Arquivo do mês: abril 2012

Mamlakat al-Baḥrayn

São Paulo (tudo bem…) – Atrasado de novo, mas beleza. Dá tempo de pensar mais e escrever menos. No fim, os protestos foram contidos no Bahrein, as ameaças de manifestações próximas ao circuito de Sakhir não foram deflagradas e a corrida foi tranquila. Mas foi surpreedente, de novo. Quem reclamou que a Fórmula 1 seria a mesma coisa, que falta emoção, teve de dobrar a língua.

A começar com a pole position de Sebastian Vettel, a primeira dele e da Red Bull no ano. O bicampeão apareceu e mostrou o dedo de novo, o de número 1, que irrita os adversários. Na posição de honra saiu, e nela mesma chegou. Até aqui foi a melhor corrida do ano.

Vettel venceu, marcando o primeiro triunfo da Red Bull em corridas. Seu companheiro de equipe, Webber, pela quarta vez chegou em quarto lugar. E desde 1983 que quatro pilotos de equipes diferentes não venciam as quatro primeiras corridas.

O bicampeão largou na frente e foi abrindo, sendo ameaçado no terço final da prova por um surpreendente Kimi Raikkonen, que fechou na segunda posição, quase abdicando de lutar pelo primeiro posto, mas levando a Lotus a um novo patamar nesse início de temporada. Grosjean terminou mais uma corrida e, pasmem, em terceiro. A equipe de ambos agora se junta à Mercedes nas postulantes a roubar a cena. O francês largou bem e tomou a posição de Webber, e depois a de Lewis Hamilton, num rendimento impressionante no começo. Mas logo depois, Kimi passou e começou a abrir terreno, com pneus macios que lhe davam meio segundo a menos que Vettel, colando no alemão.

A Red Bull ainda não tem carro para lutar sempre por vitórias, mas o incômodo da McLaren é um sinal que a temporada europeia promete. Erros nos boxes custaram a corrida para os ingleses, que tiveram um dia para ser esquecido. Button abandonou depois de ter um pneu furado e se arrastar até desistir e Hamilton foi apenas o oitavo, com todas as suas três paradas sendo arruinadas pela equipe, que não conseguiu fixar os pneus direito, fazendo Lewis perder várias posições.

A Ferrari começou bem com Massa, mas como o carro não ajuda, após atacar Kimi, foi perdendo rendimento. Mesmo assim fez sua melhor corrida até agora, sempre perto do companheiro de equipe, finalizando em nono, marcando seus primeiros pontos e saindo do incômodo zero. Até foi elogiado por Alonso, sétimo na prova do deserto e mais discreto dessa vez. Importantíssimo para a escuderia acumular o maior número de pontos possível enquanto não estreiam um pacote novo.

O outro brasileiro, Bruno Senna, fez uma largada espetacular, mas sofreu com os freios da Williams desde a primeira parada e abandonou depois de ficar apenas brigando por posições intermediárias. Maldonado abandonou no meio da corrida, pífio. Os pneus da Williams viraram chiclete em Sakhir.

As Force India, depois de serem boicotadas no sábado pela TV por desistirem do segundo treino de sexta, tiveram destaque na televisão na corrida. Ainda mais porque Paul di Resta chegou a liderar algumas voltas entre as paradas, terminando em sexto (largou em 10º) com uma bela estratégia de parar só duas vezes. Já Hulk não aproveitou o bom momento e sofreu com pneus no final, soi só o 12º.

Já as Toro Rosso, que fizeram uma bela classificação com Ricciardo em sexto, sucumbiram à sua fraqueza. Daniel acabou atrás de Vergne. As Sauber mais uma vez foram fogo de palha. Mito não mitificou nada e Pérez brigou apenas lá no meio da turma. Espera-se que melhorem na Europa também. O resto foi normal, como sempre. Pelo menos a turma de trás conseguiu completar a prova, mas continuam sendo chicanes ambulantes.

O interessante é que, se na China foram três motores Mercedes no pódio, agora foram três Renault. Foram quatro líderes diferentes até agora, quatro vencedores e entre os quatro primeiros, os mais regulares foram Hamilton, Webber e Alonso, que pontuaram em todas as corridas. Quem é conhecido como o mais regular, um gentleman das pistas, está tendo um azar danado até agora. Button seria o líder se não tivesse um pneu furado e uns erros da equipe.

O pulo do gato até agora é a regularidade. Webber está ali, quietinho, sem fazer alarde, e é o terceiro com 46. Vettel assumiu a ponta com a vitória e soma 53 pontos. Hamilton e Button intercalam as posições (49 e 43) e logo atrás vêm Alonso (43), Rosberg (35), Kimi (34), Grosjean (23), Sergio (22) e Di Resta (15), fechando o top-10. Senna é 11º com 14 pontos.

A briga será boa na próxima prova, na Espanha. Os sete primeiros devem vir babando pela vitória e a temporada só esquenta. Mas realmente, o mais legal foi ver o moleque aprontando de novo. Saca só os chifrinhos no Iceman…


GP do Bahrein – classificação final:

1º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1h35min10s990 em 57 voltas
2º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 3s3
3º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 10s1
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 38s7
5º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 55s4
6º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 57s5
7º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 57s8
8º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 58s9
9º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 1min04s9
10º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 1min11s4
11º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 1min12s7
12º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 1min16s5
13º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 1min30s3
14º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 1min33s7
15º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 1 volta
16º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
17º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 1 volta
18º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), abandonou a 2 voltas
19º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a 2 voltas
20º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), a 2 voltas
21º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), a 2 voltas

Abandonaram:
Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 3 voltas
Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 32 voltas
Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 33 voltas

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Zhōngguó (2)

São Paulo (Demorei!) – Queimei a língua. Nico Rosberg e sua Mercedes subiram no lugar mais alto do pódio na China, quem diria. Mas eu avisei que estava torcendo por um resultado como esse, visto que a pista em Xangai favorece os prateados alemães.

Eu não achava que a Mercedes fosse ganhar, mas ganhou. E parece que as coisas estão mudando um pouco nessa temporada. Nico, que pela primeira vez venceu na Fórmula 1, é o primeiro vencedor diferente em 3 anos, se não me engano desde Mark Webber em 2009, no GP da Alemanha. E, antes de entrarmos nos detalhes da prova, umas estatísticas dessa vitória de Rosberg: o alemão é o quinto piloto da história a ter demorado mais para ganhar sua primeira prova, que conseguiu somente após 111 GPs, atrás do australiano Mark Webber (130 GPs), do brasileiro Rubens Barrichello (124), do italiano Jarno Trulli (117) e do inglês Jenson Button (113). Para aumentar a importância do feito, Nico também é apenas o segundo filho de campeão mundial a vencer uma corrida de Fórmula 1. Seu pai, o finlandês Keke Rosberg venceu o título em 1982. O outro foi Damon Hill, filho de Graham Hill, bicampeão em 1962 e 1968.

Três corridas, três vencedores diferentes, cada um de uma equipe. Esse triunfo do time de Ross Brawn põe mais pimenta no molho da F1 neste começo de temporada. A Mercedes deve brigar por mais do que pontos e é válido pensar que pode beliscar umas vitórias, já que a Red Bull não se achou ainda e a Ferrari vai sobrevivendo como pode. E a McLaren tá lá, aparecendo em tudo que é foto com seus dois pilotos e assim lidera as duas classificações. Hamilton, terceiro na prova, assumiu a ponta com 45 pontos e nenhuma vitória (foram três terceiros lugares). Button, segundo em Xangai, vem logo atrás com 43 pontos

Fato é que Nico soube aproveitar sua pole e largou bem, parando um pouco mais tarde que os outros por ter feito poucas voltas na classificação, tendo mais borracha para gastar num carro que devora pneus com fome de glutão. E deu sorte de ter Button e Hamilton largando lá atrás, senão a disputa pelo primeiro lugar seria bem mais intensa do que a aparente folga que os 20 segundos de vantagem para Jenson apontaram. Além disso, Button teve um probleminha num dos pit stops e voltou meio atrasado para a pista. Mesmo assim, não chegaria em Nico, que fez duas paradas contra três do time de Woking.

A McLaren parece ter até agora o carro mais forte do circo, mas vai ter de lidar com a luta interna entre dois campeões e que são novamente postulantes ao título. Liberar a briga entre seus pilotos é praxe na escuderia, só que isso pode se tornar uma vantagem para Rosberg, que claramente vislumbra uma luz. Que comemore muito enquanto pode e aproveite o bom momento para pontuar o máximo que der. Talento ele tem, e agora, também tem carro.

Seu companheiro, Schumacher, poderia igualmente ter feito uma boa prova, mas perdeu a corrida num erro de box, quando foi liberado antes da roda dianteira direita estar totalmente presa e teve de abandonar. Triste. Queria ver o heptacampeão de novo no pódio.

A Red Bull está claudicante, sentiu o golpe da proibição do difusor soprado e o carro ficou instável demais na parte traseira. Nem o “novo” escapamento velho de Vettel deu resultado satisfatório. É bom lembrar que a equipe austríaca vem com um novo pacote para a temporada europeia a partir de Barcelona, mas antes tem de se virar como pode no GP do Bahrein, no próximo domingo. Sebastian largou em 11º e vinha jantando todo mundo, até ser o 2º a duas voltas do fim, mas foi sendo ultrapassado e garantiu um 5º lugar ao menos, sofrendo com o desgaste de pneus. Webber achou que seu carro tinha asas e quis voar na zebra; quase conseguiu e chegou em 4º. É importante conseguir o máximo possível de pontos nesse começo antes de tentar dar a virada na Espanha.

Boa corrida também fez Grosjean, que conseguiu completar uma prova esse ano, 6º lugar para ele. Já Kimi Raikkonen apostou numa estratégia e não deu certo. De repente, perdeu 10 posições em duas voltas. A Lotus tem um bom carro, mas é bom ficar de olho com tantas chances perdidas. Eric Boullier que o diga; está perdendo cabelos com isso.

E a ótima suspresa do GP chinês foi a Williams, que fez um carro acertadinho e que casou muito bem com o motor Renault. Bruno Senna repetiu o bom desempenho da última prova e, com ultrapassagens arrojadas e muita vontade, fez um bom 7º lugar com consistência. Só que de novo se encontrou com Felipe Massa, dessa vez na largada. Deu sorte que o pedaço da asa dianteira que quebrou não fez muita falta. De lambuja ainda chegou na frente do companheiro Pastor Maldonado e vai se firmando como escolha certa da equipe. O venezuelano chegou uma posição atrás após um ótimo duelo com Alonso e fechou a conta para o time de Grove, com os dois carros nos pontos. Sir Frank Williams deve estar sorrindo até agora.

Por falar em Alonso e Massa, a cada dia constatamos que a vitória do espanhol foi mesmo mágica, quase um alinhamento interplanetário. A Ferrari é um Fiat 147. Não anda e quase atrapalha quem vem atrás. É de chorar. Fernando foi 9º e Felipe o 13º, o que mostra a real posição do time nesse início de campeonato. E o brasileiro ainda não pontuou. Ao menos o time acertou nas táticas de corrida (apenas duas paradas para Massa), mas o carro é imprevisível no comportamento, do dia para a noite ele muda a reação. O gato subiu no telhado para o time vermelho. Além de tudo isso, essa semana se confirmou na imprensa italiana que Sergio Pérez fará testes em Mugello no começo de maio, antes de Barcelona, na pré-temporada europeia. O óleo da fritura de Felipe vai se esquentando ao poucos…

Checo, por sua vez, merece um puxão de orelhas de Peter Sauber. Na hora que estava sendo ultrapassado por Kobayashi na reta quase jogou o companheiro pra fora da pista. O mexicando vem adando bem ultimamente, mas o segundo lugar não dá permissão para querer ser estrela da equipe. E o japonês decepcionou na corrida. Tinha gente apostando em pódio (este que vos escreve, inclusive), mas o 10º lugar pareceu muito pouco pelo que vinha sendo mostrado. A equipe tem um bom carro e uma boa dupla, mas essa instabilidade atrapalha um pouco.

De resto, a Force India foi a melhorzinha com Di Resta em 12º e Hulkenberg em 15º, corrida honesta da equipe, que mostra algum potencial para ficar à frente do resto. E o resto fez o de sempre, duas Toro Rosso, uma Caterham, duas Marussia, duas HRT e a outra Caterham.

O problema agora é ver como será o GP do Bahrein, em Sakhir. Manifestantes prometeram atuar durante a prova e nas imediações do autódromo contra a corrida. A polícia barenita já disse que não tem como garantir total segurança para o fim de semana. Os milhares de dólares recebidos por Bernie parecem ter jogado areia nos olhos da categoria, que faz vista grossa para a situação do país. Teve até mecânico que se recusou a viajar. Os pilotos não vão se manifestar, vão se comportar como cordeirinhos e correr como o chefe mandar. Bando de bundões. Poderiam ter uma consciência política aflorada, haja visto como o mundo está globalizado e não há como deixar de ver o que acontece, mas preferem se omitir. Poderiam falar um simples “não, não vamos correr e pronto”, e adiar essa prova. Mas, por negligência, vão ignorar o que está do lado de fora. A pilotaiada já foi mais ativa, mas parece que têm medo de manchar a imagem, de ficar mal na fita com o chefe, com os patrocinadores, com as TVs, com o público, fãs e toda a sorte de motivos que possam, por mais nublados e superficiais que pareçam, dizer que o melhor é ficar quieto.

O país passa por um momento delicadíssimo, desde o ano passado. São constantes as manchetes de que há condutas desrespeitosas aos direitos humanos por parte dos policiais do Reinado contra os oposicionistas xiitas. Até mesmo policiais estão sendo acuados com a violência. Bernie tenta dizer que a prova será pacífica, mas manifestantes prometem um “dia de fúria”. A equipe MRS, participante da categoria Porsche Supercup, que fará uma corrida preliminar ao GP do Bahrein de F1, anunciou nesta quarta-feira que desistiu de correr na etapa, por preocupações com as condições de segurança. É no mínimo cutucar a onça com um palito de dente. Eu torço para que nada de mais aconteça e tudo saia nos conformes, mas essa é uma mancha para a F1, como tantas outras que serão lavadas com o tempo. Mas o pano vai ficando gasto. Se o pano for o de um turbante, será triste demais saber que um simples “não” poderia evitar um possível rasgo.

E para quem se perguntou o que é Zhōngguó, é China em chinês.


Resultado Final – GP da China:

1º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 56 voltas em 1h36min26s929
2º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 20s6
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 26s0
4º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 27s9
5º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 30s4
6º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), a 31s4
7º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), a 34s5
8º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), a 35s6
9º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 37s2
10º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 38s7
11º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 41s0
12º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 42s2
13º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 42s7
14º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), a 50s5
15º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 51s2
16º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), a 51s7
17º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), a 1min03s1
18º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), a 1 volta
19º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), a 1 volta
20º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), a 1 volta
21º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), a 1 volta
22º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), a 2 voltas
23º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), a 3 voltas

Não completou:
Michael Schumacher (ALE/Mercedes), abandonou na 12ª volta

 

Todas as fotos – © DR/ Nextgen-auto.com

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Zhōngguó (1)

São Paulo (Demorou!) – A corrida é na China, mas só se fala do Bahrein. Tecerei algumas linhas sobre isso, mas falemos antes do treino classificatório em Xangai, que consegue ser mais poluída que São Paulo na hora do rush. E deu Rosberg, que surpresa!

Nico conquistou sua primeira pole-position na carreira na F1 e de quebra marcou a primeira pole da Mercedes em 57 anos (a última foi de Fangio). Deu uma volta só e parou, saiu do carro e sorriu, sabendo que fez um temporal na pista e ficou só esperando o cronômetro zerar para comemorar o feito. Schumacher larga em segundo e Kobayashi em terceiro – sim, o MITO larga em terceiro. Mas há uma explicação para a tábua de tempos estar diferente bem como a foto dos três primeiros.

Hamilton foi penalizado porque trocou a caixa de câmbio e perdeu 5 posições no grid, o que o deixa com um pouco menos de chances na prova, mas nada pode ser descartado. Lewis fez o segundo tempo, mas larga em 7°. Se ele conseguir se acertar com os pneus, pode beliscar um pódio ou, quem sabe, a vitória. Porque as McLaren ainda mostram que têm o melhor carro atualmente. Button, um dos favoritos a fazer a pole, ficou em 5º e culpou a estratégia de sair mais tarde e perder a boa temperatura dos pneus. Conhecendo sua técnica em corridas, é outro em que aposto para um pódio.

Schumacher ainda está vivo, mas a Mercedes anda muito bem em treino por causa de seu sistema de dutos acionados pelo DRS, o que na corrida isso não funciona tão bem. Em todo caso é ótimo ver o heptacampeão na primeira fila novamente. Mas os prateados alemães terão de fazer uma estratégia muito bem feita se quiserem ver a bandeira quadriculada entre os 3 primeiros. O carro gasta muita borracha. Vão incomodar muito, mas como eu não aposto mais muita coisa em corrida com a Mercedes, espero que Ross Brown queime minha língua e aproveite a pista chinesa, que dá potencial para seus carros e pilotos mostrarem serviço.

Peter Sauber, que não está na China, deve estar se empanturrando de queijo, vinho e um chocolatinho com o 3º lugar do japonês voador. Koba-mito conquistou o segundo melhor resultado num grid da escuderia suíça (Frentzen foi terceiro no grid no Japão em 1994 e Alesi fez dois segundos, em 1998 na Áustria e em 1999 na França). Checo Pérez, que andou muito no Q1 com pneus macios, inclusive fazendo o melhor tempo (1min36s198), achou um honestíssimo 8º lugar. Vai ser briga boa entre os ponteiros com Kobayashi indo pra cima na largada e Pérez que só vai parar para trocar pneus por decreto. Se não forem atrapalhados no começo, vão levar mais um bocado de pontos para casa.

Hamilton, Rosberg e Schumacher foram os mais rápidos no treino (Foto: Getty Images)

Raikkonen, o homem de gelo, ficou com o quinto tempo e larga em quarto. Tem carro e frieza para fazer uma boa corrida. Vai na sua tocada, quietinho, mas vai deixando sua marca. Se aparecer no pódio não será uma surpresa. Grosjean fechou o top-10. Andou bem nos treinos e nas sessões do qualifying. Se vai terminar a prova é outra história. Vamos ver se dessa vez ele completa uma corrida.

A Red Bull foi mais que discreta em Xangai. O australiano pela terceira vez em três provas vai largar na frente do companheiro de equipe, mas o 6º lugar é pouco. Newey perdeu seu trunfo de 2011, o difusor soprado, e ainda não achou a solução para manter seu projeto à frente dos outros. Vettel, acreditem, foi ceifado do Q3 por ninguém menos que Alonso, o mágico espanhol.

O alemãozinho bicampeão tem sua pior posição de largada desde o GP do Brasil de 2009, quendo foi o 15º, e está insatisfeito com o balanço do carro, mas mesmo assim, tomar 3 décimos do companheiro é estranho demais. A troca do escapamento não justifica essa diferença toda. E junto com ele ficaram Massa, Maldonado, Senna, Di Resta, Hulk e Ricciardo no Q2. Aliás, apenas 0.282s separaram os 10 primeiros pilotos no Q2, o que é a menor diferença desde 2006, quando o sistema foi adotado.

Fernandito colocou sua Ferrari na raça na última parte da classificação, mostrando que, além de talento de sobra, tem estrela, muita estrela. Só que os vermelhos vão brigar por migalhas nessa prova. Felipe diz que não tem muita explicação para o carro não render o esperado depois da semana de internato em Maranello. Cada vez mais ele se afunda na lama e parece não ter forças para sair. Se fizer uma prova mais relaxada, sem compromisso e dar sinal de vida, pode ganhar um respiro e uma folga da imprensa italiana, porém o carro não lhe dá maiores esperanças para motivá-lo psicologicamente.

Sebastian Vettel irá largar apenas da 11ª posição em Xangai (Foto: Steven Tee/LAT)

Só Senna-sobrinho que chegou muito perto de Maldonado, mas larga atrás do companheiro. Force India e Toro Rosso passaram despercebidas. E de resto, tudo igual e em duplinhas. A nota de corte no Q1 ficou com os mesmos de sempre: Vergne, Kovalainen, Petrov, Glock, Pic, De la Rosa e Karthikeyan. Pelo menos as Hispanias ficaram dentro do limite de tempo de 107% e vão largar dessa vez.

Nota: a Ferrari está usando a asa de 2011 ao invés da que foi concebida para esse ano, o que mostra que a situação em Maranello é delicada. O carro nasceu ruim, muito ruim.

E o que está causando polêmica ainda é que Bernie Ecclestone confirmou que vai ter corrida no Bahrein. Fato é que o chefão da F1 enfiou goela abaixo a prova barenita e todo mundo do grid. Com os conflitos rolando soltos à base de bombas e um pouco de sangue na capital Manana, a F1 vai para um lugar onde não é benquista nesse momento e nenhum piloto ou equipe teve colhões para falar um sonoro NÃO. Haverá uma reunião antes da prova com a cúpula das escuderias e Bernie, mas a FIA não está nem aí, falou que vai ter corrida e pronto.

Oxalá nada de mal aconteça, mas é vergonhoso. Que cancelassem a prova e o Bahrein e seus petrodólares que sustentam a empáfia e o mundo de aparências dos negociantes da F1 fosse esquecido, pelo menos por enquanto. Mas não estou tão certo quanto às garantias de paz e tranquilidade dessa corrida. Alguma merda deve acontecer.

Enquanto isso, vamos ver essa prova da China que promete. É daqui a pouco, às 4h.
Grid de largada – GP da China:

1º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min35s121
2º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min35s691
3º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min35s784
4º. Kimi Raikkonen (FIN/Lotus-Renault), 1min35s898
5º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min36s191
6º. Mark Webber (ALE/Red Bull-Renault), 1min36s290
7º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min35s626 (*)
8º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), 1min36s524
9º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min36s622
10º. Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault), sem tempo

11º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min36s031
12º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min36s255
13º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Renault), 1min36s283
14º. Bruno Senna (BRA/Williams-Renault), 1min36s289
15º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 1min36s317
16º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), 1min36s745
17º. Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso-Ferrari), 1min36s956

18º. Jean-Éric Vergne (FRA/Toro Rosso-Ferrari), 1min37s714
19º. Heikki Kovalainen (FIN/Caterham-Renault), 1min38s463
20º. Vitaly Petrov (RUS/Caterham-Renault), 1min38s677
21º. Timo Glock (ALE/Marussia-Cosworth), 1min39s282
22º. Charles Pic (FRA/Marussia-Cosworth), 1min39s717
23º. Pedro de la Rosa (ESP/HRT-Cosworth), 1min40s411
24º. Narain Karthikeyan (IND/HRT-Cosworth), 1min41s000

(*) Perdeu cinco posições por troca de câmbio

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