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Ville de Montréal (2)

São Paulo (nunca antes na história…) – Como todo jornalista, torci para a Fórmula 1 ver seu sétimo vencedor diferente em sete provas disputadas nesta temporada, feito inédito na história. E foi o que aconteceu, para deleite de todos os profissionais de comunicação que tinham a manchete pronta desde a etapa passada, quando Webber sagrou-se vencedor em Mônaco. Hamilton, que foi ao pódio nas três primeiras etapas, apresentou sua melhor pilotagem no Canadá – palco de seu primeiro triunfo na categoria – e conquistou sua 18ª vitória, embolando de vez o campeonato. Um prêmio pela regularidade.

Mas o resultado foi quase um roteiro de filme. Somente a sete voltas do fim que o maclariano conseguiu ultrapassar Alonso para assumir a ponta da corrida e da tabela de pontos. E o espanhol, que começou a toda, não deixando Vettel – que largara na pole position – escapar da sua alça de mira, caçando o alemão e liderando a prova numa estratégia ousada de uma parada, viu de longe o triunfo do desafeto. A Ferrari se deu mal e Fernando, de líder, em seis voltas perdeu a vantagem que tinha por causa dos pneus já na lona e ficou com o quinto lugar. Vettel, que é inteligente, viu que ia ficar penando como o espanhol se ficasse abusando dos pneus, parou, trocou os calçados e foi buscar Alonso de novo, passando o ferrarista no finalzinho. O tedesco sabe que qualquer pontinho é importante nessa temporada e tratou de se manter entre os ponteiros.

Já Massa largou bem e vinha com vontade, agressivo, mas rodou sozinho quando era 5º colocado e estava no encalço de Webber (a menos de um segundo) e acabou com suas chances. Tem certas pistas que não casam com pilotos e vice-versa. No Canadá, Felipe nunca chegou a subir no pódio, tendo um 4º lugar como melhor resultado quando ainda corria pela Sauber. Montezemolo vai ter de ter paciência de monge tantas foram as chances e palavras de ajuda para o brasileiro. Após a prova, em entrevista aos jornalistas brasileiros, admitiu: “Foi uma cagada”. Foi mesmo, mas há de se ressaltar que ele andou bem todo o fim de semana, foi aguerrido e ainda lucrou um pontinho para o time depois de tudo isso. O outro brasuca, Bruno Senna, ficou em 17º, pífio, para não dizer outra coisa. Maldonado foi menos pior, 13º, mas a Williams deu um passo para trás na ilha de Notre-Dame. Espero que seja só um lapso.

Outro apagado foi Button, que em mais uma corrida péssima, deu adeus às chances de título. Venceu no começo do ano e só. Em Montreal, contentou-se em completar a corrida. Webber, depois da vitória na última etapa, foi coadjuvante, mas andou bem. Rosberg deu trabalho pra todo mundo e fez uma prova digna. Schumacher, coitado, de sortudo nos tempos ferraristas, virou abóbora na Mercedes. Abandonou com uma asa móvel que não se movia, abriu na reta e lá ficou, paradona. É aquela coisa de equipamento de meio milhão de euros que precisa ser consertado na marreta.

Mas a surpresa da etapa foi um pódio com Grosjean e Pérez. Fantástico. Sempre é boa uma prova assim, com essas coisas inesperadas acontecendo no final. Lotus e Sauber são duas equipes que sabem cuidar da borracha maluca da Pirelli, coisa que a Ferrari não faz, destruindo os pneus. Checo e Romain, que já conheciam os compostos italianos da época de GP2, fizeram uma parada só e andaram muito rápido depois mesmo com pneus desgastados. E aí viu-se no pódio coisa que há tempos não acontecia, de pilotos comemorando muito o segundo e terceiro lugares. A festa da champanhe foi bacana de se ver.

A prova teve outras coisas legais, com umas ultrapassagens mais rebuscadas e umas disputas por segundos nos boxes, que, como são mais curtos nessa pista, não deixam perder tanto tempo para quem para. Hamilton ultrapassou Alonso assim. O espanhol não conseguiu abrir tanta vantagem depois da parada de Lewis e entrou para fazer a sua com uma janela apertada. Voltou na frente, mas de pneus frios, tomou um passão por fora do inglês. Kobayashi não foi tão mito dessa vez, mas virou a nêmesis de Schumacher. Toda prova eles se acham em algum momento não importa a ordem, mas sempre sai uma faísca boa ou ruim.

E quem diz que não tem emoção na F1, que vá assistir golfe ou pólo a cavalo. A categoria está em voga de novo porque sabe se reinventar. Prova disso é que agora o campeonato fica com todo mundo meio junto na tabela: Hamilton com 88, Alonso com 86, Vettel com 85, Webber com 79 e Rosberg com 67. E com Lotus e Sauber no pódio, aumenta a lista de possíveis vencedores nos próximos Grandes Prêmios. Mesmo assim, acho que o título vai se desenhando para os três primeiros aí em cima, salvo se alguém encaixar umas vitórias e pódios que possam mudar esse panorama. E não acredito em mais um vencedor diferente, entretanto, fica complicado fazer alguma previsão.

O próximo GP é em duas semanas nas ruas de Valência, na Espanha. É uma corrida mais legal pela paisagem que pelo circuito, mas esperemos os treinos para apontar uma ou outra luz nesse campeonato doido. Vai ser brigado até o Brasil.

 

Resultado final – GP do Canadá:

1º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 40 voltas em 1h32min29s586
2º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 2s5
3º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 5s2
4º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 7s2
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 13s4
6º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 13s8
7º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 15s0
8º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 15s5
9º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 24s4
10º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 25s2
11º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 37s6
12º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 46s2
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 47s0
14º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 1min04s4
15º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
16º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 1 volta
17º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 1 volta
18º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 1 volta
19º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
20º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 3 voltas

Não completaram:
Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), na volta 69
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), na volta 43
Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), na volta 34
Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), na volta 32

Fotos: Nextgen-auto.com

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Zhōngguó (2)

São Paulo (Demorei!) – Queimei a língua. Nico Rosberg e sua Mercedes subiram no lugar mais alto do pódio na China, quem diria. Mas eu avisei que estava torcendo por um resultado como esse, visto que a pista em Xangai favorece os prateados alemães.

Eu não achava que a Mercedes fosse ganhar, mas ganhou. E parece que as coisas estão mudando um pouco nessa temporada. Nico, que pela primeira vez venceu na Fórmula 1, é o primeiro vencedor diferente em 3 anos, se não me engano desde Mark Webber em 2009, no GP da Alemanha. E, antes de entrarmos nos detalhes da prova, umas estatísticas dessa vitória de Rosberg: o alemão é o quinto piloto da história a ter demorado mais para ganhar sua primeira prova, que conseguiu somente após 111 GPs, atrás do australiano Mark Webber (130 GPs), do brasileiro Rubens Barrichello (124), do italiano Jarno Trulli (117) e do inglês Jenson Button (113). Para aumentar a importância do feito, Nico também é apenas o segundo filho de campeão mundial a vencer uma corrida de Fórmula 1. Seu pai, o finlandês Keke Rosberg venceu o título em 1982. O outro foi Damon Hill, filho de Graham Hill, bicampeão em 1962 e 1968.

Três corridas, três vencedores diferentes, cada um de uma equipe. Esse triunfo do time de Ross Brawn põe mais pimenta no molho da F1 neste começo de temporada. A Mercedes deve brigar por mais do que pontos e é válido pensar que pode beliscar umas vitórias, já que a Red Bull não se achou ainda e a Ferrari vai sobrevivendo como pode. E a McLaren tá lá, aparecendo em tudo que é foto com seus dois pilotos e assim lidera as duas classificações. Hamilton, terceiro na prova, assumiu a ponta com 45 pontos e nenhuma vitória (foram três terceiros lugares). Button, segundo em Xangai, vem logo atrás com 43 pontos

Fato é que Nico soube aproveitar sua pole e largou bem, parando um pouco mais tarde que os outros por ter feito poucas voltas na classificação, tendo mais borracha para gastar num carro que devora pneus com fome de glutão. E deu sorte de ter Button e Hamilton largando lá atrás, senão a disputa pelo primeiro lugar seria bem mais intensa do que a aparente folga que os 20 segundos de vantagem para Jenson apontaram. Além disso, Button teve um probleminha num dos pit stops e voltou meio atrasado para a pista. Mesmo assim, não chegaria em Nico, que fez duas paradas contra três do time de Woking.

A McLaren parece ter até agora o carro mais forte do circo, mas vai ter de lidar com a luta interna entre dois campeões e que são novamente postulantes ao título. Liberar a briga entre seus pilotos é praxe na escuderia, só que isso pode se tornar uma vantagem para Rosberg, que claramente vislumbra uma luz. Que comemore muito enquanto pode e aproveite o bom momento para pontuar o máximo que der. Talento ele tem, e agora, também tem carro.

Seu companheiro, Schumacher, poderia igualmente ter feito uma boa prova, mas perdeu a corrida num erro de box, quando foi liberado antes da roda dianteira direita estar totalmente presa e teve de abandonar. Triste. Queria ver o heptacampeão de novo no pódio.

A Red Bull está claudicante, sentiu o golpe da proibição do difusor soprado e o carro ficou instável demais na parte traseira. Nem o “novo” escapamento velho de Vettel deu resultado satisfatório. É bom lembrar que a equipe austríaca vem com um novo pacote para a temporada europeia a partir de Barcelona, mas antes tem de se virar como pode no GP do Bahrein, no próximo domingo. Sebastian largou em 11º e vinha jantando todo mundo, até ser o 2º a duas voltas do fim, mas foi sendo ultrapassado e garantiu um 5º lugar ao menos, sofrendo com o desgaste de pneus. Webber achou que seu carro tinha asas e quis voar na zebra; quase conseguiu e chegou em 4º. É importante conseguir o máximo possível de pontos nesse começo antes de tentar dar a virada na Espanha.

Boa corrida também fez Grosjean, que conseguiu completar uma prova esse ano, 6º lugar para ele. Já Kimi Raikkonen apostou numa estratégia e não deu certo. De repente, perdeu 10 posições em duas voltas. A Lotus tem um bom carro, mas é bom ficar de olho com tantas chances perdidas. Eric Boullier que o diga; está perdendo cabelos com isso.

E a ótima suspresa do GP chinês foi a Williams, que fez um carro acertadinho e que casou muito bem com o motor Renault. Bruno Senna repetiu o bom desempenho da última prova e, com ultrapassagens arrojadas e muita vontade, fez um bom 7º lugar com consistência. Só que de novo se encontrou com Felipe Massa, dessa vez na largada. Deu sorte que o pedaço da asa dianteira que quebrou não fez muita falta. De lambuja ainda chegou na frente do companheiro Pastor Maldonado e vai se firmando como escolha certa da equipe. O venezuelano chegou uma posição atrás após um ótimo duelo com Alonso e fechou a conta para o time de Grove, com os dois carros nos pontos. Sir Frank Williams deve estar sorrindo até agora.

Por falar em Alonso e Massa, a cada dia constatamos que a vitória do espanhol foi mesmo mágica, quase um alinhamento interplanetário. A Ferrari é um Fiat 147. Não anda e quase atrapalha quem vem atrás. É de chorar. Fernando foi 9º e Felipe o 13º, o que mostra a real posição do time nesse início de campeonato. E o brasileiro ainda não pontuou. Ao menos o time acertou nas táticas de corrida (apenas duas paradas para Massa), mas o carro é imprevisível no comportamento, do dia para a noite ele muda a reação. O gato subiu no telhado para o time vermelho. Além de tudo isso, essa semana se confirmou na imprensa italiana que Sergio Pérez fará testes em Mugello no começo de maio, antes de Barcelona, na pré-temporada europeia. O óleo da fritura de Felipe vai se esquentando ao poucos…

Checo, por sua vez, merece um puxão de orelhas de Peter Sauber. Na hora que estava sendo ultrapassado por Kobayashi na reta quase jogou o companheiro pra fora da pista. O mexicando vem adando bem ultimamente, mas o segundo lugar não dá permissão para querer ser estrela da equipe. E o japonês decepcionou na corrida. Tinha gente apostando em pódio (este que vos escreve, inclusive), mas o 10º lugar pareceu muito pouco pelo que vinha sendo mostrado. A equipe tem um bom carro e uma boa dupla, mas essa instabilidade atrapalha um pouco.

De resto, a Force India foi a melhorzinha com Di Resta em 12º e Hulkenberg em 15º, corrida honesta da equipe, que mostra algum potencial para ficar à frente do resto. E o resto fez o de sempre, duas Toro Rosso, uma Caterham, duas Marussia, duas HRT e a outra Caterham.

O problema agora é ver como será o GP do Bahrein, em Sakhir. Manifestantes prometeram atuar durante a prova e nas imediações do autódromo contra a corrida. A polícia barenita já disse que não tem como garantir total segurança para o fim de semana. Os milhares de dólares recebidos por Bernie parecem ter jogado areia nos olhos da categoria, que faz vista grossa para a situação do país. Teve até mecânico que se recusou a viajar. Os pilotos não vão se manifestar, vão se comportar como cordeirinhos e correr como o chefe mandar. Bando de bundões. Poderiam ter uma consciência política aflorada, haja visto como o mundo está globalizado e não há como deixar de ver o que acontece, mas preferem se omitir. Poderiam falar um simples “não, não vamos correr e pronto”, e adiar essa prova. Mas, por negligência, vão ignorar o que está do lado de fora. A pilotaiada já foi mais ativa, mas parece que têm medo de manchar a imagem, de ficar mal na fita com o chefe, com os patrocinadores, com as TVs, com o público, fãs e toda a sorte de motivos que possam, por mais nublados e superficiais que pareçam, dizer que o melhor é ficar quieto.

O país passa por um momento delicadíssimo, desde o ano passado. São constantes as manchetes de que há condutas desrespeitosas aos direitos humanos por parte dos policiais do Reinado contra os oposicionistas xiitas. Até mesmo policiais estão sendo acuados com a violência. Bernie tenta dizer que a prova será pacífica, mas manifestantes prometem um “dia de fúria”. A equipe MRS, participante da categoria Porsche Supercup, que fará uma corrida preliminar ao GP do Bahrein de F1, anunciou nesta quarta-feira que desistiu de correr na etapa, por preocupações com as condições de segurança. É no mínimo cutucar a onça com um palito de dente. Eu torço para que nada de mais aconteça e tudo saia nos conformes, mas essa é uma mancha para a F1, como tantas outras que serão lavadas com o tempo. Mas o pano vai ficando gasto. Se o pano for o de um turbante, será triste demais saber que um simples “não” poderia evitar um possível rasgo.

E para quem se perguntou o que é Zhōngguó, é China em chinês.


Resultado Final – GP da China:

1º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 56 voltas em 1h36min26s929
2º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 20s6
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 26s0
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 27s9
5º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 30s4
6º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 31s4
7º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 34s5
8º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 35s6
9º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 37s2
10º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 38s7
11º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 41s0
12º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 42s2
13º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 42s7
14º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 50s5
15º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 51s2
16º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 51s7
17º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 1min03s1
18º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
19º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a 1 volta
20º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 1 volta
21º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), a 1 volta
22º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), a 2 voltas
23º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 3 voltas

Não completou:
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), abandonou na 12ª volta

 

Todas as fotos – © DR/ Nextgen-auto.com

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In Malaysia (2)

São Paulo (onde tem fumaça, tem fogo) – Para nossa alegria, choveu na Malásia. Quando não tem um sol para cada um, tem um dilúvio de proporções bíblicas. E como brincou Galvão na transmissão, só pode ter sido ideia do Bernie Ecclestone de fazer a corrida ser nesse horário, porque chove, mas chove muito, e justifica a declaração de que o chefão da F1 queria molhar a pista uma época para dar mais emoção. E é dramááático, amigo…

E para quem viu desde o começo, uma corrida mítica. Fernando Alonso e Sergio Pérez foram os nomes da prova. E como tem estrela esse Alonso, vai ser largo assim lá em Sepang! O cara nasceu virado para a lua numa noite de planetas alinhados com o sol brilhando na décima-terceira casa do horóscopo chinês em ano bissexto, só pode! Nada explica essa sorte toda (além de uma competência ímpar, claro) para chegar em primeiro com a Ferrari. E “Checo” Pérez é outro competente e agraciado pela Dona Sorte. Colocar uma Sauber no pódio é um feito digno de medalha, placa de prata, busto de bronze na sede da equipe e um aperto de mão do Carlos Slim. 

Mas vamos aos fatos. Na largada começou a chover fraco e em oito voltas a chuva deixou a pista como um imenso lago, causando entrada do safety-car e logo depois uma bandeira vermelha, que interrompeu a corrida 51 minutos. Antes do aguaceiro, Hamilton e Button seguiram na ponta e apenas Perez e Senna entraram para trocar pneus – Sergio porque foi esperto e vidente e Bruno porque se achou com Maldonado. Aí todo mundo resolveu ir para o box, mas Pérez já tinha ganhado todas as posições menos as das McLaren.

Na relargada, o safety-car foi na frente guiando o pelotão, e depois de sua saída, sete pilotos foram colocar pneus intermediários. Aí Hamilton, um dos primeiros a entrar, teve de esperar todo mundo passar para ele poder sair, aí Alonso ganhou a primeira posição que era de Pérez naquele momento. E Button, quem diria, deu uma de novato e acertou Karthikeyan, que estava na frente (sim, é verdade!), num erro incomum do lorde. Com o bico quebrado, Jenson teve de parar de novo. Sua corrida acabou aí.

E Alonso, o santo milagreiro espanhol, tirava 1,5 segundo por volta dos outros com a carroça vermelha aproveitando a cara no vento. Aí Pérez reagiu: foi tirando a diferença volta a volta, virando 7 décimos mais rápido que Fernando e que a McLaren de Hamilton. Nesse ínterim, a pista foi secando e Ricciardo foi o primeiro a colocar pneus de pista seca, e voltou virando 5s mais rápido que todo mundo. Alonso parou uma volta antes de Perez e conseguiu respirar um pouco, mas o chicano foi buscar a diferença e se aproximou perigosamente, tirando mais de 1 segundo por volta.

Faltando sete giros para o fim, Pérez colou em Alonso e aí veio uma mensagem de rádio que fez as coisas ficarem muito esquisitas. O engenheiro da Sauber disse a Sergio: “Checo, tome cuidado. Precisamos dessa posição”. E nisso o piloto escapou da pista, colocando as quatro rodas na pista úmida e acabando com suas chances de ultrapassagem sobre o bicampeão.

As teorias: a mensagem desconcentrou o piloto, que ainda não tem tanta experiência e se afobou um pouco atrás de Alonso. Ou foi uma mensagem cifrada da Sauber corre com motores Ferrari. Mas que isso ficou estranho, ah, ficou, e muito!

E parece que a molecada treme um pouco quando chega atrás de Fernando. Na Austrália foi Maldonado, agora Pérez. Mas o resultado é que Alonso chegou em primeiro, incrível com o carro que tem. Sergio levou a Sauber ao melhor resultado da história da equipe. Hamilton completou o pódio. E de quebra, o engenheiro de Fernando e Peter Sauber choraram com a performance de seus contratados.

Os mecânicos de Alonso colocaram na placa a palavra “mágico”. E foi mesmo. De novo, o espanhol tira leite de pedra do carro. E foi um baita resultado para Sergio e a Sauber. Primeiro pódio mexicano desde o segundo lugar de Pedro Rodriguez em Zandvoort, 1971. Tem futuro esse garoto.

E Kobayashi não foi mito, terminou abandonando, com problemas no freio. Quem fez bonito foi Bruno Senna, que tinha ficado em último na largada e veio jantando quem estivesse em sua frente com maestria. Finalizou em 6º , justificando sua contratação pela Williams.  Corridaça do brasileiro. Maldonado foi pífio, apenas 19º. O venezuelano mostra que é bem rápido e que está evoluindo muito a cada prova, mas ainda é atabalhoado demais.

As Red Bull foram mais que discretas. Mark Webber fez sua corrida sem sustos e fechou em 4º. Guiou para o gasto. Já Vettel sofreu também com a HRT de Karthikeyan. Se Button errou e quebrou o bico na batida, Sebastian foi ultrapassar e encostou no bico da HRT, saindo com um pneu furado e xingando todos os deuses e castas do piloto indiano. O carro  espanhol é lento demais e deixou o atual campeão apenas no 11º lugar. Sem pontuar, Vettel vai ter de se superar para manter a equipe energética entre os líderes no próximo GP.

Räikönnen deixou sua marca registrada na Malásia. Cravou a melhor volta no finalzinho. Se não ganha ou não faz uma corrida brilhante, pelo menos põe seu nome nas estatísticas da prova. Seu companheiro está virando leão de treino, porque em corrida é fraco. Abandonou na quarta volta com o carro na brita. Fraquíssimo.

Sobre as Mercedes, não aposto mais nada. Schumacher e Rosberg vão bem na classificação, mas em corrida perdem para o carro. Parece que só funciona com pouca gasolina. Pelo menos Schumi marcou um pontinho, mas nem razoável é pelo que a equipe mostrou na pré-temporada.

Aí temos duas Force India e uma Toro Rosso entre os 10 primeiros, bom resultado. Vijay Mallya tem uma boa dupla e Vergne parece que dá conta do recado na equipe rubrotaurina. E lá atrás as Caterham, Marussia e HRT fechando os que completaram a prova, com Maldonado no meio.

O que fica é essa imagem acima de Stefano Domenicali abraçando Pérez. Vale lembrar que, além da Sauber correr com motores Ferrari, Checo já testou pela equipe de Maranello não faz muito tempo e que a histérica imprensa italiana cogita que o mexicano é o nome para substituir Massa, que mais uma vez vai ter de lidar com as críticas pesadas de todo mundo, e muito por culpa dele dessa vez. Não dá para deixar o companheiro de equipe vencer enquanto se termina em 15º. A frigideira de Felipe só ganha mais calor com essa prova malfeita e a fritura pública vai ter mais um round.

O boato ganha força. E no fim até os mecânicos da Ferrari abraçaram Pérez. Estranho, muito estranho…

Com o resultado, Alonso lidera o Mundial de Pilotos, com 35 pontos. Hamilton é o vice-líder, com 30. Button tem 25. No Mundial de Construtores, a McLaren tem 55 pontos, contra 42 da Red Bull e 35 da Ferrari.

A próxima corrida é no dia 15 de abril, na China.

GP da Malásia – classificação final:
1º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 56 voltas em 2h44min51s812
2º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 2s263
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 14s591
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 17s688
5º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 29s456
6º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 37s667
7º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 44s412
8º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 46s985
9º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 47s892
10º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 49s996
11º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 1min15s527
12º. Daniel Ricciardo (ITA/Toro Rosso-Ferrari), a 1min16s800
13º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 1min18s500
14º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 1min19s700
15º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 1min37s300
16º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
17º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a 1 volta
18º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 1 volta
19º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 2 voltas
20º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 2 voltas
21º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), a 2 voltas
22º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), a 2 voltas

Não completaram:
Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Petronas), abandonou na volta 47
Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), abandonou na volta 4

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In Malaysia (1)

São Paulo (replay?) – Lewis Hamilton deve ter perdido umas boas horas de sono depois do GP da Austrália, onde largou na pole e teve de ver seu companheiro de equipe estourando o champagne da vitória enquanto ele recebia o troféu no 3° degrau. Pois parece que a insônia deixou o rapaz com fome.

O grid de largada do GP da Malásia é um repeteco da primeira prova do ano, com Hamilton (sorrindo com uma certa raiva, como quem diz “olha eu aqui de novo”) e Button fazendo a dobradinha da equipe da vez, e com Schumacher em 3º. A McLaren mais uma vez mostra que virou a caça, posição da Red Bull em 2011. Embora nos treinos livres, os prateados tivessem sido superados pelos outros prateados da Mercedes com Rosberg, que larga em 7º novamente.

Vettel ficou atrás de Webber, que saem em 5º e 4º respectivamente, um pouco decepcionante para quem até há poucos meses  subjugava sem dó o resto da turma. Os bicos de ornitorrinco ainda estão apanhando dos carros lisos do time de Woking.

A Lotus andou muito bem com Kimi e Grosjean, mas o finlandês teve de trocar o câmbio e larga no meio do bolo. Não que ele esteja ligando muito, vai se divertir como sempre. E como a Red Bull ainda não achou o acerto ideal para o calor do demo que faz em Sepang, vai dar briga boa aí, no que parece ser o resumo da corrida: McLaren na frente com a Mercedes no cangote e Red Bull se virando como pode entre se defender dos ataques da Lotus e tentando atacar a Mercedes para ver se chega na dupla prateada.

Agora, as turma que sofre. Alonso novamente tira leite de pedra da Ferrari, achando um ou outro cavalo perdido em sua carroça vermelha. Larga em 8º, excelente pelo momento vivido na scuderia. Massa ainda convive com pôneis malditos. Será apenas o 12º, encaixotado entre as Williams de Maldonado e Senna, 11º e 13º. E a diversão da vez nos sábados é saber se a Ferrari passa ou não para o Q3.

É bom que Felipe abra o olho e ache um meio de fazer uma corridaça, porque seu processo de fritura na imprensa italiana já começou e de forma pesada. E como Maranello normalmente dá ouvidos aos jornais, mais um fracasso retumbante basta para Luca di Montezemolo passar a mão no telefone e mandar o brasileiro “a ‘fanculo”. Massa ganhou um novo chassi, um pouco melhor que o da Austrália, mas os pneus ainda são um problema.

As Williams evoluíram como nunca antes na história desse país. E o venezuelano aproveita melhor o carro que tem. Bruno disse que não conseguiu achar uma volta rápida. Pois que ache logo, filho, ou vai ficar vendo o vizinho na frente o tempo todo. Já a Sauber achou um 9º com o cada vez melhor Sergio Perez, surpreendente. E Kamui “mito” Kobayashi deve ter comido um sushi estragado: apenas em 17º, nada explica.

De resto, Force India e Toro Rosso que andaram bem nos treinos livres, foram lá para trás na classificação. Desempenho aquém do esperado; se terminarem a prova sem bater em ninguém, ótimo. E Caterham e Marussia fizeram seu papel, fechando o grid. Ah, e tem as HRT que incrivelmente ficaram dentro dos 107% e evitaram mais uma viagem perdida. Karthikeyan vai pegando mais quilometragem, apenas, e De La Rosa deve ligar seu iPod e ir ouvindo uma guitarra espanhola. Duas chicanes ambulantes.

Meu palpite? Button, Hamilton e Webber. Não, sei, sinto que Vettel vai ser atrapalhado com alguma coisa. E sobre Jenson chegar na frente de novo, Lewis mesmo disse que o ponto crucial desse grande prêmio será como os pilotos vão lidar com seus pneus – a prova tem previsão de pelo menos três paradas para troca da borracha. E nesse aspecto, o vizinho de box de Lewis é o supra-sumo. Enquanto Hamilton vem com fome, sede e vontade de jantar o parceiro na pista, o outro inglês é cerebral em corridas, guiando com excelência ímpar. Se der vitória de Jenson novamente, Hamilton deve dormir mal até Interlagos.

Para quem permanecer acordado, a largada é daqui a pouco, às 5 horas, na Globo.
Grid de largada – GP da Malásia:

1º.Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min36s219 (14 voltas)
2º.Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min36s368 (14)
3º.Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min36s391 (14)
4º.Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min36s461 (19)
5º.Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min36s634 (14)
6º.Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), 1min36s658 (14)
7º.Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min36s664 (14)
8º.Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min37s566 (16)
9º.Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), 1min37s698 (17)
10º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), 1min36s461 (13) (*)

11º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), 1min37s589 (14)
12º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min37s731 (15)
13º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), 1min37s841 (13)
14º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 1min37s877 (15)
15º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), 1min37s883 (14)
16º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), 1min37s890 (13)
17º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min38s069 (12)

18º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), 1min39s077 (7)
19º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), 1min39s567 (6)
20º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), 1min40s903 (8)
21º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), 1min41s250 (8)
22º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), 1min42s914 (4)
23º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), 1min43s655 (6)
24º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), 1min39s306 (9) (**)

(*) Punido com perda de cinco lugares por troca de câmbio após segundo treino livre
(**) Punido com perda de cinco lugares por ultrapassagem irregular no GP da Austrália

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Commonwealth of Australia (3)

São Paulo (like a boss) – E a Austrália marcou a abertura dos trabalhos de 2012 da F1 com cara de GP da Austrália. Uma corrida interessantíssima do começo ao fim, e que final. Valeu ter ficado acordado na madrugada para ver essa prova.

Jenson Button, o lorde, venceu magnificamente – pela 13ª na carreira e 3ª na terra do canguru, colocou Lewis Hamilton no bolso e mostrou que a McLaren tem grandes chances de ser o carro da vez. Pulou na frente na largada e da frente não saiu até ver a bandeira quadriculada depois de 58 giros pelo circuito de Albert Park, em Melbourne. E como guia esse rapaz, dá até raiva. Raiva que ficou estampada na cara de nojinho de Lewis quando recebeu seu troféu de terceiro lugar no pódio. Agora a equipe de Ron Dennis já mostra seus dentes à  Red Bull, que vai ter trabalho para segurar os prateados

Button celebra sua vitória magistral em Albert Park

A Red Bull já não está mais com essa bola toda, parece que o carro sem degrau no bico da McLaren é melhor que o projeto de Adrian Newey e sua misteriosa entrada de ar, mas Vettel comseguiu um ótimo segundo lugar, comemorado com verdadeira alegria porque o alemãozinho sabe a importância de cada ponto quando não se tem o melhor carro. Webber, em casa, foi ensanduichado na largada e teve dificuldades ao longo da prova, mas levou seu carro a um bom 4º lugar.

A Ferrari já vai trabalhando em Maranello num novo carro, porque esse começou errado e não vai a lugar algum. Alonso é um herói por conseguir pilotar uma trapizonga horrível, levando a carcaça vermelha ao 5º lugar. Fernandito sim tem justificativas para ficar de cara amarrada. Felipe, ah, Felipe… Vinha andando honestamente, fez uma ótima largada pulando para P10 quando o a borracha acabou, aí parou e a Ferrari o mandou de volta à pista com pneus macios novamente, obrigando-o a parar de novo quando chegou na lona. Aí, no final, se enroscou com Bruno Senna e ambos foram prejudicados.

Massa quebrou alguma coisa além do bico no carro e Bruno foi para a brita com um pneu furado. Felipe abandonou logo depois e Senna também recolheu, preferindo poupar o carro que estava superaquecendo por causa das pedras no radiador do que forçar o equipamento lutando por migalhas. E o primeiro-sobrinho quase capotou na primeira curva, sendo abalroado por meio mundo. Vinha de último e fazia uma corrida de recuperação, mas minimizou o acidente, dizendo que era coisa de corrida, o que Felipe confirmou pouco depois.

Bruno Senna é abalroado na primeira curva

Maldonado com a outra Williams vinha fazendo uma corrida sensacional. Largou bem, deu um chega-pra-lá em Grosjean – que teve de abandonar após a batida que quebrou a suspensão dianteira – e vinha dando um calor em Alonso, lutando pela quinta posição quando na última volta colocou uma roda na grama e escapou, dando de frente no muro. Fim de prova para o venezuelano que perdeu seu melhor resultado na F1. Frank Williams vai mandar a conta para Hugo Chávez. Deve ter dado saudade de Barrichello nessa hora.

Com isso, Kamui Kobayashi herdou o sexto lugar, merecido para quem fez uma prova excelente. O MITO veio lutando contra pneus desgastados, controlando as saídas de traseira da Sauber e terminou o GP com as asas dianteira e traseira quebradas. E deu trabalho para todo mundo, vendendo caro ultrapassagens, dando “X” em Rosberg, ultrapassando com arrojo onde dava. Corridaça. E o “chico” Pérez largou em último e na sétima volta já era o 10º. Terminou em 8º, muito bom resultado. Está bem servida de pilotos a Sauber, que parece ter um carro bem melhor do que os treinos mostraram.

O 7º lugar ficou com Kimi Raikkonen, que resolveu falar por rádio tudo o que não fala nas entrevistas. Coitado do engenheiro, que vai ter de ouvir o finlandês reclamando de tudo e de todos mais 19 vezes no ano. Mas o Iceman fez uma belíssima prova em sua reestreia na categoria, nem parece que ficou dois anos fora. E deu uns pontinhos à Lotus de quebra.

Vitaly Petrov abandona sua Caterham no meio da reta

Ricciardo de Toro Rosso e Di Resta com a Force India fecharam a zona de pontos, bom para os dois, que largaram no fundão e evitaram as confusões. O australiano da Toro Rosso conseguiu ser o melhor estreante e de quebra levou dois pontinhos. E Rosberg vinha fazendo uma excelente corrida até a última volta, quando teve um pneu furado pelos destroços da Williams de Maldonado, finalizando em 12º. Schumacher abandonou com problemas de câmbio quando estava indo bem. Triste para o heptacampeão, que voltou a sorrir com o carro bem feitinho que a Mercedes deu para ele. Esperava-se mais nessa corrida. Eu inclusive apostei num pódio, mas se tudo der certo, a Mercedes será uma presença constante na frente nas próximas corridas, incomodando McLarens e Red Bulls.

E as duas Marussia conseguiram completar a prova sem muitos sustos com o bom e sub-aproveitado Glock e o estrante Charles Pic. Já são melhores que as Caterham, que ficaram pelo caminho. Primeiro com Petrov, que parou no meio da reta principal e causou a entrada do Safety Car – inclusive com um caminhão de resgate acelerando tudo na reta para rebocar o carro do russo, causando a cena engraçada do fim de semana. E depois teve Kovalainen, que também abandonou.
 

Pintou o campeão?

O que se tira desse (excelente) GP da Austrália de 2012 é que a briga do ano será entre McLaren e Red Bull, com eventualmente alguém aparecendo entre eles, mas arrisco-me a dizer que a briga pelo título dificilmente escapará dessas equipes e seus pilotos. A McLaren não tem degrau no bico nem polêmica de duto como a Mercedes e a Red Bull tem um carro bom e um piloto bicampeão, que é arrojado e competente. Vettel, inclusive, soube aproveitar muito bem a hora de parar, estava no lugar certo quando o Safety Car deu as caras. Rola um favoritismo no ar, sem dúvida, mas Melbourne costuma não mostrar 100% as tendências. Nesta temporada, o grupo de pilotos está muito forte, tem muita gente de alta qualidade.

Jenson é um lorde, inteligentíssimo e extremamente competente em corridas com sua capacidade ímpar de cuidar do desgaste dos pneus como se fossem feitos de cristal caro. Lewis terá trabalho. Jenson já conseguiu impor um castigo moral duríssimo na primeira batalha, inclusive soltando um “Welcome 2009” pelo rádio após receber a bandeirada final, indicando que veio com tudo para vencer. E Hamilton é um sujeito com psicológico frágil, que se abala facilmente. Se não andar na frente nos próximos treinos e corridas, tem grandes chances de se afundar no próprio ímpeto como aconteceu ano passado.

Alonso fez o que se espera dele e um pouco mais. Schumacher ressurgiu mas não apareceu na corrida, uma pena. E o legal disso tudo é que, na temporada que teve o maior número de campeões mundiais no grid, os três últimos subiram ao pódio, com cinco deles terminando na zona de pontos. A próxima corrida será na Malásia, dia 25, daqui a uma semana, onde teremos uma real noção do embate entre as equipes. Aí poderemos ir definindo mais um pouco quem será o homem e o carro a ser batido.

Classificação final – GP da Austrália:
1º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 58 voltas (2 paradas)
2º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 2s1 (2)
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 4s0 (2)
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 4s5 (2)
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 21s5 (2)
6º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 36s7 (2)
7º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 38s0 (2)
8º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 39s4 (1)
9º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 39s5 (3)
10º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 39s7 (2)
11º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 39s8 (2)
12º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 57s6 (2)
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a uma volta (2)
14º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a uma volta (2)
15º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a cinco voltas (4)
16º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a seis voltas (4)

Não completaram:
Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 12 voltas (4)
Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 20 voltas (4)
Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 24 voltas (1)
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 48 voltas (1)
Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 57 voltas (0)
Nico Hülkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 58 voltas (0)

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Commonwealth of Australia (2)

São Paulo (alargamento de pista) – A primeira classificação do ano foi qualquer nota. Mas incrível, como há tempos não via uma tão cheia de adrenalina e sem previsão do que estava por vir. Os destaques foram as escapadas de pista e Grosjean em terceiro. Isso mesmo. Muita coisa aconteceu, vamos tentar organizar tudo.

Quase todo mundo – RedBull, inclusive – deu um passeio na grama. Com todos andando no limite, até Button fritou pneus. No Q1, o que se viu foi um certo desespero na Ferrari que saiu de pneus macios para tentar escapar da degola.

Isso mesmo. Em vez de lutar pela pole, os esforços foram para evitar ficar pelo caminho logo no começo. Massa e Alonso conseguiram a duras penas e o espanhol, já no Q2, saiu da pista no mesmo ponto onde Massa rodou na sexta-feira (com o atenuante de que a pista estava molhada) e onde rodaram Schumacher e Vettel. Porém, Alonso o fez no seco, causando bandeira vermelha no Q2. E a Ferrari mostra ao mundo que o carro é mal-nascido, com seus dois pilotos andando no limite e tentando tirar mais do F2012 do que ele pode oferecer. E mesmo tendo rodado, Fernando larga na frente de Felipe (12º e 16º respectivamente), num péssimo começo de temporada para o brasileiro, que tomou 1,5 segundo do asturiano. Massa reclamou de novo do aquecimento de pneus, que o carro não tem equilíbrio porque falta aderência, e tudo isso em seu último ano de contrato na scuderia. O pessoal de Maranello já deve estar preparando uma F2012_B e pensando em um piloto C. Será um longo ano para Felipe.

Kimi Raikkonen não conseguiu levar sua Lotus ao Q2, ao que parece por um problema mecânico. E ainda evitou um vexame histórico de Massa. Como havia dito no post anterior, Kimi voltou para acabar com a mesmice da pilotaiada. Quando interpelado sobre sua classificação pífia, ele soltou um “Não pensei que tinha de dar outra volta”. Gênio! Ele é um iconoclasta da F1, está se lixando para essas coisas, daqui a pouco ele arranca um pódio e vai comemorar com vodca longe da imprensa. O curioso foi o campeão de 2007 e o vice de 2008 disputando vaga no Q2.

Quem roubou a cena foi Romain Grosjean. Chutado da Renault, ficou na GP2 onde foi campeão e voltou à mesma escuderia (sob nova direção, nome etc.) mostrando que é a escolha certa. Deixou Kimi na saudade e colocou a Lotus em 3º no grid, um feito impressionante. Amanhã, na largada, ele vai olhar para o lado e enxergar apenas campeões mundiais à sua volta: Hamilton, Button e Schumacher. Grosjean mostrou não apenas a força da Lotus, mas também a maturidade adquirida em sua reestreia. Ponto para ele. Vamos ver como se comporta na largada e na corrida.

Hamilton (centro), Button (dir.) e Grosjean (esq.) serão os três primeiros do grid para o GP da Austrália 2012

A Mercedes mostrou que tem algo mais nesse carro. Schumacher conseguiu um ótimo 4º lugar. Rosberg andou na frente o tempo todo, mas errou no fim e ficou em 7º, o que ainda é bom. Para a Red Bull, que ano passado dominou tudo nos sábados, passou o cetro para a McLaren e vai sair da terceira fila, com Webber na frente. Fim de semana ruim para Vettel e sua trupe, apontando que os rubrotaurinos não estão com essa bola toda neste comecinho de temporada.

E a McLaren conseguiu sua primeira dobradinha desde Valência em 2009. Hamilton fez uma volta voadora na primeira tentativa. Button precisou de dois giros para chegar perto, mas como se sabe, ele não é tão agressivo em classificações. Ótimo para o time de Ron Dennis, confirmando as expectativas sobre seu equipamento.

Maldonado merece menção honrosa por colocar uma Williams no Q3, em 8º. Senna-sobrinho preferiu não arriscar e sai em 14º com um carro que evoluiu bem desde a pré-temporada. E as Toro Rosso foram bem também, com os estreantes Ricciardo e Vergne.

A Sauber ficou pelo caminho no Q2, deve embolar o meio do grid. A Force India arrancou um 9º com Hulkenberg, mas foi só. Fiquemos de olho no bolo do meio para trás, será mais interessante que a briga dos seis primeiros.

E o resto é aquela coisa Caterham na frente, Marussia se arrastando e HRT eliminada nos 107%.

Meu palpite: Hamilton, Button e Schumacher. Na classificação cheguei perto, vamos ver se essa eu ganho.

 

Grid de largada – GP da Austrália:

1º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min24s922
2º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min25s074
3º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), 1min25s302
4º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min25s336
5º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min25s651
6º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min25s668
7º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min25s686
8º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), 1min25s908
9º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), 1min26s451
10º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), sem tempo

11º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), 1min26s429
12º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min26s494
13º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min26s590
14º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), 1min26s663
15º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 1min27s086
16º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min27s497
17º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), sem tempo

18º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), 1min27s758
19º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), 1min28s679
20º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), 1min29s018
21º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), 1min30s923
22º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), 1min31s670

Eliminados pela regra de 107%
Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), 1min33s495
Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), 1min33s643

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Commonwealth of Australia (1)

São Paulo (Está valendo!) – Nesta sexta – para nós, na quinta –  começou a temporada 2012 da Fórmula 1 com os treinos livres no circuito de Albert Park, que desde 1996 recebe a categoria. E já pintaram umas surpresinhas nas primeiras sessões.

A McLaren dominou a primeira leva, mas serviu mais para tirar a poeira da pista do que para ver tempos de volta. Na segunda parte do dia e após o aguaceiro que caiu em Melbourne, Schumacher teve o gostinho de andar na frente e fechar a folha de tempos no topo, depois que a pista foi secando. O que confirma umas primeiras impressões…

Uma das duas únicas equipes que não adotaram o bico “ornitorrinco”, a McLaren mostra a força de seus carros e de seus pilotos, o que pode ser um indício de que se a RedBull não estiver escondendo o jogo (como normalmente faz às sextas-feiras), vai ter trabalho para segurar os prateados na classificação. Lembrando que cinco dos últimos seis vencedores do GP da Austrália sagraram-se campeões no fim do ano, é bom ficar de olho em quem sai na frente para a corrida.

A Mercedes ao que parece fez um carro acertadinho e pode dar trabalho para McLaren e RBR, além da Ferrari, as três primeiras equipes de 2011. Mas o calvário dos italianos parece ter recomeçado. A Ferrari está mal das pernas.

Massa vai para a brita após rodar no primeiro treino livre do GP da Austrália

Depois da proibição de entrevistas para tentar esconder os erros na preparação, a scuderia não mostrou muita eficiência na pista. Massa rodou e perdeu o resto do treino, deixando uma má impressão entre todos na equipe, fácil de ver quando a TV mostrou os boxes após o erro. Alonso andou o que pôde (foi p4 nos dois treinos) e continua tentando tirar leite de pedra. Mas o terceiro treino livre fez acender a luz vermelha de vez, com Alonso terminando em P16 e Massa em P18.  Tem um cheirinho de crise no ar.

Kimi Raikkonen ficou um tempão com cara de saco cheio enquanto a Lotus tentava arrumar seu carro para o treino, mas quando saiu não fez feio, mostrando que não terá problemas de readaptação e que novamente irá quebrar a mesmice que insiste em pairar sobre a pilotaiada. E Grosjean conseguiu uma ótima P2 no terceiro treino. A Lotus ano passado também começou bem, mas depois se perdeu no meio do caminho. Pelo menos nessas primeiras provas, deve andar bem.

O "Iceman" está de volta

A Force India mostrou que tem carro para beliscar as últimas vagas da superpole com Hulkenberg e Di Resta. A Williams tem um carro ainda se acertando com o motor Renault e parece que Maldonado foi o que melhor se acertou, andando na frente de Ferrari, Lotus e Toro Rosso, impressionante. Bruno Senna ainda está “verde” e no fim do terceiro treino acabou rodando com pneus frios. A não ser que faça uma classificação de cair o queixo, corre o risco de ser coadjuvante do venezuelano no fim de semana.

Toro Rosso vai andar lá atrás, brigando com Caterham e Marussia (e possivelmente uma Williams e a Sauber). O surpreendente é a Marussia, que foi para a pista sem um teste sequer e marcou um 12° lugar na segunda sessão. A Caterham também fez um honroso 8° lugar com Kovalainen. A Sauber vai ficar ali mesmo, tentando melhorar ao longo da temporada. E a HRT fecha o grid. De La Rosa ficou vendo dos boxes o primeiro treino e demorou uma eternidade para conseguir dar uma volta no segundo. Quando saiu o carro pifou.

Após três sessões de treinos, a divisão de forças na Austrália para a classificação está mais ou menos assim:

– RedBull e McLaren brigando pela pole com Mercedes tentando colocar água nesse chope.
– Lotus, Force India e Sauber com um ou outro carro no Q3 + Alonso.
– Se a Williams entrar entre os 10, será com Maldonado, mas a disputa mesmo é com Caterham. O resto anda lá atrás.

Meus palpites para os três primeiros? Button, Vettel e Schumacher. Vamos ver se nessa eu acerto. Alguém dá mais?

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E começou a temporada 2011 da F1

SÃO PAULO (antes tarde do que nunca) – Do outro lado do mundo, em Melbourne, na Austrália, começou a temporada 2011 da Fórmula 1, categoria que me lembro de acompanhar antes mesmo do futebol.

E começou com atraso já que o GP do Bahrein, que foi cancelado por hora, seria a sede da prova de abertura, mas este post também está com atraso, então, prossigamos.

Vi todos os treinos, de madrugada. Já estava com saudade dos bólidos da F1 e das corridas e ansioso por mais uma temporada que começa. Adoro isso. Ainda mais agora, com HD na televisão de casa, um progresso.

Como a corrida já foi na madrugada de domingo e estou escrevendo na madrugada de terça, só vou dar uns pitacos…

A Red Bull fez uma tempestade com Sebastian Vettel, o atual campeão. Esperava que ele vencesse, mas não do jeito que foi, passeando no Albert Park. Com direito a passadão por fora no Button e tudo mais. Se seguir nessa tocada dos treinos e da corrida, leva o bicampeonato para a escuderia austríaca com uma mão nas costas. E o Adrian Newey é um gênio da prancheta; que carro esse cara projetou, é um assombro. Combinado com a genialidade do alemãozinho, é uma dupla que fatalmente entrará para a história. E essa foi a11ª vitória de Vettel na categoria, empatando com Barrichello e Massa (mas vai deixá-los pra trás fácil, fácil) e ele se mostrou mais sereno, agora que não precisa conquistar o título a todo custo. Vai ser difícil parar o tedesco.

Mark Webber, correndo em casa, foi só coadjuvante. Chegou em quinto e fez uma corrida burocrática. Pelo andar da carruagem, vai seguir como escudeiro do alemão até o fim, a não ser que resolva trazer à tona todo seu potencial e arriscar mais uma dose daquele “nada mau para o piloto número 2”. Não acredito, porém, que o alemão vá deixar. A equipe ainda prefere o campeão. O aussie que se vire. Mas chegar em Alonso logo após trocar pneus e desistir da luta mostra que o título do companheiro o abalou mais que o esperado; acusou o golpe. E não me parece que a frase irá se repetir.

Lewis Hamilton tentou seguir Vettel de perto, mas não deu. Só que o segundo lugar no pódio foi bonito e merecido. Pelo menos a McLaren mostrou que tem um carro que pode brilhar em algumas corridas e roubar uns pontos dos touros vermelhos.

Jenson Button perdeu muito tempo atrás do Felipe Massa e pagou um “drive trhu'” desnecessário, erro primário da equipe e dele, que deveria ter devolvido a posição pelo atalho na pista. Mas mostrou que pode fazer sombra pra Hamilton e beliscar uns pódios.

Massa continua seu calvário no duelo interno com Alonso, que suou sangue pra levar sua Ferrari ao quarto lugar quase conquistando um pódio, mas que consegue tirar mais do carro do que o brasileiro. A continuar tomando bota do espanhol, Massa corre o risco de cair em desgraça na escuderia italiana até o final do ano. A desculpa de que nunca correu bem e falta sorte na Austrália não cola mais. É bom pisar fundo no pedal da direita se quiser manter o encanto que os ferraristas ainda nutrem por ele no time. Fez uma excelente largada e ganhou 3 posições, ao contrário de Fernando, que quis ir por fora, o que se mostrou péssimo, já que perdeu 3 ou 4 posições. Massa travou boa briga com Button até o inglês resolver cortar caminho e, logo depois, praticamente abriu passagem para Alonso, se resumindo a terminar a prova, o que disse à Globo que ia fazer antes da largada.

Tem algo de estranho acontecendo com Felipe Massa. Falta ambição e um certo brilho nos olhos, aquele “olho de tigre” dos filmes do Rocky. Já trabalhei com Felipe no Desafio das Estrelas de Kart e já fiz algumas entrevistas com ele em kartódromos e outras praças. Esse Felipe que vi nessa prova não me lembra nem de longe o piloto que conheci. Como assim, “meu objetivo é terminar a prova”? Não vai correr pra chegar em primeiro? Tá fazendo o quê, sentado naquele carro que o Vettel disse que quer guiar um dia? Isso não tá cheirando bem…

Alonso também sofreu com os pneus; parece que a Ferrari gasta muita borracha, mais que os outros. McLaren e Red Bull fizeram 2 paradas cada (exceto Webber, com 3) e o espanhol e o brasileiro fizeram 3 paradas. A Ferrari começa o ano aquém do que se esperava dela. Tudo bem, é só a primeira corrida. Mas erros não serão tolerados. Após tantas mudanças no time e a aposta em Alonso, é bom que Maranello resolva acertar a mão dessa vez para o cavallino não virar um burro e ir para a água.

Rubens Barrichello, com um erro de principiante na classificação, largou no meio do bolo e pagou o preço. Perdeu posições na largada, saiu da pista e voltou com a sanha igualmente de principiante. Veio jantando os adversários das equipes menores e chegou a brigar pelo 9º lugar, mas se empolgou e tirou Nico Rosberg da corrida numa malfadada tentativa de ultrapassagem, freando mais tarde. Rodou e caiu lá pra trás. Quando estava voltando à zona de pontos, recebeu um “drive thru'” por ter causado o acidente, ficou andando em 15º por um tempo e parou com problemas no câmbio. Começou mal o ano. O alento é que a Williams se mostrou melhor que em 2010 e vai brigar firme para ser a melhor equipe do segundo escalão do grid.

Já Pastor Maldonado vinha fazendo uma prova dentro do protocolo, mas parou porque sua Williams simplesmente morreu sem explicação. Nos treinos, andou bem, consistente para um estreante. Mas nessa corrida nem deu pra dizer a que veio o venezuelano dos petrobolívares. Hugo Chávez deve estar praguejando contra sir Frank Williams. Veremos como Maldonado se sairá na Malásia.

Nico Rosberg vinha fazendo boa prova até ser abalroado por Rubens, e parou com um radiador furado. Já Michael Schumacher, nos treinos, mostrou que está melhor que ano passado. O heptacampeão voltou com gana e disposição, mas enfrentou um pneu furado logo nas primeiras curvas e depois teve de abandonar, com problemas na roda direita traseira, a mesma do pneu furado. Não dei dessa vez, mas o alemão voltou de vez com 41 anos e muita lenha pra queimar.

Quem queimou a língua de todo mundo foi Petrov, o russo. Depois de virar notícia em Abu Dhabi por ter sido alvo da fúria de Alonso, que chorou as pitangas para a mamãe só porque não não conseguia ultrapassar o siberiano, Vitaly deu o repeteco em Melbourne e segurou o espanhol, como uma continuação da última prova de 2010. Os czares abençoaram o cabra e o russo fechou o pódio, no 3º lugar, uma façanha e tanto. Primeiro russo a subir num pódio de F1 e, para completar a epopeia, fez somente 2 paradas para troca de pneus. Genial. Parece que não ter Kubica por perto fazendo sombra deixou o moscovita mais leve e solto. Fez um bem danado. Pena que foi nessas circunstâncias.

E Heidfeld, cotado como esperança da Renault após o acidente de Kubica (força, polonês, volta logo!), comeu a poeira gelada do russo. Petrov pôs o alemão no bolso fácil. Descontinho para o fato do carro ter sido projetado para o narigudo, que desenvolveu a coisa até se acidentar no rali italiano. Não é fácil sentar num carro estranho e fazer uma corrida esplendorosa, isso é para poucos e iluminados. Mas ter de fazer uso de um binóculo para ver o companheiro de equipe, para quem tem tanta experiência como Nick, é de doer.

Sergio Pérez também fez uma corridaça. Com apenas uma parada, fenomenal. Vai virar um mito, ainda mais que o mexicano tem como companheiro o já mito Kamui Kobaiashi. Essa Sauber tem estrela com pilotos. Pena que foi desclassificada com umas irregularidades meio obscuras, uns milímetros de asa a mais ou a menos. Vai ter recurso. Mas mesmo assim, Peter Sauber já encomendou umas caixas de uísque e uns charutos. Com certeza ele vai comemorar mais feitos dos seus prodígios. E a equipe tem pinta de virar uma das queridinhas do público se mantiver esse carnaval nas próximas provas. Também é certeza que vai brigar para ser a melhor do pelotão intermediário. Abre o olho, Williams!

Buemi fez uma corrida interessante, se mostrou o mais empenhado em levar a Red Bull “B”, vulgo Toro Rosso, a uma melhor posição na prova. Bom piloto, que faz o que se espera dele e um pouco mais às vezes.

Adrian Sutil e Paul Di Resta herdaram as últimas posições na zona de pontos por conta da desclassificação das Saubers. Sutil é um excelente piloto, merecia melhor carro que a Force India. O alemão (mais um, são 7 ao todo esse ano) fez boa corrida novamente e marcou seus pontos. O estreante Di Resta, escocês, fez sua parte e, se não brilhou, deixou Vijay Mallya com um sorriso no rosto.

Dos pontuadores dessa primeira prova, falei de todos. O resto sobre os outros pilotos, pneus, asas, kers e o escambau, eu falo depois.

Segue a pontuação:

Pos Driver Nationality Team Points
1 Sebastian Vettel German RBR-Renault 25
2 Lewis Hamilton British McLaren-Mercedes 18
3 Vitaly Petrov Russian Renault 15
4 Fernando Alonso Spanish Ferrari 12
5 Mark Webber Australian RBR-Renault 10
6 Jenson Button British McLaren-Mercedes 8
7 Felipe Massa Brazilian Ferrari 6
8 Sebastien Buemi Swiss STR-Ferrari 4
9 Adrian Sutil German Force India-Mercedes 2
10 Paul di Resta British Force India-Mercedes 1
Pos Team Points
1 RBR-Renault 35
2 McLaren-Mercedes 26
3 Ferrari 18
4 Renault 15
5 STR-Ferrari 4
6 Force India-Mercedes 3

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