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Ville de Montréal (2)

São Paulo (nunca antes na história…) – Como todo jornalista, torci para a Fórmula 1 ver seu sétimo vencedor diferente em sete provas disputadas nesta temporada, feito inédito na história. E foi o que aconteceu, para deleite de todos os profissionais de comunicação que tinham a manchete pronta desde a etapa passada, quando Webber sagrou-se vencedor em Mônaco. Hamilton, que foi ao pódio nas três primeiras etapas, apresentou sua melhor pilotagem no Canadá – palco de seu primeiro triunfo na categoria – e conquistou sua 18ª vitória, embolando de vez o campeonato. Um prêmio pela regularidade.

Mas o resultado foi quase um roteiro de filme. Somente a sete voltas do fim que o maclariano conseguiu ultrapassar Alonso para assumir a ponta da corrida e da tabela de pontos. E o espanhol, que começou a toda, não deixando Vettel – que largara na pole position – escapar da sua alça de mira, caçando o alemão e liderando a prova numa estratégia ousada de uma parada, viu de longe o triunfo do desafeto. A Ferrari se deu mal e Fernando, de líder, em seis voltas perdeu a vantagem que tinha por causa dos pneus já na lona e ficou com o quinto lugar. Vettel, que é inteligente, viu que ia ficar penando como o espanhol se ficasse abusando dos pneus, parou, trocou os calçados e foi buscar Alonso de novo, passando o ferrarista no finalzinho. O tedesco sabe que qualquer pontinho é importante nessa temporada e tratou de se manter entre os ponteiros.

Já Massa largou bem e vinha com vontade, agressivo, mas rodou sozinho quando era 5º colocado e estava no encalço de Webber (a menos de um segundo) e acabou com suas chances. Tem certas pistas que não casam com pilotos e vice-versa. No Canadá, Felipe nunca chegou a subir no pódio, tendo um 4º lugar como melhor resultado quando ainda corria pela Sauber. Montezemolo vai ter de ter paciência de monge tantas foram as chances e palavras de ajuda para o brasileiro. Após a prova, em entrevista aos jornalistas brasileiros, admitiu: “Foi uma cagada”. Foi mesmo, mas há de se ressaltar que ele andou bem todo o fim de semana, foi aguerrido e ainda lucrou um pontinho para o time depois de tudo isso. O outro brasuca, Bruno Senna, ficou em 17º, pífio, para não dizer outra coisa. Maldonado foi menos pior, 13º, mas a Williams deu um passo para trás na ilha de Notre-Dame. Espero que seja só um lapso.

Outro apagado foi Button, que em mais uma corrida péssima, deu adeus às chances de título. Venceu no começo do ano e só. Em Montreal, contentou-se em completar a corrida. Webber, depois da vitória na última etapa, foi coadjuvante, mas andou bem. Rosberg deu trabalho pra todo mundo e fez uma prova digna. Schumacher, coitado, de sortudo nos tempos ferraristas, virou abóbora na Mercedes. Abandonou com uma asa móvel que não se movia, abriu na reta e lá ficou, paradona. É aquela coisa de equipamento de meio milhão de euros que precisa ser consertado na marreta.

Mas a surpresa da etapa foi um pódio com Grosjean e Pérez. Fantástico. Sempre é boa uma prova assim, com essas coisas inesperadas acontecendo no final. Lotus e Sauber são duas equipes que sabem cuidar da borracha maluca da Pirelli, coisa que a Ferrari não faz, destruindo os pneus. Checo e Romain, que já conheciam os compostos italianos da época de GP2, fizeram uma parada só e andaram muito rápido depois mesmo com pneus desgastados. E aí viu-se no pódio coisa que há tempos não acontecia, de pilotos comemorando muito o segundo e terceiro lugares. A festa da champanhe foi bacana de se ver.

A prova teve outras coisas legais, com umas ultrapassagens mais rebuscadas e umas disputas por segundos nos boxes, que, como são mais curtos nessa pista, não deixam perder tanto tempo para quem para. Hamilton ultrapassou Alonso assim. O espanhol não conseguiu abrir tanta vantagem depois da parada de Lewis e entrou para fazer a sua com uma janela apertada. Voltou na frente, mas de pneus frios, tomou um passão por fora do inglês. Kobayashi não foi tão mito dessa vez, mas virou a nêmesis de Schumacher. Toda prova eles se acham em algum momento não importa a ordem, mas sempre sai uma faísca boa ou ruim.

E quem diz que não tem emoção na F1, que vá assistir golfe ou pólo a cavalo. A categoria está em voga de novo porque sabe se reinventar. Prova disso é que agora o campeonato fica com todo mundo meio junto na tabela: Hamilton com 88, Alonso com 86, Vettel com 85, Webber com 79 e Rosberg com 67. E com Lotus e Sauber no pódio, aumenta a lista de possíveis vencedores nos próximos Grandes Prêmios. Mesmo assim, acho que o título vai se desenhando para os três primeiros aí em cima, salvo se alguém encaixar umas vitórias e pódios que possam mudar esse panorama. E não acredito em mais um vencedor diferente, entretanto, fica complicado fazer alguma previsão.

O próximo GP é em duas semanas nas ruas de Valência, na Espanha. É uma corrida mais legal pela paisagem que pelo circuito, mas esperemos os treinos para apontar uma ou outra luz nesse campeonato doido. Vai ser brigado até o Brasil.

 

Resultado final – GP do Canadá:

1º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 40 voltas em 1h32min29s586
2º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 2s5
3º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 5s2
4º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 7s2
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 13s4
6º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 13s8
7º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 15s0
8º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 15s5
9º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 24s4
10º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 25s2
11º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 37s6
12º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 46s2
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 47s0
14º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 1min04s4
15º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
16º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 1 volta
17º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 1 volta
18º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 1 volta
19º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
20º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 3 voltas

Não completaram:
Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), na volta 69
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), na volta 43
Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), na volta 34
Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), na volta 32

Fotos: Nextgen-auto.com

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In Malaysia (2)

São Paulo (onde tem fumaça, tem fogo) – Para nossa alegria, choveu na Malásia. Quando não tem um sol para cada um, tem um dilúvio de proporções bíblicas. E como brincou Galvão na transmissão, só pode ter sido ideia do Bernie Ecclestone de fazer a corrida ser nesse horário, porque chove, mas chove muito, e justifica a declaração de que o chefão da F1 queria molhar a pista uma época para dar mais emoção. E é dramááático, amigo…

E para quem viu desde o começo, uma corrida mítica. Fernando Alonso e Sergio Pérez foram os nomes da prova. E como tem estrela esse Alonso, vai ser largo assim lá em Sepang! O cara nasceu virado para a lua numa noite de planetas alinhados com o sol brilhando na décima-terceira casa do horóscopo chinês em ano bissexto, só pode! Nada explica essa sorte toda (além de uma competência ímpar, claro) para chegar em primeiro com a Ferrari. E “Checo” Pérez é outro competente e agraciado pela Dona Sorte. Colocar uma Sauber no pódio é um feito digno de medalha, placa de prata, busto de bronze na sede da equipe e um aperto de mão do Carlos Slim. 

Mas vamos aos fatos. Na largada começou a chover fraco e em oito voltas a chuva deixou a pista como um imenso lago, causando entrada do safety-car e logo depois uma bandeira vermelha, que interrompeu a corrida 51 minutos. Antes do aguaceiro, Hamilton e Button seguiram na ponta e apenas Perez e Senna entraram para trocar pneus – Sergio porque foi esperto e vidente e Bruno porque se achou com Maldonado. Aí todo mundo resolveu ir para o box, mas Pérez já tinha ganhado todas as posições menos as das McLaren.

Na relargada, o safety-car foi na frente guiando o pelotão, e depois de sua saída, sete pilotos foram colocar pneus intermediários. Aí Hamilton, um dos primeiros a entrar, teve de esperar todo mundo passar para ele poder sair, aí Alonso ganhou a primeira posição que era de Pérez naquele momento. E Button, quem diria, deu uma de novato e acertou Karthikeyan, que estava na frente (sim, é verdade!), num erro incomum do lorde. Com o bico quebrado, Jenson teve de parar de novo. Sua corrida acabou aí.

E Alonso, o santo milagreiro espanhol, tirava 1,5 segundo por volta dos outros com a carroça vermelha aproveitando a cara no vento. Aí Pérez reagiu: foi tirando a diferença volta a volta, virando 7 décimos mais rápido que Fernando e que a McLaren de Hamilton. Nesse ínterim, a pista foi secando e Ricciardo foi o primeiro a colocar pneus de pista seca, e voltou virando 5s mais rápido que todo mundo. Alonso parou uma volta antes de Perez e conseguiu respirar um pouco, mas o chicano foi buscar a diferença e se aproximou perigosamente, tirando mais de 1 segundo por volta.

Faltando sete giros para o fim, Pérez colou em Alonso e aí veio uma mensagem de rádio que fez as coisas ficarem muito esquisitas. O engenheiro da Sauber disse a Sergio: “Checo, tome cuidado. Precisamos dessa posição”. E nisso o piloto escapou da pista, colocando as quatro rodas na pista úmida e acabando com suas chances de ultrapassagem sobre o bicampeão.

As teorias: a mensagem desconcentrou o piloto, que ainda não tem tanta experiência e se afobou um pouco atrás de Alonso. Ou foi uma mensagem cifrada da Sauber corre com motores Ferrari. Mas que isso ficou estranho, ah, ficou, e muito!

E parece que a molecada treme um pouco quando chega atrás de Fernando. Na Austrália foi Maldonado, agora Pérez. Mas o resultado é que Alonso chegou em primeiro, incrível com o carro que tem. Sergio levou a Sauber ao melhor resultado da história da equipe. Hamilton completou o pódio. E de quebra, o engenheiro de Fernando e Peter Sauber choraram com a performance de seus contratados.

Os mecânicos de Alonso colocaram na placa a palavra “mágico”. E foi mesmo. De novo, o espanhol tira leite de pedra do carro. E foi um baita resultado para Sergio e a Sauber. Primeiro pódio mexicano desde o segundo lugar de Pedro Rodriguez em Zandvoort, 1971. Tem futuro esse garoto.

E Kobayashi não foi mito, terminou abandonando, com problemas no freio. Quem fez bonito foi Bruno Senna, que tinha ficado em último na largada e veio jantando quem estivesse em sua frente com maestria. Finalizou em 6º , justificando sua contratação pela Williams.  Corridaça do brasileiro. Maldonado foi pífio, apenas 19º. O venezuelano mostra que é bem rápido e que está evoluindo muito a cada prova, mas ainda é atabalhoado demais.

As Red Bull foram mais que discretas. Mark Webber fez sua corrida sem sustos e fechou em 4º. Guiou para o gasto. Já Vettel sofreu também com a HRT de Karthikeyan. Se Button errou e quebrou o bico na batida, Sebastian foi ultrapassar e encostou no bico da HRT, saindo com um pneu furado e xingando todos os deuses e castas do piloto indiano. O carro  espanhol é lento demais e deixou o atual campeão apenas no 11º lugar. Sem pontuar, Vettel vai ter de se superar para manter a equipe energética entre os líderes no próximo GP.

Räikönnen deixou sua marca registrada na Malásia. Cravou a melhor volta no finalzinho. Se não ganha ou não faz uma corrida brilhante, pelo menos põe seu nome nas estatísticas da prova. Seu companheiro está virando leão de treino, porque em corrida é fraco. Abandonou na quarta volta com o carro na brita. Fraquíssimo.

Sobre as Mercedes, não aposto mais nada. Schumacher e Rosberg vão bem na classificação, mas em corrida perdem para o carro. Parece que só funciona com pouca gasolina. Pelo menos Schumi marcou um pontinho, mas nem razoável é pelo que a equipe mostrou na pré-temporada.

Aí temos duas Force India e uma Toro Rosso entre os 10 primeiros, bom resultado. Vijay Mallya tem uma boa dupla e Vergne parece que dá conta do recado na equipe rubrotaurina. E lá atrás as Caterham, Marussia e HRT fechando os que completaram a prova, com Maldonado no meio.

O que fica é essa imagem acima de Stefano Domenicali abraçando Pérez. Vale lembrar que, além da Sauber correr com motores Ferrari, Checo já testou pela equipe de Maranello não faz muito tempo e que a histérica imprensa italiana cogita que o mexicano é o nome para substituir Massa, que mais uma vez vai ter de lidar com as críticas pesadas de todo mundo, e muito por culpa dele dessa vez. Não dá para deixar o companheiro de equipe vencer enquanto se termina em 15º. A frigideira de Felipe só ganha mais calor com essa prova malfeita e a fritura pública vai ter mais um round.

O boato ganha força. E no fim até os mecânicos da Ferrari abraçaram Pérez. Estranho, muito estranho…

Com o resultado, Alonso lidera o Mundial de Pilotos, com 35 pontos. Hamilton é o vice-líder, com 30. Button tem 25. No Mundial de Construtores, a McLaren tem 55 pontos, contra 42 da Red Bull e 35 da Ferrari.

A próxima corrida é no dia 15 de abril, na China.

GP da Malásia – classificação final:
1º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 56 voltas em 2h44min51s812
2º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 2s263
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 14s591
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 17s688
5º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 29s456
6º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 37s667
7º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 44s412
8º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 46s985
9º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 47s892
10º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 49s996
11º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 1min15s527
12º. Daniel Ricciardo (ITA/Toro Rosso-Ferrari), a 1min16s800
13º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 1min18s500
14º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 1min19s700
15º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 1min37s300
16º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
17º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a 1 volta
18º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 1 volta
19º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 2 voltas
20º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 2 voltas
21º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), a 2 voltas
22º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), a 2 voltas

Não completaram:
Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Petronas), abandonou na volta 47
Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), abandonou na volta 4

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In Malaysia (1)

São Paulo (replay?) – Lewis Hamilton deve ter perdido umas boas horas de sono depois do GP da Austrália, onde largou na pole e teve de ver seu companheiro de equipe estourando o champagne da vitória enquanto ele recebia o troféu no 3° degrau. Pois parece que a insônia deixou o rapaz com fome.

O grid de largada do GP da Malásia é um repeteco da primeira prova do ano, com Hamilton (sorrindo com uma certa raiva, como quem diz “olha eu aqui de novo”) e Button fazendo a dobradinha da equipe da vez, e com Schumacher em 3º. A McLaren mais uma vez mostra que virou a caça, posição da Red Bull em 2011. Embora nos treinos livres, os prateados tivessem sido superados pelos outros prateados da Mercedes com Rosberg, que larga em 7º novamente.

Vettel ficou atrás de Webber, que saem em 5º e 4º respectivamente, um pouco decepcionante para quem até há poucos meses  subjugava sem dó o resto da turma. Os bicos de ornitorrinco ainda estão apanhando dos carros lisos do time de Woking.

A Lotus andou muito bem com Kimi e Grosjean, mas o finlandês teve de trocar o câmbio e larga no meio do bolo. Não que ele esteja ligando muito, vai se divertir como sempre. E como a Red Bull ainda não achou o acerto ideal para o calor do demo que faz em Sepang, vai dar briga boa aí, no que parece ser o resumo da corrida: McLaren na frente com a Mercedes no cangote e Red Bull se virando como pode entre se defender dos ataques da Lotus e tentando atacar a Mercedes para ver se chega na dupla prateada.

Agora, as turma que sofre. Alonso novamente tira leite de pedra da Ferrari, achando um ou outro cavalo perdido em sua carroça vermelha. Larga em 8º, excelente pelo momento vivido na scuderia. Massa ainda convive com pôneis malditos. Será apenas o 12º, encaixotado entre as Williams de Maldonado e Senna, 11º e 13º. E a diversão da vez nos sábados é saber se a Ferrari passa ou não para o Q3.

É bom que Felipe abra o olho e ache um meio de fazer uma corridaça, porque seu processo de fritura na imprensa italiana já começou e de forma pesada. E como Maranello normalmente dá ouvidos aos jornais, mais um fracasso retumbante basta para Luca di Montezemolo passar a mão no telefone e mandar o brasileiro “a ‘fanculo”. Massa ganhou um novo chassi, um pouco melhor que o da Austrália, mas os pneus ainda são um problema.

As Williams evoluíram como nunca antes na história desse país. E o venezuelano aproveita melhor o carro que tem. Bruno disse que não conseguiu achar uma volta rápida. Pois que ache logo, filho, ou vai ficar vendo o vizinho na frente o tempo todo. Já a Sauber achou um 9º com o cada vez melhor Sergio Perez, surpreendente. E Kamui “mito” Kobayashi deve ter comido um sushi estragado: apenas em 17º, nada explica.

De resto, Force India e Toro Rosso que andaram bem nos treinos livres, foram lá para trás na classificação. Desempenho aquém do esperado; se terminarem a prova sem bater em ninguém, ótimo. E Caterham e Marussia fizeram seu papel, fechando o grid. Ah, e tem as HRT que incrivelmente ficaram dentro dos 107% e evitaram mais uma viagem perdida. Karthikeyan vai pegando mais quilometragem, apenas, e De La Rosa deve ligar seu iPod e ir ouvindo uma guitarra espanhola. Duas chicanes ambulantes.

Meu palpite? Button, Hamilton e Webber. Não, sei, sinto que Vettel vai ser atrapalhado com alguma coisa. E sobre Jenson chegar na frente de novo, Lewis mesmo disse que o ponto crucial desse grande prêmio será como os pilotos vão lidar com seus pneus – a prova tem previsão de pelo menos três paradas para troca da borracha. E nesse aspecto, o vizinho de box de Lewis é o supra-sumo. Enquanto Hamilton vem com fome, sede e vontade de jantar o parceiro na pista, o outro inglês é cerebral em corridas, guiando com excelência ímpar. Se der vitória de Jenson novamente, Hamilton deve dormir mal até Interlagos.

Para quem permanecer acordado, a largada é daqui a pouco, às 5 horas, na Globo.
Grid de largada – GP da Malásia:

1º.Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min36s219 (14 voltas)
2º.Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min36s368 (14)
3º.Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min36s391 (14)
4º.Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min36s461 (19)
5º.Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min36s634 (14)
6º.Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), 1min36s658 (14)
7º.Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min36s664 (14)
8º.Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min37s566 (16)
9º.Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), 1min37s698 (17)
10º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), 1min36s461 (13) (*)

11º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), 1min37s589 (14)
12º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min37s731 (15)
13º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), 1min37s841 (13)
14º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 1min37s877 (15)
15º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), 1min37s883 (14)
16º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), 1min37s890 (13)
17º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min38s069 (12)

18º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), 1min39s077 (7)
19º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), 1min39s567 (6)
20º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), 1min40s903 (8)
21º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), 1min41s250 (8)
22º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), 1min42s914 (4)
23º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), 1min43s655 (6)
24º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), 1min39s306 (9) (**)

(*) Punido com perda de cinco lugares por troca de câmbio após segundo treino livre
(**) Punido com perda de cinco lugares por ultrapassagem irregular no GP da Austrália

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Commonwealth of Australia (3)

São Paulo (like a boss) – E a Austrália marcou a abertura dos trabalhos de 2012 da F1 com cara de GP da Austrália. Uma corrida interessantíssima do começo ao fim, e que final. Valeu ter ficado acordado na madrugada para ver essa prova.

Jenson Button, o lorde, venceu magnificamente – pela 13ª na carreira e 3ª na terra do canguru, colocou Lewis Hamilton no bolso e mostrou que a McLaren tem grandes chances de ser o carro da vez. Pulou na frente na largada e da frente não saiu até ver a bandeira quadriculada depois de 58 giros pelo circuito de Albert Park, em Melbourne. E como guia esse rapaz, dá até raiva. Raiva que ficou estampada na cara de nojinho de Lewis quando recebeu seu troféu de terceiro lugar no pódio. Agora a equipe de Ron Dennis já mostra seus dentes à  Red Bull, que vai ter trabalho para segurar os prateados

Button celebra sua vitória magistral em Albert Park

A Red Bull já não está mais com essa bola toda, parece que o carro sem degrau no bico da McLaren é melhor que o projeto de Adrian Newey e sua misteriosa entrada de ar, mas Vettel comseguiu um ótimo segundo lugar, comemorado com verdadeira alegria porque o alemãozinho sabe a importância de cada ponto quando não se tem o melhor carro. Webber, em casa, foi ensanduichado na largada e teve dificuldades ao longo da prova, mas levou seu carro a um bom 4º lugar.

A Ferrari já vai trabalhando em Maranello num novo carro, porque esse começou errado e não vai a lugar algum. Alonso é um herói por conseguir pilotar uma trapizonga horrível, levando a carcaça vermelha ao 5º lugar. Fernandito sim tem justificativas para ficar de cara amarrada. Felipe, ah, Felipe… Vinha andando honestamente, fez uma ótima largada pulando para P10 quando o a borracha acabou, aí parou e a Ferrari o mandou de volta à pista com pneus macios novamente, obrigando-o a parar de novo quando chegou na lona. Aí, no final, se enroscou com Bruno Senna e ambos foram prejudicados.

Massa quebrou alguma coisa além do bico no carro e Bruno foi para a brita com um pneu furado. Felipe abandonou logo depois e Senna também recolheu, preferindo poupar o carro que estava superaquecendo por causa das pedras no radiador do que forçar o equipamento lutando por migalhas. E o primeiro-sobrinho quase capotou na primeira curva, sendo abalroado por meio mundo. Vinha de último e fazia uma corrida de recuperação, mas minimizou o acidente, dizendo que era coisa de corrida, o que Felipe confirmou pouco depois.

Bruno Senna é abalroado na primeira curva

Maldonado com a outra Williams vinha fazendo uma corrida sensacional. Largou bem, deu um chega-pra-lá em Grosjean – que teve de abandonar após a batida que quebrou a suspensão dianteira – e vinha dando um calor em Alonso, lutando pela quinta posição quando na última volta colocou uma roda na grama e escapou, dando de frente no muro. Fim de prova para o venezuelano que perdeu seu melhor resultado na F1. Frank Williams vai mandar a conta para Hugo Chávez. Deve ter dado saudade de Barrichello nessa hora.

Com isso, Kamui Kobayashi herdou o sexto lugar, merecido para quem fez uma prova excelente. O MITO veio lutando contra pneus desgastados, controlando as saídas de traseira da Sauber e terminou o GP com as asas dianteira e traseira quebradas. E deu trabalho para todo mundo, vendendo caro ultrapassagens, dando “X” em Rosberg, ultrapassando com arrojo onde dava. Corridaça. E o “chico” Pérez largou em último e na sétima volta já era o 10º. Terminou em 8º, muito bom resultado. Está bem servida de pilotos a Sauber, que parece ter um carro bem melhor do que os treinos mostraram.

O 7º lugar ficou com Kimi Raikkonen, que resolveu falar por rádio tudo o que não fala nas entrevistas. Coitado do engenheiro, que vai ter de ouvir o finlandês reclamando de tudo e de todos mais 19 vezes no ano. Mas o Iceman fez uma belíssima prova em sua reestreia na categoria, nem parece que ficou dois anos fora. E deu uns pontinhos à Lotus de quebra.

Vitaly Petrov abandona sua Caterham no meio da reta

Ricciardo de Toro Rosso e Di Resta com a Force India fecharam a zona de pontos, bom para os dois, que largaram no fundão e evitaram as confusões. O australiano da Toro Rosso conseguiu ser o melhor estreante e de quebra levou dois pontinhos. E Rosberg vinha fazendo uma excelente corrida até a última volta, quando teve um pneu furado pelos destroços da Williams de Maldonado, finalizando em 12º. Schumacher abandonou com problemas de câmbio quando estava indo bem. Triste para o heptacampeão, que voltou a sorrir com o carro bem feitinho que a Mercedes deu para ele. Esperava-se mais nessa corrida. Eu inclusive apostei num pódio, mas se tudo der certo, a Mercedes será uma presença constante na frente nas próximas corridas, incomodando McLarens e Red Bulls.

E as duas Marussia conseguiram completar a prova sem muitos sustos com o bom e sub-aproveitado Glock e o estrante Charles Pic. Já são melhores que as Caterham, que ficaram pelo caminho. Primeiro com Petrov, que parou no meio da reta principal e causou a entrada do Safety Car – inclusive com um caminhão de resgate acelerando tudo na reta para rebocar o carro do russo, causando a cena engraçada do fim de semana. E depois teve Kovalainen, que também abandonou.
 

Pintou o campeão?

O que se tira desse (excelente) GP da Austrália de 2012 é que a briga do ano será entre McLaren e Red Bull, com eventualmente alguém aparecendo entre eles, mas arrisco-me a dizer que a briga pelo título dificilmente escapará dessas equipes e seus pilotos. A McLaren não tem degrau no bico nem polêmica de duto como a Mercedes e a Red Bull tem um carro bom e um piloto bicampeão, que é arrojado e competente. Vettel, inclusive, soube aproveitar muito bem a hora de parar, estava no lugar certo quando o Safety Car deu as caras. Rola um favoritismo no ar, sem dúvida, mas Melbourne costuma não mostrar 100% as tendências. Nesta temporada, o grupo de pilotos está muito forte, tem muita gente de alta qualidade.

Jenson é um lorde, inteligentíssimo e extremamente competente em corridas com sua capacidade ímpar de cuidar do desgaste dos pneus como se fossem feitos de cristal caro. Lewis terá trabalho. Jenson já conseguiu impor um castigo moral duríssimo na primeira batalha, inclusive soltando um “Welcome 2009” pelo rádio após receber a bandeirada final, indicando que veio com tudo para vencer. E Hamilton é um sujeito com psicológico frágil, que se abala facilmente. Se não andar na frente nos próximos treinos e corridas, tem grandes chances de se afundar no próprio ímpeto como aconteceu ano passado.

Alonso fez o que se espera dele e um pouco mais. Schumacher ressurgiu mas não apareceu na corrida, uma pena. E o legal disso tudo é que, na temporada que teve o maior número de campeões mundiais no grid, os três últimos subiram ao pódio, com cinco deles terminando na zona de pontos. A próxima corrida será na Malásia, dia 25, daqui a uma semana, onde teremos uma real noção do embate entre as equipes. Aí poderemos ir definindo mais um pouco quem será o homem e o carro a ser batido.

Classificação final – GP da Austrália:
1º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 58 voltas (2 paradas)
2º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 2s1 (2)
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 4s0 (2)
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 4s5 (2)
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 21s5 (2)
6º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 36s7 (2)
7º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 38s0 (2)
8º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 39s4 (1)
9º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 39s5 (3)
10º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 39s7 (2)
11º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 39s8 (2)
12º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 57s6 (2)
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a uma volta (2)
14º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a uma volta (2)
15º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a cinco voltas (4)
16º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a seis voltas (4)

Não completaram:
Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 12 voltas (4)
Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 20 voltas (4)
Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 24 voltas (1)
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 48 voltas (1)
Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 57 voltas (0)
Nico Hülkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 58 voltas (0)

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Commonwealth of Australia (2)

São Paulo (alargamento de pista) – A primeira classificação do ano foi qualquer nota. Mas incrível, como há tempos não via uma tão cheia de adrenalina e sem previsão do que estava por vir. Os destaques foram as escapadas de pista e Grosjean em terceiro. Isso mesmo. Muita coisa aconteceu, vamos tentar organizar tudo.

Quase todo mundo – RedBull, inclusive – deu um passeio na grama. Com todos andando no limite, até Button fritou pneus. No Q1, o que se viu foi um certo desespero na Ferrari que saiu de pneus macios para tentar escapar da degola.

Isso mesmo. Em vez de lutar pela pole, os esforços foram para evitar ficar pelo caminho logo no começo. Massa e Alonso conseguiram a duras penas e o espanhol, já no Q2, saiu da pista no mesmo ponto onde Massa rodou na sexta-feira (com o atenuante de que a pista estava molhada) e onde rodaram Schumacher e Vettel. Porém, Alonso o fez no seco, causando bandeira vermelha no Q2. E a Ferrari mostra ao mundo que o carro é mal-nascido, com seus dois pilotos andando no limite e tentando tirar mais do F2012 do que ele pode oferecer. E mesmo tendo rodado, Fernando larga na frente de Felipe (12º e 16º respectivamente), num péssimo começo de temporada para o brasileiro, que tomou 1,5 segundo do asturiano. Massa reclamou de novo do aquecimento de pneus, que o carro não tem equilíbrio porque falta aderência, e tudo isso em seu último ano de contrato na scuderia. O pessoal de Maranello já deve estar preparando uma F2012_B e pensando em um piloto C. Será um longo ano para Felipe.

Kimi Raikkonen não conseguiu levar sua Lotus ao Q2, ao que parece por um problema mecânico. E ainda evitou um vexame histórico de Massa. Como havia dito no post anterior, Kimi voltou para acabar com a mesmice da pilotaiada. Quando interpelado sobre sua classificação pífia, ele soltou um “Não pensei que tinha de dar outra volta”. Gênio! Ele é um iconoclasta da F1, está se lixando para essas coisas, daqui a pouco ele arranca um pódio e vai comemorar com vodca longe da imprensa. O curioso foi o campeão de 2007 e o vice de 2008 disputando vaga no Q2.

Quem roubou a cena foi Romain Grosjean. Chutado da Renault, ficou na GP2 onde foi campeão e voltou à mesma escuderia (sob nova direção, nome etc.) mostrando que é a escolha certa. Deixou Kimi na saudade e colocou a Lotus em 3º no grid, um feito impressionante. Amanhã, na largada, ele vai olhar para o lado e enxergar apenas campeões mundiais à sua volta: Hamilton, Button e Schumacher. Grosjean mostrou não apenas a força da Lotus, mas também a maturidade adquirida em sua reestreia. Ponto para ele. Vamos ver como se comporta na largada e na corrida.

Hamilton (centro), Button (dir.) e Grosjean (esq.) serão os três primeiros do grid para o GP da Austrália 2012

A Mercedes mostrou que tem algo mais nesse carro. Schumacher conseguiu um ótimo 4º lugar. Rosberg andou na frente o tempo todo, mas errou no fim e ficou em 7º, o que ainda é bom. Para a Red Bull, que ano passado dominou tudo nos sábados, passou o cetro para a McLaren e vai sair da terceira fila, com Webber na frente. Fim de semana ruim para Vettel e sua trupe, apontando que os rubrotaurinos não estão com essa bola toda neste comecinho de temporada.

E a McLaren conseguiu sua primeira dobradinha desde Valência em 2009. Hamilton fez uma volta voadora na primeira tentativa. Button precisou de dois giros para chegar perto, mas como se sabe, ele não é tão agressivo em classificações. Ótimo para o time de Ron Dennis, confirmando as expectativas sobre seu equipamento.

Maldonado merece menção honrosa por colocar uma Williams no Q3, em 8º. Senna-sobrinho preferiu não arriscar e sai em 14º com um carro que evoluiu bem desde a pré-temporada. E as Toro Rosso foram bem também, com os estreantes Ricciardo e Vergne.

A Sauber ficou pelo caminho no Q2, deve embolar o meio do grid. A Force India arrancou um 9º com Hulkenberg, mas foi só. Fiquemos de olho no bolo do meio para trás, será mais interessante que a briga dos seis primeiros.

E o resto é aquela coisa Caterham na frente, Marussia se arrastando e HRT eliminada nos 107%.

Meu palpite: Hamilton, Button e Schumacher. Na classificação cheguei perto, vamos ver se essa eu ganho.

 

Grid de largada – GP da Austrália:

1º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min24s922
2º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min25s074
3º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), 1min25s302
4º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min25s336
5º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min25s651
6º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min25s668
7º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min25s686
8º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), 1min25s908
9º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), 1min26s451
10º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), sem tempo

11º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), 1min26s429
12º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min26s494
13º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min26s590
14º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), 1min26s663
15º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 1min27s086
16º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min27s497
17º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), sem tempo

18º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), 1min27s758
19º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), 1min28s679
20º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), 1min29s018
21º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), 1min30s923
22º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), 1min31s670

Eliminados pela regra de 107%
Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), 1min33s495
Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), 1min33s643

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Commonwealth of Australia (1)

São Paulo (Está valendo!) – Nesta sexta – para nós, na quinta –  começou a temporada 2012 da Fórmula 1 com os treinos livres no circuito de Albert Park, que desde 1996 recebe a categoria. E já pintaram umas surpresinhas nas primeiras sessões.

A McLaren dominou a primeira leva, mas serviu mais para tirar a poeira da pista do que para ver tempos de volta. Na segunda parte do dia e após o aguaceiro que caiu em Melbourne, Schumacher teve o gostinho de andar na frente e fechar a folha de tempos no topo, depois que a pista foi secando. O que confirma umas primeiras impressões…

Uma das duas únicas equipes que não adotaram o bico “ornitorrinco”, a McLaren mostra a força de seus carros e de seus pilotos, o que pode ser um indício de que se a RedBull não estiver escondendo o jogo (como normalmente faz às sextas-feiras), vai ter trabalho para segurar os prateados na classificação. Lembrando que cinco dos últimos seis vencedores do GP da Austrália sagraram-se campeões no fim do ano, é bom ficar de olho em quem sai na frente para a corrida.

A Mercedes ao que parece fez um carro acertadinho e pode dar trabalho para McLaren e RBR, além da Ferrari, as três primeiras equipes de 2011. Mas o calvário dos italianos parece ter recomeçado. A Ferrari está mal das pernas.

Massa vai para a brita após rodar no primeiro treino livre do GP da Austrália

Depois da proibição de entrevistas para tentar esconder os erros na preparação, a scuderia não mostrou muita eficiência na pista. Massa rodou e perdeu o resto do treino, deixando uma má impressão entre todos na equipe, fácil de ver quando a TV mostrou os boxes após o erro. Alonso andou o que pôde (foi p4 nos dois treinos) e continua tentando tirar leite de pedra. Mas o terceiro treino livre fez acender a luz vermelha de vez, com Alonso terminando em P16 e Massa em P18.  Tem um cheirinho de crise no ar.

Kimi Raikkonen ficou um tempão com cara de saco cheio enquanto a Lotus tentava arrumar seu carro para o treino, mas quando saiu não fez feio, mostrando que não terá problemas de readaptação e que novamente irá quebrar a mesmice que insiste em pairar sobre a pilotaiada. E Grosjean conseguiu uma ótima P2 no terceiro treino. A Lotus ano passado também começou bem, mas depois se perdeu no meio do caminho. Pelo menos nessas primeiras provas, deve andar bem.

O "Iceman" está de volta

A Force India mostrou que tem carro para beliscar as últimas vagas da superpole com Hulkenberg e Di Resta. A Williams tem um carro ainda se acertando com o motor Renault e parece que Maldonado foi o que melhor se acertou, andando na frente de Ferrari, Lotus e Toro Rosso, impressionante. Bruno Senna ainda está “verde” e no fim do terceiro treino acabou rodando com pneus frios. A não ser que faça uma classificação de cair o queixo, corre o risco de ser coadjuvante do venezuelano no fim de semana.

Toro Rosso vai andar lá atrás, brigando com Caterham e Marussia (e possivelmente uma Williams e a Sauber). O surpreendente é a Marussia, que foi para a pista sem um teste sequer e marcou um 12° lugar na segunda sessão. A Caterham também fez um honroso 8° lugar com Kovalainen. A Sauber vai ficar ali mesmo, tentando melhorar ao longo da temporada. E a HRT fecha o grid. De La Rosa ficou vendo dos boxes o primeiro treino e demorou uma eternidade para conseguir dar uma volta no segundo. Quando saiu o carro pifou.

Após três sessões de treinos, a divisão de forças na Austrália para a classificação está mais ou menos assim:

– RedBull e McLaren brigando pela pole com Mercedes tentando colocar água nesse chope.
– Lotus, Force India e Sauber com um ou outro carro no Q3 + Alonso.
– Se a Williams entrar entre os 10, será com Maldonado, mas a disputa mesmo é com Caterham. O resto anda lá atrás.

Meus palpites para os três primeiros? Button, Vettel e Schumacher. Vamos ver se nessa eu acerto. Alguém dá mais?

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