas razoáveis. Já Lewis vem se esforçando como pode e se mantém entre os primeiros, mas o desempenho do time de Woking é de fazer cair o resto dos cabelos de Ron Dennis. A Ferrari trabalhou em três turnos e deu um carro praticamente novo para seus pilotos. A Red Bull pôs desconto nas latinhas de energético e financiou as mudanças certas para sua dupla. Só os prateados que acharam que iam melhorar o cenário sem fazer esforço e deixaram os titulares descansando nos testes de meio de temporada, em Mugello. Deu no que deu.

Até a Lotus conseguiu um saltinho de qualidade. Só Raikkonen que sofreu atrás de Massa, mas o quinto lugar foi bom para equipe, que vai pontuando e garantindo o bônus em dinheiro no fim do ano. Grosjean também fez uma bela prova, mesmo com a largada ruim, só que remou muito para se recuperar e conseguiu uns pontinhos, finalizando logo atrás do finlandês. A equipe é consistente e fez um ótimo carro, mas algo atrapalha ainda, como erros de estratégia, escolha de pneus, paradas em boxes…

E a Mercedes vai indo. Schumacher fez um bom sétimo lugar, mas parece pouco pelo que prometia. Ainda mais porque Rosberg ficou em 12º. Depois do pódio do queixudo em Valência, esperava-se mais. E o resto é o resto, completando a tábua de chegada sem surpresas.

Só lembrando que apenas Alonso e Webber ganharam duas vezes, mas como o australiano é azarão, será a maior surpresa do mundo caso ele venha a conquistar o campeonato, mesmo que ele esteja mostrando que pode fazer isso com os resultados até aqui. O estilo mineirinho dele, quem sabe, pode ser seu maior trunfo.

 

GP da Inglaterra – Resultado final

1º Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault) 1h25:11.288
2º Fernando Alonso (ESP/Ferrari) + 3.060
3º Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault) + 4.836
4º Felipe Massa (BRA/Ferrari) + 9.519
5º Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault) + 10.314
6º Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault) + 17.101
7º Michael Schumacher (ALE/Mercedes) + 29.153
8º Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) + 36.463
9º Bruno Senna (BRA/Williams-Renault) + 43.347
10º Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) + 44.444
11º Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari) + 45.370
12º Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes) + 47.856
13º Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari) + 51.241
14º Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari) + 53.313
15º Nico Rosberg (ALE/Mercedes) + 57.394
16º Pastor Maldonado (VEM/Williams-Renault) + 1 volta
17º Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault) + 1 volta
18º Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth) + 1 volta
19º Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth) + 1 volta
20º Pedro De la Rosa (ESP/HRT-Cosworth) + 2 voltas
21º Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth) + 2 voltas
22º Sergio Perez (MEX/Sauber-Ferrari) abandonou
23º Paul Di Resta (ESC/Force India-Mercedes) abandonou
24º Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault) abandonou

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Arquivado em automobilismo, Automobilismo Internacional, Formula 1